quinta-feira, 30 de abril de 2015

Lindo Azul

Queria te fazer um convite,
Pra gente ficar junto,
Papeando sobre tudo qué assunto,
Pra gente entender bem,
Tudo isso que a gente tem.

Quero uma noite sem limites,
Pra gente poder se soltar,
Deixar que esse apaixonar,
Realize-se como tiver de ser,
E se permita acontecer.

É meu benzinho,
Quero logo te encontrar,
Pra te dar todo o carinho,
Que de mim não para de transbordar.

A gente tá nessa sincronia,
Em que as trocas de palavras,
São a alegria do dia,
E tá faltando apenas,
Dançar agarrado a tu.

Porque eu só vejo amor,
Quando fecho meus olhos,
Tudo se enche da nossa cor,
E só há tu, minha morena,
No nosso doce lindo azul.

Você aceita então?
Uma noite na companhia,
D'eu, as estrelas e a lua?
Pés descalços sujos da rua,
E minhas mãos serpeando as tuas?

Diz que sim pro meu coração,
Faz ele batucar de alegria,
E vamos dormir agarrado,
Deixar que nosso conto apaixonado,
Se faça real além dos olhos fechados.

Precisamos de só uma chance,
Pra pintarmos o mundo,
Com a cor desse romance,
Nesse nosso lindo azul,
Que é de mergulhar fundo,
Como eu sou feito pra tu.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Só Quero

Passando com a minha bicicleta por uma das pontes que sou tão apaixonado, cantarolando músicas felizes demais para uma terça-feira à tarde, mal percebo que as pessoas me olham estranho: o trânsito está infernal e elas não sabem o que estou sentindo no peito; elas não tem como entender que eu tenho lembranças boas demais transbordando na mente e que fazem meu coração batucar mais que orquestra de frevo. Basta eu fechar os olhos e consigo repetir tudo que aconteceu: o seu riso, o brilho no olhar, o primeiro beijo semi-roubado e tudo tão sincronizado; eu esperava seguir andando normalmente ao fim daquela tarde, mas você deixou uma brecha pequena e assim que segurei sua mão, percebi que não iria ficar pra trás, que naquele pulsar, as coisas iam ser bem diferentes.

A bem verdade é que depois de tanto tempo escrevendo sobre o assunto, buscando desesperadamente encontrar algo que se assemelhasse ao que persegui por toda a vida, seria normal que eu tivesse vontade de desistir, porém acho que nunca perdi as esperanças. Bastava eu olhar pro azul que tem no céu e meu coração já voltava a imaginar como seria quando eu a encontrasse, e agora que acho que aconteceu, as mãos tremem, as borboletas levantam voo na barriga e o sorriso não consegue parar de se expor no rosto até as bochechas doerem.

Ainda bem que não é tão fácil, senão, talvez não seria tão mágico, só que, sejamos sinceros, nem de longe é tão difícil assim: estamos presos numa encruzilhada em que o destino está nos dando tanta certeza que não é de impressionar que, a gente, vez ou outra, se amedronta, entretanto, por agora, eu só quero que você deite seu corpo e relaxe; eu estou aqui, pra que você cole em mim, então, bela menina, vem cá que fui feito pra isso mesmo, pra ser um meio da conchinha só nossa.

Você não sabe, mas em quase todas as noites, enquanto minha cabeça repousa no meu gostoso travesseiro quando deito na minha cama, sinto que algo está faltando e consigo visualizar você colocando um pijama todo solto antes de dormir, fazendo sentindo algo semelhante ao que está dentro de mim, e aí eu meio que esqueço de tudo um pouco: perco-me em devaneios que só acreditava existirem em obras ficcionais.
Esses dias tem sido tão engraçados  que consigo repousar livre de preocupações, pensando que se tiver de fazer sol, que ensolarado seja feito, e se tiver de chover, que venha pra me encharcar, desde que seja apenas pra dançar descalço ao seu lado. Tudo que virá, que seja ao seu lado.
Ainda bem que não é tão simples, senão, sabemos que não seria tão único, mas nem de longe é complicado assim, nós, de repente, chegamos a essa boa encruzilhada que parece querer nos levar pro ponto em que sempre sonhamos chegar, e eu só quero que você deite seu corpo no meu; quero que seu cheiro seja mais meu que seu, um misturado que nos deixe ainda mais apaixonados; que seu gosto seja nosso, de uma forma eu não saiba mais diferenciar o que era meu e o que era seu, até porque o que vai importar mesmo é que será só nosso; que sua pele seja um livro em branco preu fazer meus lábios de caneta e preencher com toda a paixão que transborda de mim.

Coisa divertida é que tenho acordado assim desde que estamos nessa, imaginando tudo que a gente tem sem ter, e no que ainda vai ser, porque nossos sonhos, aos poucos, vão quebrando as barreiras dos medos que a racionalidade nos impôs.
Então, bela menina, deite o seu corpo ao lado do meu, seja do meu coração, o apogeu, e não se preocupe, de alguma forma que não consegui entender ainda, você já me fez todo seu, e é exatamente o que quero: você, só quero você.

domingo, 26 de abril de 2015

Coração Romeu

Recife, Pernambuco,
Terra dalvorada,
Sou amor, sou maluco,
Dalma enamorada,
Dos trombetes e tambor,
Dum carnaval chei de cor.

Canceriano sim,
Do tipo todo exposto,
Esbanjador de tantos sorrisos,
E gritos sem prévios avisos,
Pra lhe ver corar o rosto,
Ao enumerar assim,
O que você já é pra mim.

É linda, é rima,
Me anima, põe pra cima,
É meu último pensamento,
E mesmo sendo platônico,
Todo esse inusitados sentimento,
Ainda quero mais e mais.

Não tou muito confiante,
Nessa reciprocidade,
Mas me permiti arriscar,
Acredito que a realidade,
É da nossa aura resultante,
E assim deixei-me apaixonar.

Sou todo contumaz,
Me coloquei fora da curva,
E se ainda resta dúvida,
Tou pronto pro que vier,
Se isso ainda lhe aprouver.

Tou aberto ao que a vida deu,
Tou aberto aos planos de Deus,
Entre idas e vindas,
Uma bailarina me é muito bem-vinda.

Plante-me um pouco,
Deixe-me rouco,
De tanto falar besteira,
De tanto querer-lhe inteira.

Você não percebeu?
Acho que ja sou todo, todo seu,
Meio perdido, meio louco,
Totalmente aturdido,
Pelo dom que Deus me deu,
Ser dum Coração Romeu.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Se Revela

Tem dia que acordo assim, com palavras demais na cabeça e no peito, palavras que suplicam pra se ajuntar num papel. É estranho, é complicado e mesmo assim ela entende. Que sintonia, que simpatia, que loucura é tudo isso. Existem loucuras ruins, eu bem sei, mas a nossa me tem feito tão bem, que às vezes eu tenho medo de ser uma linha de um ponto só. Vira e mexe a gente tenta, entretanto o tempo não tem sido muito legal conosco, tem nos testado e intensificado mais ainda isso tudo, que transborda tanto.

Transborda, sim, é principalmente isso. Ela meio que se bordou num apego desapegado, num aconchego tão apertado, só que ainda um pouco mais, por isso que ela supera a borda. Transborda admiração, vontade, reciprocidade e sonhos. E não para por aí, ela ultrapassa tudo que eu me acostumei a sentir e esperar. Transpassa o usual, o comum, o que a vida normalmente oferece e o que mais possam dizer que vai acontecer. E o que acontece, apesar de eu não me sentir muito confortável em admitir, meio que pira. Boa parte do meu eu suspira, e respira a cada palavra que ela me dá. O seu riso me inspira e sua personalidade transpira um algo atraente demais que só posso caracterizar como um encontro celestial.
Ela é sim,
Muito especial,
Duma sincronia astral,
Duma atração pra mim.

E eu quero, sim eu quero muito. Quero me embriagar com seu sabor, tragar seu aroma, afogar em seus braços, vidrar pela sua dança e absorver sua voz. Quero, quero e quero muito. Quero cheiro, gosto, carne e voz. Perder-me nas curvas dos olhares e risos, desenhar cada rabisco que já existe seu corpo. Ah como eu quero e espero, que o tempo nos seja amigo. Porque é com chance que se faz romance. É com oportunidade que se faz felicidade. É com ela que meu coração se revela.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Miss Cold Heart

Never thought that I could be,
The guy who's a witch's pawn,
But in a friday dawn,
It was just what I see,
Me being a foolish man.

Took someday's until I realize,
That was never love,
It was something above,
A possession from your mind,
How I could be so blind?
You always was the Miss Cold Heart.

So, why I try it?
I was too stupid?
Or just its works of cupid?
I really don't know,
And now, I don't give a shit.

I decided no more says,
But I woke up today,
And feel me an strange way,
So this gonna be one special gift,
My last words for you,
The words that you used to love.

Was a funny type of love,
Don't you think?
Out of the blue, you put a end,
Without no warnings send,
And I just took a breathe,
Because its all I could do.

It's just some words,
About our game that never was for two,
Always be just you,
Your imagination,
And a cold heart temptation.

Live your life free,
Freeze another someone,
But when all of your games done,
Don't come to back to me,
Please go to another way,
Go find you lovely foods,
And put me out your crazy moods.

