Essa minha Idiossincrasia sempre me acaba me surpreendendo. Dia desses me peguei lembrando do teu olhar entediado, do semblante de desafio e do suspiro sem paciencia. Lembrei também do sorriso viciante e do beijo voraz; do seu cheiro cítrico e dos cabelos rebeldes ao vento. Porém a lembrança se foi, assim como eu.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Idiossincrasia
Essa minha Idiossincrasia sempre me acaba me surpreendendo. Dia desses me peguei lembrando do teu olhar entediado, do semblante de desafio e do suspiro sem paciencia. Lembrei também do sorriso viciante e do beijo voraz; do seu cheiro cítrico e dos cabelos rebeldes ao vento. Porém a lembrança se foi, assim como eu.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Torpe
Por mais que eu diga que era algo normal, não era; nunca foi.
Lhe roubei, me deixei levar, as coisas se complicaram e meu coração deixou claro uma coisa, era Amor, é bem verdade, mas um amor Torpe.
Sempre escondido, sem espaço pra respirar, desonesto, infame e sórdido; algo que não podia me orgulhar, mas um vício, algo que preciso.
E assim sigo meu caminho, sabendo que estou errando, porque um amor como esse, Torpe ou não; nunca volta a acontecer e exatamente por causa disso, não vou deixar desaparecer.
domingo, 18 de março de 2012
Amargura
-Posso conversar contigo?
-Hmm.
-É coisa rápida, só pra te fazer lembrar do que realmente importa. Sabe, esse teu relacionamento aí que não deu certo deve estar te incomodando ainda não é? Eu sei como é isso, porque isso acontece comigo quando qualquer projeção que faço sobre a vida não dá certo. Mas eu quero que tu lembre de uma coisa que aprendemos com nosso irmão; 'Você Não Precisa de Ninguém'.
Não houve resposta. O irmão mais alto ficou esperando uma resposta, mas não veio como havia de ser.
-Entende o que estou dizendo? Você não precisa de ninguém; se você conseguiu superar àquela perda, porque não poderia superar essa? Foi isso que a vida ensinou-nos. Só que só por que você não precisa de ninguém, não quer dizer que você deva viver sozinho. É que nem um seminário em grupo; você pode muito bem fazê-lo só, e sabe que consegue, mas não é muito melhor dividir as responsabilidades? É assim num relacionamento também, ao meu ver. Mas você deve sempre se lembrar que você pode e consegue fazer as coisas (e viver) só; e que sua escolha por estar com uma parceira nada mais é que uma escolha sua. Lembre disso e não vai haver mais amargura.
-Hmm.
-É sério, essa amargura que nos foi oferecida é para lembrarmos que tudo se amarga quando passamos a acreditar que dependemos de outras pessoas; mas também nos foi oferecido para que lembremos que tudo só ficou amargo depois que uma pessoa foi tirada de nós; que a amargura só vem quando levamos um baque, somos surpreendidos, traídos ou despojados. Se você deposita todas suas moedas numa jogada só, está fadado a perder tudo. É assim com a amargura da vida. A única hora que sentimos a vida doce é quando encontramos uma pessoa para termos ao nosso lado; mas só porque estamos bebendo de um tinto doce, não quer dizer que devamos esquecer que aquele mesmo tinto pode se tornar amargo após uma reviravolta. Confie sempre desconfiando, e nada lhe machucará novamente, ou pelo menos, dificilmente machucará.
O irmão mais alto meneou com a cabeça esperando uma resposta, mas não houve. Observou o mais baixo pensativo.
-Bom é isso. Só queria dizer isso mesmo; e lhe lembrar que você é melhor do que a maioria e sabe disso. Nós perdemos meu reflexo que sempre quis ser o seu reflexo, porque via em você algo admirável, então não o decepcione. Viva e seja egoista, porque foi isso que a vida nos deu: egoismo; mas não viva só, nunca só; a vida nos deu amargura, mas não quer dizer que devemos beber só desse cálice o resto da vida. Faça o que lhe convir, mesmo que para os outros seja 'errado', e se tiver dúvidas se deve ou não fazer com medo do julgamento alheio, não deixe que lhe julguem e faça de um jeito que só você saiba e possa julgar. Sua vida é sua e mais de ninguém; nunca esqueça disso, você não precisa de ninguém para ser feliz.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Tépido
O outono vem, Tépido; as folhas caem e os sentimentos eternenalizados por promessas também. Agora, com o tempo levando, enferrujando e desatanto o que deixasse numa confusão só, a nostalgia que me vem não passa de uma nuance do que um dia sonhei. Todo o calor que costuma a sentir ao lhe ver não toma mais conta de mim; o sorriso que florescia em meus lábios, as borboletas que levantavam vôo no estômago e o doce samba que ressoava no coração se foram. O que era quente esfriou e só assim pude notar aquilo que você tinha para mim.
O sorriso era falso.
O sussurro era lábia.
O amor era volúpia.
Você era tépido.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Ceteris Paribus
Estava tão bebâdo que nem reconheci aqueles olhos cheios de fogo, cintilando na minha direção; enquanto o caos tomava posse da minha mente, aquela voz melíflua sussurrou algum tipo de feitiço sobre mim. Eu sorri e disse para mim mesmo 'Ceteris Paribus', com tudo o mais mantido constante, era só mais um alvo.
A ressaca não foi física, é bem verdade que meus lábios estavam vermelhos e inchados, tal qual como meu pescoço e costas exibiam marcas do caminho que os beijos dela haviam percorrido na noite passada; mas o que mais me abalava era o Amor que tinha tomado conta do meu peito. Eu procurei freneticamente por algum tipo de contato com ela, mas ela desapareceu, como tinha de fazer para me enlouquecer.
Tentei levar minha vida sutilmente, rotineiramente, mas nada disso funcionou, não até ela voltar a aparecer. E eu tive que lhe dizer entre a sétima e oitava dose de uíque 'Você me faz isso, me leva para cima, para baixo, danaçando doce, balançando os cabelos aos ventos, olhos hipnotizando, lábios sussurrando encantos'. E ela me sorriu, como se o melhor de mim não fosse o suficiente para saciar o apetite dela.
