quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Appeal

Os lábios, fortes, chamativos, quase vivos, clamados pelos meus, tão ateus, como se provocassem algo em mim, um fogo forte assim, que não dá pra descrever, que nem eu sei entender.

Antes que eu possa sequer assimilar o efeito que me fazem, ela os arqueia e entrega o sorriso, imperfeito, por trejeito, em algumas raras vezes, exibindo um lado tímido, um semblante sem jeito. Não é o mais lindo, mas um dos mais bem-vindos, divertem grande parte do meu ser com apenas um vislumbrar.

Deslumbrado eu fico, pelo olhar, tão rico, quase sempre, sorrindo, intimidando, todas as vezes me atraindo, me roubando. Dono de um poder que não consigo contabilizar e olha que eu sempre fui muito bom com números, contudo, enumerar o charme dela é algo que pareço não ser capaz. Ela é dona de um appeal que só ela parece ter: provoca, desfoca e evoca, algo aqui dentro que me desperta os melhores sentimentos, que me faz ser grato por estar ali, mesmo que só como expectador.
Mesmo sem ter expectativa, por saber que, racionalmente, não faz sentido tê-las, ainda assim, gosto de imaginar como seria um noite em que ela se deixasse levar pelos meus convites. Uma noite só em que eu não fosse o único a ultrapassar alguns limites. Entretanto, o fruto que sou, nem sei se ela sequer, algum dia, já provou, logo, resta apenas desejar mais da pele alva, dos cabelos negros, da dança morena, que ela exibe sempre que nos encontramos.

E eu encontro nela, a perspectiva que os sorrisos são sim, a parte mais atraente que alguém pode usar contra mim. Quem sabe, dia desses eu não degusto enfim, do sabor que já me causa tanto furor, do arfar dela, que me libertará dessa cela, em que me coloquei, desde que, pelo appeal dela me viciei.

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