So Miss Cold Heart,
This is the last song,
That I write to you,
And if you always love them,
Enjoy this last one,
Because me and them no more belong,
To your possession depart.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Fugitivos

Cabelos negros esvoaçados pelo brisa de veraneio. Uma garota de olhos achocolatados com um nariz afilado pronto pra encarar qualquer desafio sem perder a compostura. Eu estava vivendo de caçadas há muito tempo, e foi naquela tarde que minha rotina entrou em colapso quando ela sorriu pra mim um riso que mais tarde eu saberia que era minha ruína.

-Não precisa ter pressa - ela dissera - somos jovens, mas não estamos fugindo de ninguém - eu assenti e tentei domar meu imediatismo. Como poderia explicar que era do tempo que eu estava tentando fugir? O maldito tempo que sempre vinha corroer tudo de bom que eu construí na minha vida?
-Bom, nós não temos muito tempo - eu me referia ao fato que ela iria para outra festa ainda naquela noite.
-Podemos sempre esperar até amanhã - podíamos? Eu não tinha certeza - contanto que você não esqueça meu nome.
-Eu não vou - deveria ser uma promessa vã, como tantas que eu já fizera na minha vida, mas não foi. Não com ela. Aquilo era real, e mesmo eu querendo lutar contra, nunca fui bom em mentir para mim mesmo.

Ficamos noivos numa quarta à noite, era o nosso dia. Jurei sobre nossos filhos que ainda iriam nascer que eu iria conseguir cuidar de todos nós, porém na hora, não pesei sobre tendência humana de fugir de problemas. Quando as noites ficavam difíceis, me batia uma vontade de abrir as asas e voar para longe, era genético. Só que ela não gostava de ser contrariada, eu ainda não sabia, mas ela planejara piamente me conquistar e possuir por um capricho egocêntrico, e assim ela pegou minha mão e disse que poderíamos fugir pra outro lugar. Como eu poderia explicar que era da nossa felicidade que eu estava querendo fugir? Estava muito bom para ser verdade, ela tinha de ter defeitos certo?

Eu fiquei, plantei raízes, mesmo meu coração me dizendo o tempo todo pra fugir. Eu sabia o quanto eu havia segurado-a e não iria soltar por nada, só que, como eu previra, o tempo não tardou em vir buscar o que lhe era seu de direito. Seus defeitos eram tão parecidos com os meus, só que de uma intensidade desproporcional. Eu era tolo, acreditei que ela iria querer mudar como eu sempre quis quando deixava meus defeitos sobrepujarem minhas virtudes e assim eu fiquei, e acreditei no melhor dela.
A rotina nos consumiu, éramos apenas cascas vazias da essência que costumávamos ser. De pouquinho em pouquinho nossas metas particulares ribombaram mais alto do que a sinfonia que nosso amor tocava e uma distância foi crescendo entre nós.

-O que aconteceu com a gente? Costumávamos olhar as estrelas e confessar nossos sonhos; abraçamo-nos até amanhecer e no raiar dos domingos, não levantávamos até ter certeza que nosso amor se fizera presente. Costumávamos rir, agora só brigamos, você não se sente sozinha agora? - eu tentei remediar lhe alertando sobre a nossa situação, mas ela apenas se calou. Apenas deixou lágrimas caírem e num impulso inesperado, pediu-me que ficasse. Eu deveria ter negado, eu deveria ter sacudido as amarras das minhas asas atrofiadas e partido dali, mas não o fiz. Tudo pra pouco tempo depois, alçar um voo tropego e deixá-la no meio de uma das piores tempestades que suas escolhas lhe levaram.

O hiato nunca teve chance de se desenvolver, ela me procurou indo contra toda a natureza de seu nariz afilado. Eu quase sucumbi, e ao renunciar ao seu pedido, soube que era o certo a se fazer. O tempo iria nos fazer mais mal se estivéssemos juntos, do que separados, ela teria de entender isso. E assim o hiato se perpetuou, até que um sonho me sinalizou que canecas quebradas podem ser coladas. Foi nisso que eu acreditei quando fui até ela, mesmo quando minhas asas começavam a se re-acostumar com as caçadas.Um tolo esperançoso. Sentia-me responsável pela felicidade alheia ante a minha e assim voltei a sacrificar-me numa situação pouco aprazível.

Havia um medo dentro de mim que nunca houve antes: a certeza que mesmo sendo transparente e renovando as juras que havíamos feito anos antes na mesma praia, ela estava diferente. Era como nossos laços fossem espectros do que costumavam ser, e as fotos que recolocara nas paredes estivessem me alertando do final trágico que nos aguardava.

Rompemos definitivamente numa quarta à noite, era o nosso dia. Jurei que não iria amaldiçoá-la, como fizera com todas as outras pessoas que haviam mutilado meu coração. Com ela tinha de ser diferente, e foi. Percebi que desde que nos conhecemos, éramos apenas fugitivos. Isso até descobrir que a fuga dela nunca foi sobre mim e sim sobre ela mesma, e isso fez com toda consideração que tinha pelo nosso tempo, se tornasse desprezo.

Tentamos o máximo que pudemos fugir do tempo. Tentamos ter um algo atemporal, mas falhamos como tantos outros, e agora fugimos disso. Fugimos das lembranças e do que pra mim foi um tipo de amor (mesmo que sem reciprocidade), como tentamos fugir do tempo, na esperança, que pelo menos essa fuga dê certo.

domingo, 19 de abril de 2015

Um Beijo de Escorpião

Ela era diferente,
Bela menina,
Nada de passado ou futuro,
Sua personalidade era toda presente.

Um beijo de câncer,
Falou-me que era diferenciado,
Devia ser dum carinho aprofundado,
E por isso ela riu,
Após nosso primeiro beijo pausar,
Para a ternura dos meus lábios apontar.

Foi uma estranha sensação,
Com ela, eu era a caça e caçador,
O analisado e analisador,
Entre felinos e caninos,
Senti que ambos eramos vulpinos.

Entre entendimentos astrais,
Confissões pouco usuais,
Ela me surpreendeu bastante,
Deveria ser uma conversa qualquer,
Mas ela era muito cativante,
E, de repente, conversamos até sobre fé.

Ela era tão contente,
Bela bailarina,
Dançando na luz e no escuro,
Com sorrisos que me foram valiosos presentes.

Um beijo de escorpião,
Eu lhe brinquei que me deixaria aturdido,
De um fulgor cheio de líbido,
E por isso ela riu,
Após nosso último beijo pausar,
Para a surpresa nos meus olhos apontar.

Não é sobre o que foi,
É sobre o que é,
O que poderá ser,
Sou desses que a olha pra frente,
E acredita, de repente,
Na vida ser de florescer.

Eu sei que houve reciprocidade,
E talvez, por esse motivo,
Que o sentimento se mantém vivo,
Aguardando uma oportunidade,
Que o tempo parece querer nos dar.

domingo, 12 de abril de 2015

De Repente

De vez em quando eu ajusto meu ritmo pra refletir sobre mim mesmo. Não sei exatamente como eu cheguei aqui, estou mais velho, mais sábio, tão errôneo quanto sempre fui e, ultimamente, percebo que tem sido mais difícil do que no passado.

Então, de repente, o tempo já está passando. Fica difícil de admitir, difícil até de aceitar, mas eu não vou ser o que gostaria de ser, porque num desses dias quaisquer que estão por vir, eu vou simplesmente acordar e percebi que já cresci.

Não é uma tragédia, nem sequer um descontentamento, apenas meu eu presente sendo sincero com meu eu futuro. As coisas não vão ser como planejei; as expectativas que deveriam ter sido reduzidas a zero, acabaram ficando fora de controle e tenho que tentar minimizar o grau das decepções que vou gerar. Chegou a hora de admitir que meus planos utópicos dificilmente sairão da minha mente sonhadora e de adequá-los a minha real capacidade de conquistar o que almejei.
Eu não me tornei um pessimista, nem nada do tipo, ainda tenho sonhos, eles não são os mesmos; eles não voam tão alto quanto costumavam voar, porém ainda estão no céu.
Então, de repente, o tempo já passou. Foi difícil de admitir, e principalmente de aceitar, mas eu não sou quem eu quis ser. Sou um alguém diferente, um alguém bom o suficiente para mim mesmo. Percebi que lutar contra fantasmas de expectativas não me fariam bem nenhum. Simplesmente abri as velas do barco, deixei o vento empurrar e toquei o timão pra direção que mais me aprazia. É onde estou agora: rumo ao que eu puder conquistar, sem muitos planos, cobranças e expectativas.
Ainda tenho o tempo, ainda tenho a fé, conto com meus irmãos que a vida me deu. Eu tenho uma mãe, eu tenho um pai, mas às vezes eu acho que eles não me têm, porque simplesmente nem eu me tenho. Nunca quis ser ingrato, mas se minha natureza me fez assim, então é assim que é e será. Sou um, nem melhor, nem pior, apenas um, que sonha por dois, mesmo sendo apenas um. Por isso escolhi o número vinte e um pra carregar comigo. O número que simboliza minha sina e minha fé. Que guarda o que foi bom no passado e o desejo de um futuro linear. Se as conquistas vierem, se os sonhos se realizarem, será o que tiver de ser.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

De Mergulhar

Eu nunca entendi direito porque me fizeram um ser tão racional se a maioria das situações que ocorrem em minha vida não tem um pingo de racionalidade. Entre infinitas tentativas pífias de mapear, equalizar, equacionar ou racionalizar de qualquer outra forma entendível a um ser que ama números e ciclos, minha vida se resume numa montanha-russa que nunca termina a volta. Obviamente que em alguns momentos as curvas que me pegaram de surpresa pareceram extremamente iguais àquelas que já haviam me socado forte no coração num passado em que eu era bem mais inocente, porém, nunca foi na mesma intensidade, então qualquer precaução ou imunidade que achei que detinha, não funciona e lá vou eu ser influenciado pelos solavancos que essa nova curva me traz e aí, mais uma vez eu perco a oportunidade de mergulhar pra uma situação melhor.