Cada manhã que acordava sem tê-la ao meu lado deixava um gosto amargo no café que tomava após vários suspiros. Por mais que eu tivesse vencido incontáveis jogos feito aquele, cada vez mais me sentia preso a um cerco que tendia a derrubar o fortificado coração que tinha em meu peito e tudo que eu queria dizer a ela era 'Ei menina sexy, me liberte de seus feitiços, não se finja de timida, minha flor recém brotada, você pode não ter percebido, mas é única para mim', mas de que adiantaria dizer isso? Não ela era muito mais que súplicas e esforços, ela era um sonho.
Desde então tenho arrumado as coisas complicadas, concertar o que destruí no passado, é bem verdade que recebi duas tapas na cara e inúmeros xingamentos ao tentar consolar os corações que parti em outrora. Mas pelo menos assim me certifico que estou no caminho certo para concertar as asas dos anjos que magoei.
Esse sou eu sem saber o que fazer ao descobrir que aqueles olhos sedutores e cheios de fogo, são os mesmos olhos azulados que vi se inundarem de lágrimas ao me ver sair de sua vida. Lá no fundo eu tinha esse sentimento de nostalgia, que já a conhecia, mas o meu coração teimava em dizer que era de outra vida, e agora sei que o motivo daqueles quadrias se afundarem tão bem as pontas dos meus dedos é porque fui eu quem os domei pela primeira vez.
E agora, enquanto não sei o que dizer ela me diz 'Esse Amor me abalou de tal forma, que eu tinha de voltar e lhe dizer adeus, mesmo que fosse partir meu coração mais uma vez, só para vê-lo sentir sangrar o que infligiu em tantas mulheres', num sussurro firme, lupino e sem alegria. Eu até queria impedi-la, mas não tenho a menor ideia do que responder... Não até sentir meu braço puxá-la de volta para mim e minha boca recitar 'Se aquele foi um Adeus, então deixe eu lhe dar boas-vindas, pois esse seu Amor também me abalou e já não tenho escolha e não lhe direi mais nenhum amor'
Ceteris Paribus, com tudo o mais mantido constante o Amor sempre Abala tudo.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Desalento
Vento,
Voa Lento,
Vem de Dentro,
Vive o Momento.
Desatento,
Coração Sedento,
Corrói o Sentimento,
Destrói-se com o Tempo.
Deixa-me num Desalento.
Voa Lento,
Vem de Dentro,
Vive o Momento.
Desatento,
Coração Sedento,
Corrói o Sentimento,
Destrói-se com o Tempo.
Deixa-me num Desalento.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Ladino
Desde a primeira vez que a vi, senti os pelos da nuca se eriçarem; senti a língua deslizar pelos caninos e meu instinto se aguçar; como vulpino que sou, passei a fitá-la com intensidade, sem saber se naquela troca de olhares, eu era caça ou caçador.
Ela tinha aquele jeito Ladino, que pegou meu coração Marau de supetão, com um sorriso, um olhar; uma gargalhada hipnotizante, um toque arrepiante. Eu não pude evitar, e quando me dei conta, já estava enlaçado e rendido.
Demorou até eu assumir para mim mesmo; mais ainda pra me deixar levar, e quando o fiz, foi um encontro de duas almas, nós dois éramos um só, com uma promessa a lua, uma promessa ao rio, uma promessa ao amor, uma promessa à nós dois; foi tão bom, que quando eu acordei no dia seguinte, eu já não sabia se as memórias daquele momento havia sido um sonho, uma projeção ou a realidade; era bom demais pra ser verdade.
Ela era assim perfeita para cada parte minha; tão perfeita que eu até começava a indagar-me se era eu quem estava roubando-a, ou se era ela que estava me hipnotizando; tão perfeita que a cada três suspiros que dava, quando me exauria da rotina, os três eram pra ela.
Hoje, o que sobra é Saudade, o tempo todo, embora ela esteja sempre comigo, pulsando no meu coração; vontade, de ter aquilo tudo de novo, de me enebriar no perfume e no gosto dela, de sonhar acordado enquanto encaro aquele olhar sedutor; e Amor, muito amor, pelo que foi, pelo que é, e pelo que sempre vai ser, esse amor Ladino.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Passou
O tempo,
Passou;
O sonho,
A gravata obliterou;
O sorriso,
A realidade enferrujou;
O coração,
As perdas deformou;
Você e o nó,
O tempo ainda não levou.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Títere
Eu sei que a morte não virá me ceifar até que todos os palpites do meu coração sejam tamborilados; até que a minha última palavra seja escrita, porque eu sou um Títere do amor.
Quanto mais amor você dá, mais liberdade para me titerear você terá; mais empenho do marionetista que rege as cordas que me prendem você dará. Se você der um pouco de amor, você terá um pouco de amor próprio, simples assim.
Bem, se seu coração é tão grande como o meu, ele é tão grande quanto a terra, tão profundo quanto os mares e tão confuso como um espelho... E graças a isso você deve ter a tênue impressão que a vida e o amor estão estritamente relacionados.
Embora tenha sido o destino quem lhe deu o primeiro amor, viver acreditanto que tudo já está definido simplesmente não vale a pena. Porque a vida é passageira, é momento, sereno como o vento; assim como foi para mim descobrir o quanto te amo. E meu amor está presente em cada parte sua, como o oxigênio está no ar, que te envolve, te enamora, te flutua e te faz gargalhar. E para ter mais um pouco disso, você só precisa dar um pouco de amor, para esse Títere continuar a saculejar aos seus sorrisos.
Se você é, o que você ama, persegue, o que sonha, e você faz, o que você ama; eu sempre serei o céu e mar para você; e se você sorri, com os olhos, então você é feliz de coração; e a partir daí, o que você oferecer ao mundo, será espontaneamente você, a parte pela qual não deixo de me apaixonar a cada raiar do sol. A parte pela qual estou preso a cordas mais fortes que a gravidade, que me transformam num simples marionete do amor; a parte pela qual sou protagonista do espetáculo diário que exibo pra você; que só preciso de um tipo de bonificação para tudo isso... O seu sorriso.
Me dê um pouco de amor, e sou seu, a titubear entre amores, sorrisos e suspiros.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Brotou
É um pouco dificil mergulhar de cabeça na sua alma; nem tudo que há para se encontrar é precioso, existem demônios e fantasmas escondidos no passado, acorrentados a memórias enferrujadas... Eles ficaram ali na surdina, aguardando que eu encontrasse um amor para se deleitarem de mim; por saberem que eu não sou bom o suficiente para ninguém, por saberem que meu coração não é forte o sufiente para encarar os riscos que o amor traz... Quando eu tremo de medo, desejo fugir e tenho total consciencia que sou um grandiossímo covarde, é nessas horas que os fantasmas do meu passado cantarolam.
O que eu carrego é apenas um amor faminto para um coração sem sangue em suas veias.
Simplesmente não há uma única crença que seja imaculada de mentiras. Se você acredita no amor, por que não pode acreditar em Deus? Enquanto houver esse ideal discrepante do que se deve acreditar, confessarr, mentir e omitir, os relacionamentos continuaram a ser tratados como um meio e não como um objetivo.
Foi um amor cheio de abrasão, mas não necessariamente de aluvião, que mudou tudo. Enquanto éramos soprados acima dágua, nossos pés cruzaram caminhos similares e distintos com o mesmo ponto de chegada; o que nos foi dado foram os pés para seguir em frente, e pedaços de coração para amarrar ao amor. Enquanto o nó se desgastava, o nós se tornava mais que uma palavra; e de onde só havia um findar-se, brotou a coisa que há de surgir ao redor de todo ser humano, um amor.
Poderíamos muito bem termos desistido, fugido, ou apagado os rastros que ficaram na areia; mas simplesmente sorrimos e mergulhamos; deixámos os fantamas cantarolarem e as crenças se complicarem... Conquanto tudo pudesse se dirigir para mais estilhaçar de corações, de lá brotou o sol; do seu sorriso brotou tudo. O amor, o chocolate, o aroma cítrico. E foi aí que percebemos que vamos seguir em frente e atrás do amor, até a serenidade do mundo nos colocar em paz.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
O Que Resta Depois do Vento Passar
Tem horas que é assim mesmo, tudo fica complicado, dá uma vontade danada de desistir, jogar tudo pro alto e se agarrar a primeira brisa que passar, só pra fugir e não ter que encarar os resultados da última tormenta; eu sei como é isso, volta e meia duma onzena, meu coração rebate num palpite dum furacão e aí eu fico assim, pairando, perdido, doido pra fugir... Mas aí tem sempre uma força que puxa, mas forte que a gravidade ou responsabilidade, é um sorriso, que me puxa pra realidade e me fez acreditar que tudo há de melhorar, como a tormenta a de se acalmar, como a calmaria há de chegar, contra o cais, com tudo em paz.
E aí, quanto eu consigo organizar meus pensamentos, tento reunir os pedaços de felicidade, aqueles que meu coração recolheu um dia da melodia que comecei a esquecer quando a tormenta começou a me preencher. É uma melodia contagiante, que por mais vontade que dê de fugir e desaparecer, ela não vai sair de mim; e por ela, lhe agradeço do fundo do meu coração; na verdade, tudo que me resta agora é agradecer a todos vocês.
Agora, que a tormenta bateu no seu cais, que nada faz sentido mais, e que tudo que você é quer é uma saída de emergencia; é agora, a hora em que eu lhe darei a felicidade que você me dá todo dia, a cada instante; e que continua sendo o mesma daquele dia, quando você me abraçou, colocou no colo, afagou meus cabelos e afugentou minhas lágrimas, prometendo que ali, consigo, eu teria um eterno abrigo; Preciso lhe dizer que te amo ainda mais, e que nas noites em que voce estiver chorando, apenas vire-se e refaça seus passos para ter certeza de que não esquecerá aquele dia, em que nos tornamos um; em que você foi toda eu; e eu fui todo você. Em que não importa brisa, tormenta ou calmaria; só sorrisos, empatia e amor. Lembra-se disso e do abrigo, que guardo no meu peito pra você. Levanta a cabeça, sacode a poeira e deixa o vento vir; uma hora ele há de passar, e o que vai sobrar? Sorrisos e Amores.
domingo, 25 de dezembro de 2011
A Desejar
Em algum lugar, intríseco, entre o palpitar de um coração e suspiro de uma alma, os sonhos começaram a se realizar. Aqueles sonhos de almoeda se tornaram particulares, restritos e contidos num sorriso; num olhar.
É lá que acordo, acima de uma estrela, inundado por serenidade, onde os problemas são voláteis, inodoros e indistinguíveis; onde tudo que me é caro se torna notável, só que toda minha atenção é focalizada para um baricentro definido pelo seu sorriso, sempre que estou com você.
A bem verdade é que todas as vezes que vejo os céus azuis e as nuvens brancas; o brilho do dia, eu percebo o quanto a felicidade pode estar contida em coisas pequenas, em coisas que preciso; no seu sorriso.
As cores da vida cada vez mais notáveis, a medida que um casal de estranhos na rua estão enamorados no seu próprio romance, e eu me pego numa nuance; desejando e anseiando para que você esteja ali comigo, para saciar a saudade, para mostrar a vida, ao amor e ao sol, o que é um romance de verdade.
Acho que por isso que toda vez que me pego solitário, observando uma estrela, deixo meus problemas evaporarem, deixo um sorriso inundar meu corpo, minha alma e minha mente; deixo você bater, entrar, arrombar e outorgar meu coração, deixo-me ser feliz, a desejar que você sempre esteja comigo, assim, simples assim, só comigo.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Melífluo
Sua presença sempre foi assim: melíflua. Nunca duvidei disso, pelo contrário, sempre me peguei querendo mais de ti, mais que talvez você nem soubesse ter para me dar; mas nunca importou, sempre preferi roubar a receber, e assim tudo aconteceu como havia de ser. Pelo menos é o que vivo sussurrando para mim mesmo.