Às vezes eu gostaria de esquecer um pouco de tudo que eu já aprendi, de tentar não pensar em teoria econômica e principalmente tentar não entender o que houve. Muito mais fácil seria ser ignorante e aceitar o que a vida me dá como vontade divina, mas não é assim que é. Sou esclarecido e tento entender tudo que acontece ao meu redor, mesmo que a maioria disso não possa ser entendido, e isso me frustra. Sei que não deveria, mas fico frustrado por não entender, não racionalizar e não conseguir prever o que estava por vir, e principalmente, não me precaver para passar por essa cuva de forma suave e sem sentir nada. Não, a vida não me deu essa habilidade, e acredito que não deu nem dará a ninguém. A vida é incerta, e essa é a sua maior beleza.

Acontece que, atualmente, eu deveria estar imerso num marasmo, deveria porque era o ciclo natural que eu desenhei na minha cabeça, entretanto, como já explanei não está sendo bem assim. Eu sou de mergulhar, e acabei me projetando em águas mais tépidas do que a corrente fria que minha vida estava tentando me arrastar.

Eu apenas me cansei das mentiras que tenho de escutar diariamente, principalmente as que vem de mim mesmo. Percebi que não preciso me moldar pra ser aceito, e sim me aceitar para entender qual é a minha moldura. Meu melhor amigo me disse uma das críticas mais construtivas que recebi na minha vida: sou muito negativista e não enxergo o lado bom da vida. Ele estava certo, e isso me entristeceu. Porque eu sempre me esforcei pra ser feliz, e raramente aceitei a felicidade que estava na minha porta, acho que por isso decidi mudar, decidi começar a mergulhar mais no que a vida me oferecer.

Ela surgiu quando eu estava saindo da concha e me encantou porque era de encantar. Apenas uma tarde e foi tudo tão diferente que eu até fiquei com medo de dar continuidade. Por motivo e sentimentos exógenos ao que senti naquele dia, eu me afastei pra resolver pendências que eu me sentia responsável, afinal eu vou sempre ser responsável por aquilo que cativei, e não consigo deixar isso de lado, mesmo que meu coração me dizendo pra deixar.

Só que ela não sumiu, ela ficou, de uma forma diferente, mas ficou. E por mais que eu tentasse dizer a mim mesmo que não era, sempre foi. De alguma forma, o paraíso astral que eu sempre acreditei e estudei existiu com ela, e todo contato que tínhamos me fazia repensar se já não estava na hora de abandonar minhas responsabilidades e seguir uma possibilidade que meu coração teimava em martelar. Acontece que a vida é incerta e, pegando-me desprevenido, mandou-me direto pra possibilidade. Parecia destino, parecia mágica, parecia sorte, e talvez fosse um pouco de tudo. Então por que eu deveria esperar mais? Por que eu não deveria mergulhar?

-Eu quero te fazer uma pergunta muito importante.
-O que é?
-É meio simples até, haha - respirei fundo, porque sentia que o encanto poderia se acabar a depender da resposta dela - o que tu pensa do mar?
-Eu amo o mar - e ela me contou uma experiência de vida tão linda, que soou como a vida me empurrando mais ainda prum mergulhar. Ela vivenciou exatamente o que fiz o protagonista do livro que escrevi vivenciar. Essas coincidências me quebram as pernas do coração.
-Pode ser loucura, mas tu toparia ir pro mar comigo?
Ela demorou a responder, e mais uma vez eu tive medo que a magia fosse acabar.
-Super topo - e sem perceber, já havia um grande sorriso no meu rosto.
Vou levá-la ao mar, vou me levar ao mar. Porque é o que mais quero e o que mais preciso pra agora.

Ela é muito mais do que eu deveria merecer nesse momento, ela dança, diverte, encanta e canta uma parte de mim que eu não lembrava de existir. Às vezes, me impressiono como existem pessoas incríveis no mundo, são descobertas assim que me fazem repensar meus horizontes. Ela é assim, é loucura eu sei, e não deveria ser, mas quando penso nela, a possibilidade tão remota se propaga prum futuro promissor, sem controle algum, já estou imaginando o nome dos nosso filhos. Sou assim mesmo, sou de câncer, já passou da hora de admitir que eu nasci pra mergulhar: no mar, e me renovar pro que a vida tiver que me dar, e principalmente pro amor, que é onde eu sempre vou estar imerso.

sábado, 4 de abril de 2015

Um Amor de Asas e Raízes (Nefelibato e Teluriano)

-Bem, eu sou uma pessoa nefelibata e você uma teluriana.
-É o quê?
-Eu sou nefelibato, aquele que anda nas nuvens: um sonhador nato. Você é teluriana, que está presa a terra: que não consegue se afastar da realidade. Somos opostos sabe? E juntos nós chegamos a um equilíbrio sensacional.
-Quer dizer então que eu não posso ser carinhosa?
-Claro que pode, mas é que eu fico desnorteado quando recebo seu carinho... Fico feliz demais. – e ele a abraçou com força.
Ele queria explicar a ela tudo que se passava em seu coração. Tudo que que se amontoava em sua mente, mas era complexo demais. Por isso ele perdia tanto tempo colocando as epifanias que tomavam o peito, a cabeça e alma em palavras tortas e torpes que preenchiam seu caderno de anotações. Eram todas palavras pra ela, sobre ela.

Tinha escrito, recentemente sobre o assunto. Sobre os Nefelibatos e os Telurianos; sobre os alados e os enraizados. Ele já havia sonhado tudo sobre eles. Seriam um amor digno de uma obra-prima. Ele que sempre sonhou em ser protagonista de seu próprio romance, havia encontrado seu par ideal. Por isso todo dia ele se desdobrava em várias formas diferentes de demonstrar pra ela o quanto aquele amor deles era sensacional.

Lá no fundo ele tinha medo do futuro e queria aproveitar apenas o agora. Uma vez, seu pai lhe contou sobre seu primeiro amor, e em como esse sentimento atemporal, infelizmente não obedece as leis da física. Ele tinha de aproveitar a oportunidade que a vida lhe deu, e era isso que ele estava fazendo agora. Antes que a rotina pudesse conturbar aquilo que eles tinham, ele tinha de plantar nela a semente certa para germinar em algo forte o bastante para suportar qualquer problema que surgisse no futuro. Uma semente forte o suficiente para impedi-lo, inclusive, de voar para longe quando os problemas aparecessem. E ela era a pessoa certa pra isso, por ser teluriana. Ele, nefelibato, procurara por toda sua vida o coração certo para plantar aquela semente, e era nela. Naquele sorriso extraordinário e naquela pessoa tão certa de tudo que ele iria apostar todas suas fichas como nunca fizera antes na vida.

Na concepção dele, existem dois tipos de pessoas: as que criam asas e sentem necessidade de ir e àquelas que criam raízes e não conseguem abrir mão de ficar. Ele era o primeiro tipo e ela o segundo, mas ele não gostou do conceito original. Alados e enraizados eram palavras simples demais para descrever o que eles eram, por isso ele criou uma neologia pra eles.

Ela, teluriana e enraizada, era firme, pronta pra aguentar todas as intempéries que a vida apresentasse. Não que, às vezes, a vontade de ir não lhe surgisse, mas ele sabia, de alguma forma sabia, que ela nunca iria partir. Ela iria ficar, iria acreditar, iria esperar. Ela era o ninho, a casa, o suporte. Tudo que ele sempre sonhou em achar.

Ele, nefelibato e alado, era solto, pronto pra buscar novas fontes de alegria e se modificar no que tivesse de ser. Não que, às vezes, a vontade de ficar não lhe surgisse, mas ele sabia que construir não era com ele e assim ele tinha de partir. Ele iria sumir, mas iria voltar. Ele era o pássaro, a novidade, os acabamentos e os detalhes que faziam tudo mais divertido, era o que esperava que ela sempre sonhou encontrar.

Eles se complementavam, um amor de asas e raízes. E, mesmo que o futuro não permitisse a ele voar, enquanto ele tivesse o suporte dela, tudo daria certo. Era o que ele dizia a si mesmo todos os dias, mesmo com o frio na barriga que sentia quando imaginava a possibilidade dela partir; da possibilidade de ela não ser tão teluriana assim. Mas ela não iria ser. Era amor que eles sentiam, e amor precisa de raízes, tanto quanto precisa de asas.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Típico

É típico. As mãos suando, a voz falhando, uma tremedeira contumaz, um sorriso que não se desfaz. 