A cada regougo que dava ao meu coração, percebia que a parte furtiva de mim era tão temerosa quanto um vulpino em debandada, e que a cada três onzenas eu precisava fugir, para me reencontrar, e não associar toda a minha deformidade sentimental a você.
Uma parte era só isso, é bem verdade. Essa era a parte boa, a parte altruísta, a parte que sempre me orgulhei de admitir; porém sempre existe uma segunda parte (às vezes são inúmeras partes), e comigo nunca foi diferente. A segunda parte sempre foi bem simples, é que eu sempre fui um pouco pérfido com você, comigo e com o Amor.
Eu fiz saudade, criei saudade, plantei e colhi; mas nunca esperei senti-la também, mas essa última parte não cabe a mim, cabe apenas a você. E seu sorriso... Um lindo sorriso melífluo.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
À Bailarina Descalça
Sinto saudades; do sorriso, das palavras, do enigma, mas principalmente do vestido esvoaçando ao vento. De você sorrindo enquanto o sol inundava sua pele alva e seus cabelos carmim; mas o que mais me chamava atenção eram os pés descalços, bailando nos paralelepípedos, me encantando. Eram tardes auspiciosas, onde o amor era voluptuoso, e o tempo tempestuoso. Tudo me lembra a você;
Uma reprimenda pelo atrevimento,
Duas sobrancelhas erguidas pela discrepância,
Vários muxoxos pelo melindrar,
Tudo contido na tentativa de manter comigo para sempre aquela imagem.
De você, só você, Sorrindo, Soluçando, Enfeitiçando, Cantarolando.
Posso eternamente regular meu coração,
Ao dizer que você foi só um grande experimento,
Para minha obra, minha literatura, minha ciência,
Porém, decidi que chega de pseudo-núpcias,
Se há de haver amor, porque haveria de contermos os palpites, palpitantes?
Tudo permanece, as Flores, os Amores, os Sabores, a Voracidade, a Levianidade,
E principalmente você, Dançando, o mundo acabando, e você Dançando, Descalça, no meu Coração.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Cara ou Coroa
Existem pessoas que ficam em pedaços, quando estão dormindo só numa longa noite; enquanto isso, outras pessoas se satisfazem com o silencio que tem só para si numa noite de pura paz. Ao mesmo tempo que alguns ficam sorrindo a tôa por receber uma flor, outros derramam lágrimas ao jogá-las num túmulo branco. E no meio de tudo isso, a única coisa que lhe resta a fazer é ser você mesmo.
Toda moeda tem duas faces: alguém arrisca tudo para amar de verdade numa viela e alguns fogem de seus sentimentos; qual foi covarde e qual foi corajoso? Racionais ou insanos? Separados ou juntos... Toda escolha tem uma alternativa oposta que lhe leva a um possível arrependimento.
E no fim, tudo que lhe resta é dizer a você mesmo que você escolheu o certo para si, independente do resultado, porque na verdade a vida nada mais é que uma batalha entre você e você mesmo. Tem gente que vai chamar isso de egoísmo, na verdade, essas pessoas só não tem coragem de auto-confrontar e decidir serem elas mesmas.
Logo, não adianta perder o sono durante a noite, repensando nas possibilidades, tudo não passa de uma moeda lançada ao ar: só pode ser cara ou coroa, mas qual das duas opções realmente será a escolhida pelo destino? É a mesma coisa com você, e seus amores. É a mesma coisa comigo, toda vez que lembro de você, e das possibilidades que o gelo poderia ter dito de derreter com você, pela neve, do inverno passar, e da primavera chegar palpitando.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Pétalas
As pétalas caem,
As estações passam,
O nó se desfaz,
Amores se perdem,
Vícios são superados,
Sorrisos são esquecidos,
As vitrines são trocadas,
Destarte, o Tempo vem levar tudo.
Mas as palavras tem um poder que ninguém consegue explicar, e por isso as suas pétalas que deveriam murchar, foram guardadas num livro. Eu ainda tenho amores guardados assim; ainda tenho um pedaço de mim que é seu. E está bem guardado, com amor, suspiros, parenteses, letras e palpites.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Atrever
Um ódio após um cativar,
Vai te fazer sorrir,
Um preto e branco pode se colorir,
Se seu coração se abrir.
Um insosso pode ser saboroso,
Desde que você aceite bem,
Cada contradição,
Que aparecer em sua vida.
Se você viver o que tiver vontade,
Sem se preocupar com as dificuldades,
Tudo vai ser mais gostoso,
Então, porque tanta confusão,
Para se atrever?
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
De Protagonista A Coadjuvante
Tinha tanta coisa pra dizer; tanta coisa pra fazer; tantos planos; sonhos, e expectativas... Todos tão ultrapassados, errôneos e ingênuos; eram apenas miragens feitas por um coração que se acostumou a querer demais, e se entregar de menos. Cheio de manias de um Protagonista fanfarrão.
-Eu lamento por ter estragado tudo, por ter desaparecido assim, sem dar nenhuma explicação racional, sei lá, foi uma coisa tão...
-Deixa pra lá, eu já perdoei.
-É que eu perdi a cabeça quando soube do... Bem...
Era mentira. Não foi aquilo que me incomodara, foi apenas o fato que meu coração percebeu que nunca teve você; percebeu que não dá pra ter uma pessoa, apenas dá para acompanhá-la, e se um dia ela quiser ir, não há nada que se possa fazer, a não ser deixá-la partir.
-É eu lamento por isso. Lamento pela frieza, pelas piadinhas irônicas, por dar mole pros seus amigos, por tudo...
-Voce não fez por mal, estava magoada...
-É...
-E eu lamento muito mesmo por isso...
Durante muito tempo não lastimei, apenas achei que o melhor a ser feito era desaparecer... Era o que você merecia; meu plano perfeito para você aprender a me dar valor; mas eu estava errado mais uma vez, não estava?
-Sabe, às vezes eu ainda fico desejando abrir a porta de casa e lhe encontrar lá, bocejando com aquela camisola suja de tinta depois de terminar de maquilar minhas paredes com tantas cores estraordinárias... E ai eu percebo que está tudo tão normal... Tão arrumado...
Era disso que eu mais senti saudade. Dessa risada, da nossa risada em uníssono. De nós dois, juntos, compartilhando coisas: sentimentos, sorrisos, gargalhadas, segredos, sonhos...
-Eu estava com saudade da sua risada.
É errado tentar reviver aquilo que me fez feliz por tanto tempo? Eu realmente nunca me importei com o certo e o errado, mas agora, depois de roubar mais um beijo e sentir que a resposta é tão estranha quanto um gole de vodka numa terça-feira ensolarada de ressaca, eu consigo concluir que todo recomeço tem um fim, e vice-versa.
-Nós acabamos mesmo não foi?
É o que seus olhos que me cativaram por tanto tempo dizem, é que nossos sorrisos tristes compartilham. Um beijo na bochecha, é tudo o que está na minha alçada antes de lhe dar um pequeno cafuné e partir.
Não mais para longe, não mais para fora da sua vida, apenas para o posto de um coadjuvante.
domingo, 9 de outubro de 2011
Alinhe
Um amor digno de um bom romance, era o que eu queria. Veja só, sempre gostei de acreditar que eu era meu próprio protagonista de uma grande obra literária, e foi ai que escolhi você para ser o meu par. Associei-lhe a um anjo, e indaguei a nós dois se aquilo tudo que acontecia entre nós dois era real.
Não queria que fosse um relacionamento qualquer, por isso chamei-o de amor impossível, que não se concretiza, imensurável, que não tinha motivo para desistir e estaria fadado a tragédia, tal igual os amores mais famosos da história; mas que estava ali, alinhado ao destino.
'Alinhe o nariz' - eu lhe disse sorrindo, observando seus olhos de uma cor tão apaixonante. Era tudo perfeito, seus olhos vistosos, suas bochechas exageradas, o sorriso contagiante, mas principalmente aquele pequenino nariz tão perfeito, que precisava de uma cicatriz minima perto do supercílio para deixar claro que você era real.
Você sorriu, e fez uma careta. 'Como vou alinhar meu nariz?'
'Basta encostá-lo no meu' eu cheguei mais perto deixando nossos olhos, lábios, corações e almas numa única sincronia. Alinhados e enlaçados por um nó. Era mais forte que nossa vontade, era o destino. Mas na minha cabeça, o meu protagonista deveria colecionar muitos romances, e aí eu decidi me fazer te perder, para entender o que deveria escrever.
Então eu acordei, de um pesadelo no qual nosso relacionamento havia enferrujado. Porém foi só olhar para o lado para perceber que eu nunca havia lhe perdido; estava deitada adormecida ao meu lado, cheirando a alcaçuz, com suas madeixas brilhando a luz de um sol recém-despertado. Sorri e fiquei imaginando que insanidade fora aquela de cogitar uma possibilidade de te perder apenas para criar uma obra digna do nosso amor. Nunca precisei disso, afinal, a maior obra sobre o amor que poderia copilar, é a que sinto toda vez que encaro seus olhos de chocolate me enfeitiçando mais e mais.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Agora É a Sua Chance
'O olhar das garotas apaixonadas é sempre tão lindo.' Ele pensou enquanto observava os cabelos alaranjados dela balançarem contra o vento.
'Ele era apenas mais um garoto tímido e um pouco inseguro, mas nós fomos cativadas pelo jeito doce dele.' Ela sorriu ao perceber que os olhos castanhos dele estavam fixos nela.
-Segundo o que as revistas dizem sobre o amor "a atitulde é o mais importante", mas o eu acredito que tudo em excesso seja exagerado. - ele comentou consigo mesma num tom baixo, para que nenhuma das garotas que o acompanhavam, escutasse.
'Que bom seria se o coração das pessoas viesse com um manual de instruções, explicando como poderia ser conquistado por outra pessoa; mas como isso não existe eu fico insegura... E meus sentimentos por ele estão aumentando tanto, que mesmo que se derramem no oceano, eu poderei afirmar "irei achá-los novamente".' Ela se virou e percebeu que as duas amigas que os acompanhavam foram até uma vitrine olhar um vestido enquanto deixavam-nos a sós.
'Essa é a minha melhor chance, agora é a hora para deixar claro o que sinto. Não vou deixá-la escapar dessa vez!' Ele jurou para si mesmo se aproximando. Fazia quase seis meses que vinha se aproximando dela, e quando percebeu, já estava totalmente apaixonado pelas madeixas cor de cobre, pelas sardas que se espalhavam pelas maçãs do rosto e os ombros dela; por aquele belo sorriso com os caninos um pouco proeminentes... Ela era toda graciosa.
'Seria bom se ele falasse o que está pensando por trás dessa tempestade envolta nos seus olhos castanhos' Ela se aproximou mais, como se fosse casualmente.
-Seu cabelo fica parecendo que está em chamas quando estamos no sol - ele comentou tentando iniciar uma conversa legal.
-Seus olhos ficam da cor de amendoim no sol - ela respondeu e sentiu as bochechas queimarem de vergonha.
'Essa é a melhor chance! Agora é a hora! Não deixe ela escapar: apenas diga de uma vez o que você sente!' a consciência dele gritou com tanta força que ele involutariamente deu um passo adiante, deixando a boca dele a pouco centimetros do nariz dela.
'Você não quer se arrepender, certo? Então diga logo!' ela cerrou os punhos e se forçou a encará-lo.
-Eu acho que gosto de você - os dois disseram em uníssono. Sorriram, coraram e entreabriram os lábios para selar tudo num beijo, num só ritmo apaixonado. E pensaram 'pra sempre poderemos manter isso'. Percebendo que a chance para o amor acontece todo dia, a todo momento, em qualquer hora, minuto ou segundo; num lugar qualquer, independente da situação. O amor floresce sempre.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Parenteses, Virgulas, Interrogações e Reticencias.
Se o amor fosse de:
Um, era só.
Dois, eram juntos.
Três, eram em excesso.
Quatro não tinham tanta importancia.
O Um se suicidou, após não aguentar descobrir a si mesmo, queria fugir dos parenteses que impôs a si mesmo.