É tudo consequência. 
Dela, do aroma de sua nuca, toda nua, crua, que cativa meu farejar no seu pescoço a arrepiar; do sabor de sua língua, toda voraz, que satisfaz uma libido que não sei se inicia na minha mente, ou se é meu corpo que primeiro sente; do som da sua voz tão risonha, de quem sonha, com amores, risos e uma vida toda sorrisos; da dança que meus olhos assistem, imagens que persistem, nos meus sonhos que mais me doem deixar ir nos acordares; do seu toque caloroso, quase venenoso, que arrepia todo meu ser, encenando minha mente e meu querer.
É atípico. A incerteza que me expõe, a vontade que se supõe, que deveria estar domada, mas que é cria de expectativas que não deveriam ter sido elaboradas. 

É tudo causa, de um sentimento que me faz mais assim, um canceriano de coração arlequim

quinta-feira, 19 de março de 2015

Segue Em Frente

Você sempre disse que eu era melhor do que eu realmente penso que sou, vai ver é verdade, mas isso realmente importa? O que é o melhor ou pior numa trajetória onde não existem vencedores ou perdedores? A vida é só uma e vou vivê-la com o que ela me oferecer, seja gratuitamente ou através de desafios que terei de superar.
Você me disse: segue e enfrente.
Preu enfrentar meus medos, meus sonhos, minhas incertezas, minhas certezas, meu algoz, meus ídolos e heróis. Você me ensinou tanto, e por isso sou muito grato, e dentre todas as lições você me ensinou a enfrentar o que há por vi, que o futuro não deve ser temido e sim admirado; que planejá-lo não é uma atitude erronea e sim esperançosa. Aprendi com você que o risco de se firmar traz consigo uma certeza apaziguadora e que não devemos nos preocupar tanto. Eu tentei lhe ensinar a não rotular, não julgar, não ser tão intensa ou preto no branco, mas não sei se consegui lhe ensinar. Sei que mudamos, mas principalmente que aprendemos, juntos ou não, a seguir em frente.

Por isso, hoje vou seguir em frente. Porque é em frente que a vida segue, e é pra lá que eu vou. Sem esquecer de enfrentar meus medos, e mesmo que meu Nêmesis esteja dentro de mim, uma hora haverei de encará-lo como terá de ser. Vou em frente, porque é o caminho que me foi traçado, o caminho que aceitei e o que me aguarda. Vou seguir em frente. Seguir e enfrentar tudo que há por vir.

terça-feira, 3 de março de 2015

Noronha

Morar permanentemente em Noronha,
Jogar pela seleção nacional,
Ter uma raposa de estimação,
Você bem sabe,
É tudo que meu coração sonha.

Mas você não sabe,
Você sabe não,
Que deixaria isso de lado,
Se tivesse de abrir mão,
De tudo que tenho com você.

Não é que eu queira mudar,
Mas eu mudaria,
Assim como já mudei,
Se for pela nossa alegria,
Serei o que tiver de ser,
Contanto que esteja com você.

Cada página que escrevi,
Dos best-sellers que vou publicar,
Todas ideias que minha mente tem,
Você bem sabe,
É pra torná-las livro que eu vivi.

Mas nem você sabe,
Você sabe nem,
Que tudo seria apagado,
Se eu soubesse que faria bem,
Pra ligação que tenho com você.

A vida é uma confusão,
E mesmo assim,
Você me deu uma razão,
Para acreditar que no fim,
Nossa alegria será mais sim, do que não.

Existem momentos ruins,
E nem sempre é fácil de superar,
Mas se você realmente quiser,
Tanto quanto eu quero,
Nossas diferenças não vão atrapalhar.

Não que eu queira lhe mudar,
Mas sei que você o faria,
Assim como já o fez,
Se for pela nossa alegria,
Você será o que der pra ser,
Pra nossa felicidade ser um eu e você.

Visitar anualmente Noronha,
Fazer uma viagem global,
Ter gato e cão de estimação,
Você bem sabe,
São planos que a gente sonha.

Mas você não sabe,
Você sabe não,
Que o maior sonho já foi realizado:
É poder ter de verão a verão,
Tudo que tenho em você.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Mesóclise

Quando era só, era o O, e por seguir a regra, se atraia por tudo, e vinha sempre antecipado as ações, como a Próclise que servia tão bem para definição desse jeito de ser.

Aí ela apareceu num Em, desejando iniciar as frases e fases, forçando a vida a se parecer com uma Ênclise, pois assim era mais fácil de rotular.
O desgaste foi natural: demorou um tempo até que entendesse que quando se soma 'Em' e 'O', obtém-se um tipo de 'Nó', que não podia ser desatado, mesmo que desencontros fossem firmados.
Assim fez-se mais sentido ao destino que acrescentasse um S nessa história, para que se tornasse um 'nos': uma Mesóclise que de ponta cabeça era tudo que sempre quis ser - aquilo que começa num sou e termina junto a pessoa amada - aquele sentimento importante que não pode ficar nem no inicio e nem no fim da sentença, tem que se situar no meio, entre duas ações que se remetem às duas partes envolvidas, mesmo que para a maioria das pessoas seja um verbo só de quatro letras.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Sobre O Tempo

Essa é uma canção sobre o tempo,
E tudo que couber dentro,
Dessa unidade física,
Que determinou nosso amor,
Como seu epicentro.

Se você me perguntar,
Até quando eu vou te amar?
Será enquanto as estrelas brilharem,
Numa tentativa vã,
De repetir a luz do seu olhar.

Eu vou precisar de você,
A cada novo ciclo de estações,
Vou te querer comigo, daqui em diante,
Nas primaveras, outonos, invernos e verões,
Vou te querer como amigo, amor e amante.

Se você me perguntar,
Até quando eu vou ficar?
Será enquanto o mar se arriscar,
Numa tentativa vã,
De repetir o infinito do seu olhar.

Eu vou querer você,
Enquanto você me quiser,
E torço pra que seja pra sempre,
Porque o pra sempre,
Ainda é de um pouco,
Comparado ao quanto sou louco,
Por cada detalhe do seu ser.

Essa é uma canção sobre a vida,
E tudo que construirmos nela,
Nessa história bem-quista,
Que determinou nosso amor,
Como seu protagonista.

Se você quiser saber,
Sobre o tempo que terei com você,
Será exatamento o quanto eu viver,
Pois não importa quanto você diga,
Percebi que nasci pra lhe ser,
Alicerce, estruturas e vigas.

Você pode ainda não ter notado,
Mas estamos viajando no tempo,
Todos os dias das nossas vidas,
E enquanto estivermos juntos,
Somos a energia mais poderosa que existe.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

No escuro, No futuro

Era duma simplicidade,
As estrelas alinhadas,
Me diziam diretamente:
Tome logo uma decisão.

Eu aqui, perdido, No escuro,
Não sinto muita diferença,
Otimismo ou negativo,
O importante é não desistir.

Por essa verdade,
E pelas mentiras juradas,
Decidi seguir em frente,
Ainda sem escolher se sim ou não.

É fácil falar,
Depois do presente passar,
Pra não se arrepender,
Basta preparar um perdão,
Mas, pra mim,
Isso nunca chegou a valer,
Sempre eram só lástimas no fim.

Era duma facilidade,
As mãos suadas,
Me disseram diretamente:
Fala tudo de antemão.

Eu fiz e hoje, No futuro,
Não faz muita diferença,
Se errei e qual o motivo,
O importante é persistir.

Por essa vontade,
E pelas promessas guardadas,
Decidi me manter rente,
Escolhendo um sim ao invés do não.

Não foi fácil falar,
Depois do presente passar,
Eu tive de me arrepender,
Não bastou apenas um perdão,
Mas, para mim,
A solução foi aprender,
Pra não mais cometer um erro assim.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Sobre o Inverno

Sempre disseram que o inverno é época de se juntar, de compartilhar calor com aqueles que lhe são importantes. Mas é só isso? Recentemente passei a discordar um pouco disso.

Dizem que os esquimós que são fracos, doentes ou velhos demais, durante longos e intensos invernos, costumam a sair para 'caçar' e não voltam mais, numa tentativa óbvia de não atrapalhar a vida daqueles que amam. E eu passei a concordar, involuntariedade, com isso.

Pode parecer (e eu acho que é) loucura, mas ultimamente tenho pensado muito sobre o inverno ter chegado à minha vida; sobre como eu não estava perseguindo meus sonhos e, por consequência, não era o mais apto dos caçadores.

O inverno veio, e eu decidi provar a mim mesmo que sou capaz de sobreviver a ele sozinho. Isso não faz muito sentido (racionalmente falando), mas desde que optei por tomar esse caminho, meu coração tem estado mais leve. O caminho é árduo e cheio de percalços, mas tem de ser assim não é? Um grande amigo meu me disse isso: sonhos nunca serão fáceis de realizar, então, sinceramente, estou dando minha cara a tapa para todas as adversidades que a vida me der. E eu quero encará-las sozinhas, para que no futuro eu saiba que eu sobrevivi ao inverno por si só.