Os Dois se casaram, mas como o passar do tempo perceberam que dar sua eternidade para apenas uma pessoa, era demasiado monotono. Acabaram cheio de virgulas entre eles, onde só existia o 'eu' e não mais o 'nó' que os enlaçara com um 's', formando o 'nós'.
Os Três nunca chegavam a um consenso. Sempre havia alguém preterido, e várias rachaduras consecutivas derrubam qualquer barreira. Cada um partiu para um lado, com o coração divido, e com uma interrogação na alma.
Os Quatro nunca deram importancia ao que tinham entre si, sempre achando deviam dividir tudo, sem nunca ter nada para si, e assim acabaram em reticências nunca retomadas...
O Amor rejeitou aos fieis, o solitário, os egoístas e os altruístas. O amor apenas amou todos os tipos de uma vez só. E assim ele continuou a existir mesmo que tivesse dado errado em cada caso separado.
Um, era só.
Dois, eram juntos.
Três, eram em excesso.
Quatro não tinham tanta importancia.
O Um se suicidou, após não aguentar descobrir a si mesmo, queria fugir dos parenteses que impôs a si mesmo.
Os Dois se casaram, mas como o passar do tempo perceberam que dar sua eternidade para apenas uma pessoa, era demasiado monotono. Acabaram cheio de virgulas entre eles, onde só existia o 'eu' e não mais o 'nó' que os enlaçara com um 's', formando o 'nós'.
Os Três nunca chegavam a um consenso. Sempre havia alguém preterido, e várias rachaduras consecutivas derrubam qualquer barreira. Cada um partiu para um lado, com o coração divido, e com uma interrogação na alma.
Os Quatro nunca deram importancia ao que tinham entre si, sempre achando deviam dividir tudo, sem nunca ter nada para si, e assim acabaram em reticências nunca retomadas...
O Amor rejeitou aos fieis, o solitário, os egoístas e os altruístas. O amor apenas amou todos os tipos de uma vez só. E assim ele continuou a existir mesmo que tivesse dado errado em cada caso separado.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Lições de Cigana
Eu sou um chato,
Daqueles que não tolera falsidade,
Que não finge aceitar alguns fatos,
Só para manter o clima de boa amizade,
Um tipo de idiota que não consegue guardar a opinião.
Acho que por isso vivo querendo e admirando,
O jeito de ser de Mariana,
Uma linda moça de sorriso faceiro,
Pernas torneadas e uma voz de cigana.
Ela nunca fala mais do que deve,
Sempre se porta com uma aura bem leve,
Conquistando todos ao redor,
Esbanjando cortejos e concisão.
Quanto mais eu penso sobre o modo dela de viver,
Mais chego a conclusão que tenho tantas coisas a aprender,
Sorrir ao fechar meus lábios e aceitar,
O que a vida tiver para nos dar.
Mariana, uma cigana que perjúrias nunca profana,
Vivendo apenas no seu mundo sereno,
Sorrindo e encantando a todos com seus olhos morenos,
Você precisa me dar umas lições,
Para que minha vida pare de revelar decepções.
Eu queria realmente não me importar,
Ficar sem falar, me resguardar,
Sorrir sem me importar,
Então, por favor, me dê algumas instruções,
Para que possamos evitar novas confusões.
Ah, e se puder,
Lembra de ficar sempre por perto,
Mesmo que os outros digam que não sou politicamente correto,
Posso lhe garantir de todo o coração,
Que você será uma das únicas, que farei exceção,
E se preciso for lhe darei bem mais que uma mão.
Apenas porque tem vezes que eu percebo,
Que não é tão fácil ajudar a todos o tempo todo,
Então quando as pernas fraquejarem,
E os lábios praguejarem,
Pode contar com meus ouvidos e sussurros,
Juro que tudo ficará por aqui,
Num segredo de uma só pessoa.
Minha linda Mámá,
Que nada tem de ruim,
Transbordando caracteristicas boas,
E o mais novo deleite que apossou-se de mim.
domingo, 28 de agosto de 2011
Jogo de Azar (Amor)
Percebi que preciso de um lugar para me recuperar desse enfadado sonho à dois. Eu tenho essa certeza que estou lhe amando imensuravelmente, porém me transbordam incertezas sobre a reciprocidade dessa imensidão toda.
Refletindo melhor sobre toda a nossa situação, acho que deve ser um pouco dificil de perceber os meus sentimentos. Existe alguém aí? O problema de pessoas tímidas como eu, é que simplesmente não conseguimos fundir coragem e audácia o suficiente para transmitir os nossos sentimentos; e acabamos imersos numa tortura diária chamada arrependimento por não tentarmos sermos felizes.
Enquanto o tempo passa, cada vez mais fica claro que estamos protagonizando um sonho cansativo. Existe algum lugar, o qual eu possa, realmente, pertencer? Essa cidade não parece nem um pouco atrativa essa noite, depois de uns drinques amargos e a solitária companhia de um copo de uísque. Por que é tão complicado confessar que estou apaixonado pela minha melhor amiga?
Sei que toda essa confusão é causada pela minha inépcia de lhe confessar tudo que meu peito vem gritando desde que lhe vi dançando pela primeira vez. Eu a vi girar, e os dados do amor foram lançados, num cassino que não tem vencedor, e o único espólio que você conseguiu foi meu coração palpitando, minha boca secando, as mãos suando, as palavras fugindo da minha voz.
O pior é que quanto mais eu me pego analisando você, recebo respostas em enigmas que você nunca revela, e as minhas suspeitas que deveria manter fora do meu coração, desejando saber a verdade a todo custo, fazem todo o âmago do meu ser se acovordar. Por que tem que ser assim? Por que temos que acabar como amores tristes e corações partidos?
Talvez você esteja certa, em manter esse ás escondido na manga. Guardando para si tudo que sente, talvez eu que esteja louco por cogitar mostrar minhas cartas na mesa, e perceber que tudo aquilo que esperava de você era só um blefe. Mas sabe de uma coisa, me cansei de noites incansáveis sem dormir, imaginando como seria se eu realmente vencesse esse jogo de azar.
Será que eu vou ganhar? Apenas o tempo dirá. Eu pelo menos vou saber que fui um jogador, e não apenas um expectador!
domingo, 14 de agosto de 2011
Eu Quero...
Hoje eu acordei percebendo que quero tantas coisas... E tudo que eu mais quero é você.
Eu quero ser o seu favorito, em todas as coisas que você imaginar, para que você pense que sou a sua razão de estar no mundo; Eu quero que meu sorriso seja o seu sorriso favorito; Quero que as maneiras como me visto sejam seu estilo favorito... Quero que você sinta o mesmo que sinto toda vez que beijo seu pescoço e sinto-me inundado pela alegria de lhe ver gargalhando de cócegas... Eu sei que às vezes você não consegue me entender, mas eu gostaria que você sempre Quisesse saber como eu sou.
Eu decidi que vou segurar sua mão quando você estiver chateada; que nunca vou esquecer o Seu olhar logo após nos beijarmos pela primeira vez. Me sinto felizardo por ter aquele troço estranho na orelha direita que você ama ficar cutucando, e eu adoro mais ainda, porque é só Seu, fica num lugar onde Só Você consegue chegar, logo depois de aninhar no peito, já que é o seu lugar secreto e preferido.
Basicamente, eu só Quero que Você me ame, que você precise de mim, que me entenda que quando eu disser que só quero Um sanduíche, na verdade eu quero Dois; Eu quero que sem mim seu coração enferreje, e que você passe todas as noites acordadas pensando num jeito de fazer com que você seja minha pra sempre (na verdade, não preciso querer essa última parte, pois nunca vou deixar você ficar sem mim); Eu quero ser a última coisa que você pense antes de Dormir.
Na verdade, o sono acabou de passar, e eu percebi que eu não preciso querer nada, pois você já sente tudo isso por mim não é verdade? Afinal, você é tudo de mais magnifico que eu já vi.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Colibri
Nós continuamos conversando,
Mas sinceramente,
Eu não tenho ideia do que está acontecendo,
Ainda somos amigos?
Existe uma magóa que você não admite,
E isso me incomoda bastante,
Como um colibri,
Pairando no ar.
Percebo que você está me evitando,
Mas sinceramente,
Não é de hoje que isso vem acontecendo,
Faz tempo que você não é mais a mesma comigo,
E nosso sorriso, você não mais permite,
Como se o que a gente já teve fosse irrelevante,
Algo que eu fechei assim que abri,
Que você nunca deixou respirar.
O problema é que sempre lhe vejo,
Sou fisgado pelo encanto do seu olhar,
Me pego saudoso do seu beijo...
Não sei mais o que esperar.
Só me resta esperar que esse desejo,
De alguma forma consiga me deixar,
Que o gosto voraz do seu beijo,
Minha memória consiga apagar.
Mas sinceramente,
Eu não tenho ideia do que está acontecendo,
Ainda somos amigos?
Existe uma magóa que você não admite,
E isso me incomoda bastante,
Como um colibri,
Pairando no ar.
Percebo que você está me evitando,
Mas sinceramente,
Não é de hoje que isso vem acontecendo,
Faz tempo que você não é mais a mesma comigo,
E nosso sorriso, você não mais permite,
Como se o que a gente já teve fosse irrelevante,
Algo que eu fechei assim que abri,
Que você nunca deixou respirar.
O problema é que sempre lhe vejo,
Sou fisgado pelo encanto do seu olhar,
Me pego saudoso do seu beijo...
Não sei mais o que esperar.
Só me resta esperar que esse desejo,
De alguma forma consiga me deixar,
Que o gosto voraz do seu beijo,
Minha memória consiga apagar.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Carcará
As lágrimas quentes que escorreram em seu rosto me fizeram engolir em seco, e refletir sobre o que eu estava fazendo... Queria poder dizer que a culpa foi só minha, que eu fui egoísta o tempo todo, e que você sempre foi o namorado mais perfeito do mundo, mas não foi bem assim. Tive de morder minha língua para não mentir para você. Por mais que não lhe amasse, do jeito que amara no passado, eu ainda lhe queria bem... Bem o bastante para não proferir nenhuma palavra falsa.
Você se foi, revoltado, indignado e com um grande pesar no peito. Eu te vi arrancar com o carro, para longe da minha rua... Para talvez nunca mais voltar, e pela primeira vez me senti leve. Talvez eu finalmente estivesse sendo sincera comigo mesma. Voei pra longe, sem precisar do seu amor, que já não servia de nada para mim.
E só com a sinceridade libertando a maioria dos grilhões em que eu prendera meu coração, eu pude visualizar o que deu errado entre a gente. Eu era só uma menina quando você me conquistou, e você era o namorado mais perfeito que eu já sonhara em ter. Todas as serenatas, cartas, declarações, conversas, conselhos, abraços, discussões, carinhos, lições, afagos e silencio (nas horas que nada havia pra se dizer) que você me deu ficaram bem guardados num cantinho do meu coração que reservei só para você, para nunca mais apagar. E isso é tudo que posso lhe dar agora; um cantinho no meu coração, pois há muito tempo, não consigo lhe manter como rei légitimo do meu peito.
Dizem que tudo em excesso acaba sendo ruim. Parece que estavam certos, e nós não conseguimos perceber isso a tempo do nosso amor começar a se enferrujar. Eu mudei tanto, que nem me reconheço mais nas fotos que gosto tanto de olhar. Você não mudou nada, estagnou; se tornou uma fraca nuance do que costumava a ser. E foi aí que meu encanto por você se acabou, quando você decidiu não sonhar mais; quando você decidiu sonhar os meus sonhos.
Eu sei o quão lhe machuquei ao impedi-lo de seguir em frente, mas só agora, depois de errar por mim mesma, e de perceber os erros sozinha, sei que foi melhor assim, a última chance que você me deu, nunca teve uma chance de verdade de dar certo... Eu queria pedir desculpas pelas lágrimas que fiz seus olhos derramarem, mas eu não consigo... Não é egoísmo, é só que eu sei que se não fosse assim, eu nunca me despreenderia de você, e talvez agora você consiga se despreender de mim. Talvez você consiga fugir do meu coração, que vive caçando qualquer forma de carinho; vendo em você a presa mais fácil para saciar a vontade que ele tem por carinho.