Dói saber da saudade e do frio que vem com o silêncio, mas ele é necessário para que as estações siglam no seu fluxo comum: a primavera há de chegar, e, posteriormente o verão também vai vir. A vida segue e entre indas e vindas, eu espero reencontrar a felicidade por mim mesmo, porque só quando eu for feliz comigo mesmo é que poderei ser feliz com as pessoas que me amem.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

As Palavras Que Eu Gostaria de Dizer Todos os Dias (Ode Aos Meus Pais)

Sinceramente eu nunca entendi o motivo de eles fazerem tudo o que fazem por mim. Quantas vezes eles sacrificaram seu bem-estar apenas para maximizar o meu? Quantas vezes eles se dobraram e desdobraram pra realizar um reles capricho meu? Eu nunca entendi o real motivo de todo o empenho deles. Eu entenderia se fosse só o amor, mas o que me foge a compreensão é o que os motiva.

Sério, eles me amam desde que eu nasci, provavelmente, mas nunca tiveram motivo para fazê-lo. Eu nunca fui o mais bonito, atlético, esforçado, gentil ou inteligente – até tinha o raciocínio rápido, mas era uma sagacidade tênue que podia ser facilmente sobrepujada por qualquer um que você esperto o suficiente para perceber as falhas nas minhas histórias – e mesmo assim eles me amaram, admiraram e encorajaram como se eu fosse um alguém especial. Ah bem verdade é que eu nunca tive uma grande qualidade que me fizesse me destacar perante as outras crianças da minha idade, ou até dos meus irmãos – eu tinha o raciocínio rápido, mas eles eram mais esforçados, inteligentes e pareciam ter talento natural para varias habilidades que eu, aparentemente não tinha aptidão – então o que me restou foi usar aquilo que me ensinaram desde cedo a fazer: me comunicar. Eu não sei quando aprendi a falar, mas acredito convictamente que tenha sido o mais cedo possível que meu cérebro conseguiu raciocinar o suficiente para isso, afinal, eles sempre falaram muito; falaram tanto que eu senti necessidade e vontade de me comunicar, e aí desde cedo eu desenvolvi a minha grande qualidade que é saber falar. Com o tempo, eu aprendi a escrever e a expressar melhor meus pensamentos e meu raciocínio rápido, e assim, enquanto crescia, apesar de não ser destaque em nada, consegui me livrar de ser um Zé ninguém da vida. Eu tinha uma voz que se fazia ser ouvida e considerada desde cedo, e a partir dessa virtude eu construí meu caráter.

Entretanto, como eu, infelizmente tenho de confessar, eu tenho muitas falhas e, talvez, a maior delas seja eu ser ingrato: tanto que isso que escrevo hoje, eu já deveria ter dito antes, todos os dias da minha vida, por tudo que eles já fizeram por mim, mas eu não o fiz.  Minha cabeça funciona de uma maneira estranha, e assim, eu decidi falar isso hoje: agradecer por tudo que eles já fizeram por mim, desde os mimos mais banais como preparar meu jantar ou me trazer um copo d’água, até financiar e incentivar meus sonhos (mesmo quando eles não concordavam que era o melhor pra mim); então aqui vai: obrigado Pai por tudo, eu te amo. Obrigado Mãe, por tudo, também te amo.

Eu sei que todos os filhos na terra vão dizer que são gratos aos seus pais pelo que eles lhe deram e tudo o mais, porém eu não sou grato a vocês por isso exatamente; sou grato a vocês por quem eu sou – embora eu não saiba dizer se eu sou um alguém bom e digno de lhes dá orgulho, eu acredito que eu seja uma pessoa que não é um fracasso completo e que, na maioria do tempo eu até gosto bastante de mim mesmo, logo no geral o saldo é positivo quando faço uma auto-avaliação de quem eu sou – e por tudo que eu ainda vou ser. Os valores que vocês me passaram – mesmo aqueles que eu discordei, briguei e até ignorei – estão todos lapidados em quem eu sou e, muito provavelmente, serão aqueles que eu vou repassar pros meus filhos, se um dia eu for pai.

Vocês tiveram sucesso em me trazer ao mundo e me levar até aqui, onde estou hoje. Obviamente que vocês já poderiam ter me largado na jornada da vida, pois já me deram o suficiente pra eu trilhar meus próprios vôos e trilhas por mim mesmo, porém vocês são intrometidos e carentes demais para me deixar ir não é? E eu amo vocês por isso. Sei que na maior parte do tempo aparento odiar essa característica intrusa de vocês, mas a bem verdade é que, no fundo do meu ser, sou extremamente carente e não sei o que faria se não tivesse vocês como meus alicerces.

Eu nunca disse isso, porque nunca quis soar piegas ou deixar que esse elogio lhes subisse a cabeça, mas eu considero vocês pessoas maravilhosas e sensacionais. Vocês são, acima de tudo, vencedores de uma jornada tão complexa e cheia de percalços que eu nem consigo começar a citar cada parte que eu admiro. Vocês apanharam, choraram, pensaram em desistir, sorriram, triunfaram, se amarguraram e suaram de uma forma que eu não me imagino conseguir, e tudo isso apenas pra fazer bem a mim e aos meus irmãos – esse é mais um dos tantos motivos dos quais eu sou tão grato a vocês, e que, por consequência me faz amar e admirar tanto vocês – e nos dar um exemplo de como a gente deveria viver nossa vida. Então, deixa eu repetir mais uma vez: vocês são phoda – com PH mesmo de PhD, que é o titulo de Doutor em inglês – vocês são muito mais que eu acho que eu deveria merecer, são muito mais do que acham que são, e cada um é uma pessoa incrível que eu vou admirar como heróis pro resto da vida. Vocês são meu exemplo de vencedores e minha meta.

Acho que eu consigo falar isso hoje, porque cheguei numa idade que a admiração por vocês se tornou mais que amor e já transborda amizade. Sei que sou fechado e omito os detalhes da minha vida, numa tentativa vã de não exibir pra vocês todas as falhas que acho que cometo o tempo todo. É vergonhoso admitir isso, mas muitas vezes eu penso que deveria ser um filho melhor pra vocês, então me desculpem por isso: por não ser melhor do que sou e por me sentir culpado disso – sei que isso deve ser chato de ouvir do filho que vocês investiram tanto.

As palavras que decidi escrever aqui vieram de súbito, sem nenhum motivo aparente, apenas como uma ideia de agradecer a vocês. Agora que penso, acho que combina com o dia de hoje, que é dia de ações de graças. Então deixe que seja: hoje eu estou agradecendo a vocês por tudo: pela minha vida, pela minha personalidade, pelas minhas conquistas, pelas minhas falhas, pelos meus vícios, pelas minhas virtudes, pela minha história, pelo meu futuro e pelo meu presente. Vocês são muito mais do que eu desejo ter e ser como pais e se, um dia, quando eu for pai, torço pra que consiga realizar, pelo menos, metade do que vocês realizaram por mim, porque aí saberei que fui um excelente pai.

Espero – por mim mesmo, porque tenho um orgulho próprio voraz a saciar – que eu ainda dê muitos motivos para sorrirem, que eu alcance todo o sucesso do mundo que vocês desejam pra mim – sei que não é pouco, nem mensurável – e que eu possa dividir os espólios dessas façanhas. O que eu mais quero é dar resultados a todo o investimento que vocês tiveram em mim, e, apesar de não gostar de que vocês criem expectativas sobre mim, pretendo superá-las em muito; pretendo ser uma pessoa digna – mais do que já sou – de ser chamado de filho por vocês.

Por último, gostaria que vocês não se sentissem culpados por nada que tenha dado errado na minha vida e na dos meus irmãos: por mais atenciosos e incríveis pais que vocês foram, a verdade é que vocês são humanos e não podem ser oniscientes e onipresentes. Acho que essa é a verdade que nenhum pai gosta de aceitar: seus filhos estão sujeitos a provações que só cabem a eles, e nada que os pais façam pode interferir nisso.


Assim, eu encerro essa declaração estranha com as três palavras mais importantes do vocabulário humano e que, desde cedo, vocês souberam me ensinar o que significavam e a quem rogá-las, – Tenho Ótimos Pais, e esse é o motivo de ter tatuado T Ô P no braço. HAHA, brincadeira – as três palavras são: Eu Amo Vocês.
À Antonio Carlos Alves de Moura e Christiane de Melo Moura, meus pais, meus heróis, meus ídolos, minha meta, meus alicerces, mecenas, apoiadores, investidores e inspiração.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Bastilha

Quando me dei conta, eu estava sozinho, deixado por conta própria para decidir qual rumo a minha vida iria seguir e assim, muitos dias se passaram sem que eu tivesse a coragem de quebrar a inércia em que optei afogar minha vida.

Porém, subitamente, como que se seguisse um roteiro anunciado, as paredes começaram a desmoronar, e o meu dia-a-dia tão comodo que eu já tinha aprendido a amar se tornou algo confuso e fácil de odiar; as nuvens negras de incerteza quanto ao futuro sobrepujaram meu bem-querer pelo presente, e eu me vi transportado pros dias cinzas que eu jurei nunca mais visitar.

Quando eu fecho meus olhos, quase parece que nada mudou: eu ainda sou o mesmo garoto tolo que tinha medo de me arriscar para alcançar meus sonhos. Como pude ser otimista sobre a vida? Como pude ser otimista sobre eu mesmo?

Eu fui capturado e atrelado aos vícios que jurei nunca mais aproveitar, provando assim, que o amadurecimento da alma não significa, necessariamente, um amadurecimento do coração.

Agora, numa rotina que faz meu estômago se revirar diariamente, tenho de repensar sobre tudo que ainda almejos ser. Então, como posso ser otimista sobre a vida? Como posso ser otimista sobre eu mesmo?
O que me resta é fechar os olhos e sentir como se nada tivesse mudado. Como se eu já tivesse vivido essas dúvidas antes (e até acho que já vivenciei), como se eu já devesse ter resposta para essas questões. E mesmo que eu não as tenha, terei de voltar a acreditar que qualquer escolha que eu tomar, a mesma terá de ser bem-vinda, afinal, quem controla o meu destino sou eu mesmo não é? Até porque se os franceses conseguiram invadir a Bastilha que os inspirava tanto medo, por que diabos eu não posso invadir minhas incertezas em buscas de armas para derrotar esse pessimismo opressor? Vai ver todos esses dias cinzas são necessários para que algo novo nasça dentro de mim: um espirito revolucionário que irá destruir todo esse comodismo que tem tomado conta das minhas escolhas nos últimos anos.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Empréstimo

Ultimamente percebi que estou precisando de uma ajuda para modificar essa situação complexa em que estou comigo mesmo. Se o problema fosse monetário, eu como economista, não teria problema em solicitar um empréstimo junto a uma instituição financeira que pudesse resolver minha demanda, porém, por ser de natureza sentimental, e ser de mim para eu mesmo, tenho que de conseguir um empréstimo com alguém que resolva minhas demandas emocionais.

Acredito que encontrei a pessoa certa me ajudar com esse problema: Você, então:
Você poderia me fazer um empréstimo? Me ceda sua mão para que ela possa tremer como as minhas tremem quando acredito que você está descobrindo o quão normal eu posso ser;
Você poderia me fazer um empréstimo? Quero seu coração para que ele sinta a montanha-russa de sentimentos que me pegam quando estou pensando nisso que a gente tem;
Você poderia me fazer um empréstimo? Gostaria de ter seus olhos para que você pudesse ver o que vejo quando estou lhe filmando, para que você perceba o que eu fico admirando em você.
Pode parecer absurdo, mas eu preciso desses empréstimos para que você perceba o que sinto por você, já que essa é a melhor garantia que posso dar antes de lhe deixar investir em 'nós dois'.

Infelizmente, por mais que eu deseje esses empréstimos, eles não são possíveis não é mesmo? Nós vamos viver nesses corpos até o dia de nossas mortes. Mas mesmo assim eu gostaria que houvesse uma possibilidade de você me emprestar um pouco de você, para que você pudesse sentir, ao pé da letra, que quando investiu no no 'nós dois', estava investindo na sua e na minha vida: um investimento só, aquele de longo prazo que vai lhe dá rendimentos crescentes diariamente (sejam eles positivos ou não).

A bem verdade, é que você é o melhor empréstimo que eu poderia conseguir. Um empréstimo de felicidade; um empréstimo que eu tratei de pegar com o nosso criador e que tenho de pagar em parcelas extremamente agradáveis de amor.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

De Itamaracá

O céu é cheio de sonhos,
Mas você não pode voar,
Você firmou raízes,
Onde não deveria fincar.

Não, eu não estava lá,
Reconheço meus sentimentos,
Mas era minha última chance.

É, eu fugi de Itamaracá,
Segurando lágrimas ao vento,
Tentando dissipar nosso romance.

O tempo foi meu melhor amigo,
A vida tão corriqueira,
Me ofereceu um Ás,
E eu decidi carregá-lo comigo,
Numa tentativa vã de me por em paz.

Não me arrependo de como eu,
Fugi e voei pra longe.
Você tinha todas as preces,
Que meu coração livre prometeu,
E mesmo assim, não cedeu.

Voltou pra me bagunçar,
Para aguçar tudo aquilo,
Que eu quis tanto apagar.

Malditas possibilidades,
Toda sua lábia errante,
Sua barba encantadora,
E sorriso estonteante.

É, Cara Errado,
Por mais que eu saiba a verdade,
Não resistirei a grande vontade,
De lhe mostrar minha tenacidade.

Eu sei que não deveria,
Mas eu vou lhe mostrar,
Que em forma e conteúdo,
Posso ser a melhor em tudo.

E aí, quando lembrarmos de Itamaracá,
Uma má lembrança jamais será.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

500 Days Of Bacon

Ela é meu Bacon e hoje fazem 500 dias em que, num domingo à noite, assistindo a 85ª cerimônia do Oscar e ao presenciar a divertida Jennifer Lawrence tropeçar na escadaria a caminho de ir buscar sua primeira estatueta, senti minhas mãos se encharcarem e minha garganta se fechar, senti um nervosismo que não dava pra controlar. Eu deveria estar confiante, a idéia que me veio à cabeça naquele momento não era uma novidade, vinha permeando minha mente a exatos 29 dias, desde que, no meio de um bloco de carnaval, eu encontrei aqu’Ela pessoa tão exuberante. Foi naquela noite que fiz um pequeno pedido simplório, um pedido tão igual ao que tantas pessoas já fizeram e devem estar fazendo nesse exato momento ao redor do mundo, mas que, diferente de todas essas pessoas, o meu pedido foi um marco na minha vida, um marco pra minha vida se tornar algo mais que só um viver por viver.

Naquela noite, 500 dias atrás, eu tive a coragem de pedir Ela em namoro e a resposta positiva seguida de uma rápida negativa divertida só pra me deixar ainda mais nervoso, vem nos fazendo tão feliz ao longo desse período de tempo que eu, mesmo me considerando um bom escritor, não sou capaz de exprimir em palavras. 500 dias de sensações indescritíveis, 500 dias que mudaram meu eu de uma forma que eu nunca esperei mudar.

A bem verdade é que quando eu penso em 500 dias, a primeira coisa que vem a minha mente é aquele filme maravilhoso com a Zooey Deschanel (Summer) e o Joseph Gordon-Levitt (Tom), em que ele, apesar de se considerar um cara comum, é feliz consigo mesmo, principalmente ao conquistar uma garota maravilhosa, que apesar de não acreditar no amor verdadeiro, parece gostar dele. Durante todo o filme, nas idas, vindas e loops cronológicos que o filme dá, senti que eu gostaria de ser o Tom e, principalmente, gostaria de encontrar uma Summer pra mim, isso até chegar aos 30 minutos finais do filme quando fica claro que ele não foi capaz de fazê-la se apaixonar por ela como ele se apaixonou por ela. Não a toa eu me inspirei nesse filme para escrever um dos meus romances preferidos (Imersa no Azul), mas essa é uma parte que quero contar depois. Ainda sobre o filme, eu sempre me senti meio que como o Tom, meio perdido na vida, a procura de um amor que tornasse tudo mais aprazível, e eu sei que dei o passo primordial para torná-lo real 500 dias atrás com um singelo pedido de namoro, e que aquela pessoa que estava na minha frente não era uma Summer e sim todas as quatro estações juntas num só ser; além disso, não foi coincidência descobrir, algum tempo mais tarde, que ela também adorava esse filme.

Sendo bem franco, os primeiros 100 dias foram bem fáceis, foi uma época em a novidade torna tudo agradável e existem tantas fronteiras a explorar que dificilmente se chega num impasse ou numa rota de choque; mas isso passou como tinha de passar e aproveitamos ao máximo possível, com uma sorte que até hoje me surpreende: nosso momento de vida era basicamente simétrico e se não bastasse morarmos a uma esquina do outro, ainda consegui um tipo de estágio que me propiciava encontrar com ela diariamente no ônibus a caminho de nossas casas. Conhecê-la foi bem interessante, ela tinha camadas e mais camadas que eu nunca tinha visto ninguém ter, exceto eu mesmo; mas ao mesmo tempo que éramos tão parecidos, nossas divergências eram extremamente polares.

No período entre o 100º até o 300º essas divergências se tornaram latentes e criaram algumas situações pontuais difíceis de contornar, porém éramos compromissados com nossa própria felicidade acima de tudo, conseguíamos ver que sozinhos podíamos sim ficar bem, mas que juntos estaríamos mais que bem e assim optamos por nunca cogitar em desistir. Superamos brigas e desentendimentos, nos adequamos aos poucos as expectativas e gostos um do outro, tentando sempre não abrir mão da essência que nos tornara quem nós éramos. Me atrevo a dizer que em alguns dias desse período nos sentimos perdidos com problemas exógenos, mas foi no conforto um do outro que pensamos em seguir em frente. Foi nessa época também que, graças a influencia dela, eu tomei coragem para me graduar e mais ainda, eu pude concluir meu sonho de ler, revisar e finalizar um livro de 500 pgs (11 romances interligados) que vinha escrevendo desde os 17 anos. Hoje, no 500º dia de namoro, sei que se não fosse Ela, não teria conseguido nada disso da forma como consegui, que a capacidade dela de me influenciar, me guiar e, acima de tudo, de me ensinar, me tornaram uma pessoa melhor.

A partir do 300º dia, chegamos num fase adversa: de altos e baixos extremos. Já nos conhecíamos muito bem afinal, conhecíamos os trejeitos, as manias, defeitos, vícios e virtudes um do outro e já havíamos aprendido a lidar com a maior parte deles, por isso quando a felicidade acontecia, era plena, mas quando uma discordância se acendia, era como se nossa relação se envenenasse. Tivemos dias de cabos de aço e de fios de nylon, nos ligando um ao outro, e mais uma vez, optamos por ficar juntos, porque era o mais sensato, porque era o mais confiável, porque a grande verdade é que não conseguimos olhar um pro outro e deixar de lado a possibilidade do futuro que vínhamos planejando desde o primeiro dia que nos conhecemos. Esses dias tão extremos nos fizeram mais íntimos e mais próximos e acredito que a partir daí passamos a entender quem era um a outro realmente, como ainda não tínhamos antes. Essa ligação que despertou aí, eu nunca tive com mais ninguém, e até hoje me deixa com um frio na barriga, por tudo que já vivenciei na vida, mas que estranhamente, n’Ela eu sei que posso confiar e que vai ser diferente.

Quando o 350º dia chegou, nossos votos já haviam sido renovados e desde então estamos nessa fase tão deliciosa de aproveitar o máximo possível cada tênue momento que conseguimos ter juntos por ser um escape das nossas rotinas pessoais tão atarefadas. Ela é minha fuga, meu aconchego e meu sonho; e acredito ser exatamente o mesmo pra Ela. Passamos pelo dia 400 sem nem mesmo nos recordarmos das datas de mês, passamos a aproveitar cada dia como se fosse único, isso quando não estávamos abusados com a rotina e nem mesmo a companhia um do outro parecia resolver. Chegamos num ponto engraçado de relacionamento que vejo raríssimos casais chegarem: o da intimidade continua e auxiliadora, aquela situação em que nada pode ajudar, mas a presença de um único ser pode trazer um auxilio... Ela se tornou um ponto lúcido em tantas dúvidas existenciais... Ela é muito mais do que eu achei que poderia achar na vida ou merecer. A influencia dela transborda pra todos os aspectos da minha vida: o social, o esportivo, o sonhador... Sem ela, não me vejo tendo metade do foco que tenho, hoje, nos meus projetos pessoais e por isso sou tão grato a ela... Por ela ser, acima de tudo, a melhor parceira que eu poderia querer. Poderia descrever por vários parágrafos e linhas todo o apoio que ela me dá desde nos livros, filmes, séries e exposições culturais que consumimos juntos, no incentivo que ela me dá em cada projeto louco que invento de me empenhar, mas acho que isso seria chover no molhado, seria tentar açucarar um bolo que já é tão deliciosamente doce. Eu a amo, principalmente, pelo que ela é, mas não posso negar que a amo ainda mais, por tudo que ela me traz e faz!

Hoje fazem 500 dias que eu tive a melhor idéia da minha vida. Hoje fazem 500 dias que estou com ela. Poderia enumerar dia a dia do que aconteceu, ou pelo menos as 72 semanas, se minha memória não for tão boa. Temos fotos, lembranças e muito mais que nos fazem recordar desses momentos felizes. Tivemos brigas e desavenças sim, como todos dois seres humanos tem em qualquer nível de relacionamento e convívio tem, mais acima de tudo tivemos felicidade. Eu, depois de 21 anos (idade que tinha ao conhecê-La), percebi o que era ser feliz e sei que junto d’Ela posso realizar meus três sonhos de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro (esse já fiz, graças a Ela); sei que Ela é aquela essência que tantos artistas buscam na minha vida e por isso sou tão feliz, por ter esses 500 dias com Ela. E que venham mais... Muito mais. Muito mais dias cheios de Bacon! Obrigado Bê, pelos 500 dias mais felizes da minha vida.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Uma Lembrança-Presente-Desejo (Sobre o Tempo)

Em algum momento da minha vida, decidi viver tudo por conta própria e germinar uma semente de independência dentro de mim. Muitos tentaram modificar isso, tentando me dizer que eu poderia sim receber ajuda daqueles que me amam e querem meu bem, mas eu sempre fui meio ingrato sabe? Sempre gostei de ter meu próprio caminho, ou mais especificamente de poder afirmar para mim mesmo que aquele quem tomou a decisão que me levou até onde estou, não foi outra pessoa senão eu mesmo. Muitos dias se passaram e a vida raramente me deu lições significativas que me fizessem mudar esse meu jeito de ser.

Não a toa a vida se tornou um tanto quanto cíclica: pessoas boas aparecem, enquanto outras que outrora eram tão importante se vão, e eu fico, olhando as paredes desabarem de uma cidade fictícia que criei em minha mente para alojar todas as pessoas que amei. Dentro desse ciclo, tanto fazia eu olhar para o céu e ver grandes nuvens se aproximarem trazendo a tempestade, como também um sol azul me avisando da bonança que estava por vir.

Sinceramente, a solução para me manter constante nessas idas e vindas que a vida me deu, sempre foi fechar os olhos e perceber que, ceteris paribus, parecia que nada mudou. Acho que o mesmo acontece com todo mundo. Se você fechar os olhos e repensar um pouco, não vai parecer que nada mudou? Não vai parecer que o momento que você está vivendo já não passou pela sua vida antes? E aí vem uma pergunta bem peculiar: como podemos ser otimista sobre isso?

Acredito, simplesmente que o passado tem toda uma tendência de se expressar no futuro, como Cazuza dizia, e a partir daí penso os momentos da minha vida devem ser divididos da seguinte forma: as lembranças mais fortes, o melhor do presente e o desejo do futuro; e como sou uma pessoa sortuda, no caminho que escolhi por eu mesmo, acabei encontrando uma pessoa que representa essas três categorias.

Ela me faz parte das minhas lembranças mais fortes, tomando posse assim dos sonhos que me tomam durante à noite; Ela é o melhor do meu presente, nos momentos bons e ruins, me fazendo perceber que sem ela, minha vida seria frívola, tumultuada e cheia de um ódio por mim mesmo; e claramente é Ela que me faz ansiar por um futuro bom ela é meu desejo nítido do que vem por aí: uma felicidade contínua que possa se estabelecer através dos ciclos que a vida me oferecer.

Ela é um tudo pra mim: Ela é uma lembrança, um presente e um desejo. Ela é sim, tudo que eu quero de aniversário.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Celebração A Um Dia Qualquer

Eu poderia ter usado essas palavras numa data especial que já passou (mas não tive inspiração para tanto), ou guarda-las para uma que ainda estar por vir (mas não tenho paciência, igualmente), porém decidi usá-las hoje porque hoje não é nada além de hoje.

Hoje é o dia em que acordei e fiz tudo como tinha que ser: desliguei o despertador, toquei pro banho gelado que traz forças suficientes pra encarar o dia que começa; do café da manhã pro carro pegar um pouco de trânsito e aí tentar zerar todas as demandas que surgem no meu trabalho. Não tenho muito do que reclamar, é uma rotina que me contenta e me capacita pelo futuro que tento construir todo dia... Foi nesse dia qualquer que notei a única coisa que desperta um sorriso em qualquer hora do dia: você.

Você é aquilo que me faz bem, me faz feliz e me faz grato; que torna calmo e lúdico os pensamentos que transbordam da minha mente antes dos sonhos me pegarem de vez quando deito minha cabeça no meu travesseiro. Você pode não perceber, mas é a ponte que liga meu eu de agora com os sonhos que sempre planejei ter. Pode parecer besteira, mas as pequenas sensações que você me proporciona, intencionalmente ou não, nesses dias quaisquer que vivemos o tempo todo, são tão únicas que realmente não sei bem como expressá-las em palavras. Talvez por isso eu tenha demorado tanto a dedicar novas palavras a você.

As palavras de hoje são pra isso: são uma celebração a um dia qualquer; uma celebração as sensações pequenas nunca lembradas que nos fazem quem nós somos. É muito fácil lembrar apenas das situações ímpares e momentos tão especiais. Seria simples eu escrever palavras sobre eles... Mas hoje não farei, hoje eu apenas celebro o dia-a-dia tão comum ao seu lado que me faz ser tão grato.

As palavras que quero lhe dizer são as três mais simples que repetimos o tempo todo, mas nunca de forma leviana; são as que carregam todo os dias bons e ruins que temos de aguentar na esperança de um futuro mais positivo; são palavras que exprimem nossa alegria com o presente e esperança no futuro; essas palavras são aquelas que desejo que você nunca duvide ou esqueça: eu te amo.


Eu amo o hoje; amo o amanhã; amo nosso dia-a-dia; amo seu sorriso, suas caretas; amo as histórias suas ou de terceiros; amo cada segundo que passamos juntos, e também aqueles que passamos separados e que ajudam a alimentar uma saudade tão boa; amo nossa cumplicidade e sincronia; amo o aprendizado que vem após as pequenas rachaduras vindas de pequenas brigas; amo quem eu me tornei desde que eu lhe conheci; amo o caminho que resolvi trilhar quando você pegou na minha mão e me mostrou como o mundo é bom de se viver; em resumo: eu amo você.

sábado, 8 de março de 2014

Domingo Bom

Domingo bom
É aquele que começa,
Com uma música,
Que boto no celular,
Pra nos despertar.

A vontade que tenho,
É de ficar por ali mesmo,
Arrepiado pelo seu perfume,
Que tanto me viciou,
Que hoje é meu melhor costume.

Quero estar com você,
Quero ser seu bem-querer,
Quero estar a mercê,
Do que tiver de ser.

Domingo bom,
É esse sem pressa,
Que nos pega assim,
Juntinhos num abraçar,
Daqueles que dá dó de afastar.

A vontade que tenho,
É ficar a esmo,
De pedir pro tempo parar,
Pra gente ficar só,
Num nó que não dá pra desatar.

Quero me tatuar no seu peito,
Pra que não tenha mais jeito,
De sair desse seu coração,
Que é a minha única realização.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Coração Arlequim

Esse olhar dela,
Ofusca as estrelas,
E faz com que tal luz,
Seja fraca como uma vela.

Aqueles cachinhos,
Bagunçados perfeitamente,
Sem que ela faça nada,
Indicam o caminho,
Para meu conto de fadas.

Eu não digo isso todo dia,
Porque sinto que se fizer,
Ela vai enjoar de ouvir,
Que sem ela não há alegria.

Eu guardo pra mim,
Toda essa sensação,
Tão maravilhosamente boa,
Que me faz todo afim,
De felicitar seu coração.

Esse sorriso dela,
Faz o mundo girar lentamente,
Traz tantas cores consigo,
Que muda o cinza numa aquarela.

Aqueles grunhidos,
Suspirados involuntariamente,
Quando estou ao seu lado,
Alertam meus ouvidos,
Que sou um bobo apaixonado.

Você sabe bem,
Que eu não quero mudar,
Esse jeito que você tem,
Porque eu amo cada parte sua,
Seja refinada ou crua,
Nossas diferenças ou semelhanças.

Você sabe a verdade,
Eu amo você por tudo,
Pelas querelas e felicidade,
Porque é quem você é,
É o que me trouxe a fé,
Que devo crê no amor e esperança.

Eu não digo todo dia,
Porque sou relapso,
E esqueço que não dá,
Pra você sentir minha alegria.

Eu guardo pra mim,
Porque não sei explicar,
Como pode existir,
Tanta sorte enfim,
Presse meu coração Arlequim.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Só Dela

Acontece tanta coisa em tão pouco tempo que não conseguimos medir seu real valor, apenas deixamos passar porque estamos ocupados demais vivendo uma rotina que nos rouba a atenção devida que deveríamos dar a esses momentos tão preciosos.

O quanto mais longe você olha, mais distante você fica do que está acontecendo ao seu redor e um pedido de desculpas nunca é o bastante para atenuar a falta que foi causada por você não se importar com o presente. Afinal você não percebe o quão aventurado é pelo que Deus lhe dá no dia-a-dia, como irá entender que está perdendo tantas oportunidades ao se focar apenas no futuro?

Apesar das probabilidades estarem contra, eu vou tentar ser um pouco diferente: tenho trabalhado ultimamente nessa tentativa árdua de mudar a mim mesmo para alcançar um tipo de paz interior que possa ser exteriorizada; no meu tempo eu serei plenamente dela, acomodado em seu colo, irradiando a paz que ela bem merece por me dar a oportunidade de aproveitar sua companhia todo dia desde que me apaixonei por aqueles cachinhos especiais.
Entretanto eu entendo que isso não vai acontecer tão rápido, que eu vou continuar, por algum tempo, a ter essa minha mania de imediatismo: de querer tudo pra ontem, de não saber esperar a situação madura o suficiente para ser colhida, de parar de sentir vontade de interferir na ordem natural das coisas só porque elas não aprazem mais. Esse tempo em que estou aprendendo é composto por horas longas, tornando as lições bem mais complicadas de assimilar.

A minha esperança é que a sorte há de me levar, e que o destino não é importante e sim o caminho; que eu devo permanecer com um sorriso gentil pro que a vida vier a me oferecer e deixar a mão aberta pra quem não consegui entender que a vida é muito mais que um jogo social.

Em tempo eu serei plenamente dela, serei a paz dela, como é pra ser, como ela tem sido desde que comecei a me acomodar aninhado aqueles cachinhos especiais.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Sua Hesitação

Bom já se vão doze meses,
Que você me chamou atenção,
Com um sorriso tão incrível,
E um olhar de hesitação.

Deu vontade de dizer:
"Você é realmente linda,
Por que não vem me conhecer?"

A bebida me deu coragem,
E sem nem me dar conta,
Lá estava eu falando bobagem,
Tentando lhe convencer,
Que eu era mais do que parecia ser.

Como eu poderia saber,
Que você já me conhecia?
Que você em breve, seria a minha alegria?

Com os cabelos ao vento,
Sua hesitação me deu a chance,
De num beijo roubado,
Dar o pontapé no nosso romance...
Você não achou que eu iria me atrever?

Não, eu não iria esquecer,
Fiz questão de decorar,
Seu nome e a festa da noite,
Onde seria tão difícil de lhe encontrar.

Uma princesa e um ladrão,
No meio de tanta gente,
Consegui encontrar seu sorrisão,
Numa noite que não deveria ser,
Foi assim que tinha de acontecer.

Deu vontade de falar:
"Você não percebe branquinha,
Que o destino quis nos juntar?"

Acho que não cheguei a falar,
Mas aquela sua hesitação fez com que,
Sempre que eu lhe beijo, pense num altar,
Onde eu lhe pego nos braços,
E eternizo esse o nosso laço.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Às Suas Preces

Eu deveria ter notado, deveria ter escutado. Todas as suas juras e preces ainda ecoam no meu peito, como um lembrete de que meu coração livre nem sempre foi casa boa pra se aprochegar; que eu estive perdido tempo demais antes de você me achar.

Não, eu não estava lá quando você precisou; não, eu não estava lhe esperando nas escadarias da igreja enquanto você fazia suas preces solicitando por um amanhã menos conturbado... Não, eu não estava lá, enquanto seus joelhos latejavam de dor, meus cabelos estavam balançando pelo vento numa desventura errante.

Mas eu estou aqui agora e você também. Eu tive uma vida antes disso, uma vida que só me apraz por ter me empurrado até os seus braços. Espero que eu seja realmente alguém que possa diminuir o fardo nas suas preces, pois é isso que eu mais quero.

Eu quis o tempo certo, eu quis o fogo em linha. Quis você aqui comigo, toda minha, pra incendiar meu coração e fazer de todo aquele inverno, um verão.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Gratidão

Eu te levei pela única estrada que nunca conheci, onde todas as veias e artérias se encontram; eu te levei até meu coração, foi lá que lhe confessei o quão frágil são todas as certezas que vivo enunciando por aí; o quão desajeitado são meus ideais e o quão amedrontado ficou tudo aqui dentro desde que quis congelar tudo pelo que a vida me ofereceu; lhe disse uma única verdade inescapável 'eu não posso mudar'; não posso deixar esse amontoado de interrogações, porque se o fizer vai ser como se tudo que vivenciei até o presente tenha sido em vão; e, sinceramente, não quero que isso aconteça, porque mesmo tendo sido tão adverso eu consegui chegar até você, e estou tão feliz.

Não costumava a orar, mas ultimamente tenho estado muito tempo ajoelhado, porque eu nunca tive algo para agradecer de verdade, algo que me motivasse a levantar da cama, olhar para o céu e me sentir grato por estar vivo; esse motivo é você, que me faz bem, tão bem que só pode ser uma obra divina.

Sei bem que existem tantos quês e poréns na nossa equação tão simples e fácil de derivar, e que é por eu ter mania de querer solucionar tudo pra ontem que acabamos num impasse estritamente virtual, que não chegou nem a acontecer e que só a possibilidade de ocorrer um desencontro dos nossos sentimentos já me faz mal; vai ver é uma parte minha que está desconfiada dessa felicidade toda que achei em ti e no seu sorriso tão felino; talvez seja apenas a minha mania de ficar insatisfeito com tudo; e por isso eu peço desculpas; por todas as loucuras que acabei por confessar e lhe render uma dose alta de questões que não precisam de solução; peço desculpa por não ser normal quanto deveria ser, peço desculpa por não conseguir aproveitar cada milésimo de segundo que vivenciamos juntos; esse sou eu mesmo e acho que não consigo mudar meu molde, até porque ele deve estar quebrado. Só consigo pensar no quão sou sortudo por ter encontrado uma pessoa que sabe me amar do jeito que sou, e me faz feliz só com sua companhia.

Porém, posso te garantir talvez a coisa mais importante que alguém um dia vai te oferecer: esse sentimento tão vasto que me conforta e transborda de uma forma tão adorável que não consigo encontrar palavras o suficiente para descrevê-lo. Eu te amo, e isso é uma verdade que me faz muito bem; obrigado por tudo. É essa oração que recito todo dia, que exista muita luz no nosso futuro, que você ter paciência para entender minhas loucuras e que eu possa lhe fazer tão bem quanto você me faz; que você possa ser feliz o tempo todo, pois é o que mais quero na vida é você sorrindo e iluminando minha vida com sua aura tão boa.