-A gente não precisa seguir as 'regras' dos relacionamentos alheios, só nós dois sabemos o que vivemos, e por que o fazemos, então não vamos nos importar com rótulos... Se quisermos ficar juntos novamente, que seja assim então...
-Não mais, essa foi a última vez.
Foram suas últimas palavras pra mim, e eu lhe dei um sorriso triste, porque seu orgulho lhe impediu de mostrar a você que não existe regras para o que queremos. O Amor não tem regra. É como um Carcará. Pega, Mata e Come. Nunca passa fome, mesmo que tenha de ser cruel. Pois, mais cruel que usar seu coração, era deixar o meu aflito pela fome de carinho que ele teima em sentir de vez em quando.
Só espero que você nunca esqueça de mim, assim como eu nunca lhe esquecerei, e lhe agradeço por tudo, principalmente por ter me protegido no momento mais dificil da minha vida. Lhe agradeço por todo o amor que você me deu, e rezo para que você seja tão feliz quanto merece; quanto eu fui quando amei você.
Você se foi, revoltado, indignado e com um grande pesar no peito. Eu te vi arrancar com o carro, para longe da minha rua... Para talvez nunca mais voltar, e pela primeira vez me senti leve. Talvez eu finalmente estivesse sendo sincera comigo mesma. Voei pra longe, sem precisar do seu amor, que já não servia de nada para mim.
E só com a sinceridade libertando a maioria dos grilhões em que eu prendera meu coração, eu pude visualizar o que deu errado entre a gente. Eu era só uma menina quando você me conquistou, e você era o namorado mais perfeito que eu já sonhara em ter. Todas as serenatas, cartas, declarações, conversas, conselhos, abraços, discussões, carinhos, lições, afagos e silencio (nas horas que nada havia pra se dizer) que você me deu ficaram bem guardados num cantinho do meu coração que reservei só para você, para nunca mais apagar. E isso é tudo que posso lhe dar agora; um cantinho no meu coração, pois há muito tempo, não consigo lhe manter como rei légitimo do meu peito.
Dizem que tudo em excesso acaba sendo ruim. Parece que estavam certos, e nós não conseguimos perceber isso a tempo do nosso amor começar a se enferrujar. Eu mudei tanto, que nem me reconheço mais nas fotos que gosto tanto de olhar. Você não mudou nada, estagnou; se tornou uma fraca nuance do que costumava a ser. E foi aí que meu encanto por você se acabou, quando você decidiu não sonhar mais; quando você decidiu sonhar os meus sonhos.
Eu sei o quão lhe machuquei ao impedi-lo de seguir em frente, mas só agora, depois de errar por mim mesma, e de perceber os erros sozinha, sei que foi melhor assim, a última chance que você me deu, nunca teve uma chance de verdade de dar certo... Eu queria pedir desculpas pelas lágrimas que fiz seus olhos derramarem, mas eu não consigo... Não é egoísmo, é só que eu sei que se não fosse assim, eu nunca me despreenderia de você, e talvez agora você consiga se despreender de mim. Talvez você consiga fugir do meu coração, que vive caçando qualquer forma de carinho; vendo em você a presa mais fácil para saciar a vontade que ele tem por carinho.
-A gente não precisa seguir as 'regras' dos relacionamentos alheios, só nós dois sabemos o que vivemos, e por que o fazemos, então não vamos nos importar com rótulos... Se quisermos ficar juntos novamente, que seja assim então...
-Não mais, essa foi a última vez.
Foram suas últimas palavras pra mim, e eu lhe dei um sorriso triste, porque seu orgulho lhe impediu de mostrar a você que não existe regras para o que queremos. O Amor não tem regra. É como um Carcará. Pega, Mata e Come. Nunca passa fome, mesmo que tenha de ser cruel. Pois, mais cruel que usar seu coração, era deixar o meu aflito pela fome de carinho que ele teima em sentir de vez em quando.
Só espero que você nunca esqueça de mim, assim como eu nunca lhe esquecerei, e lhe agradeço por tudo, principalmente por ter me protegido no momento mais dificil da minha vida. Lhe agradeço por todo o amor que você me deu, e rezo para que você seja tão feliz quanto merece; quanto eu fui quando amei você.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
80 weeks (Inverno)
Tudo aconteceu como as palavras dele queriam que acontecesse. Mas essa não era a real vontade de Daniel. Lá no fundo ele fora ingenuo de acreditar que Isabel iria lhe impedir... Mas ela não o fez, acatou a decisão dele, deixou que os sentimentos velhos e sem manutenção, caíssem como folhas amareladas e sem vidas ao fim do Outono, com o frio que dominou o coração de ambos.
Ela não soube dizer quanto tempo ficaram sem trocar uma palavra... Quanto tempo o frio os deixou hibernando, só percebeu que já se iam chegando a oitenta semanas que ela o conhecia, ou pelo menos que achava que conhecia. E como em todo inverno, ela teve saudade do calor do Verão... Desejou saborear uma nova Primavera, mas sabia que aquilo eram só ilusões tolas que seu coração costumava a pregar sempre que dormia.
-Eu mereço bem mais que 100% - ela anunciou quando ele pausou um monologo.
-É?
-É.
-Por que?
-Porque sim, oras - ela insistiu sorrindo.
-Acho bem dificil... Nem eu tenho 100% de mim mesmo - ele confessou com um sorriso triste.
-Justamente, por isso eu mereço! - ela sabia que não havia sentido no que falava e por isso lhe deu um sorriso confiante.
Ele a tomou pelos braços.
-E eu mereço você - ele disse envolvendo-a num abraço apertado que só ele sabia dar. Beijando-a de um jeito que só ele sabia beijar. Lhe tirando todo o frio, lhe enchendo de calor.
Aquelas lembranças traziam frio. Um frio que Daniel nunca esperou sentir. Ele que era o homem que não se arrependia, agora sentia aquela ferida latejar o tempo todo. Tinha que fazer alguma coisa...
-Eu preciso de você - ele confessou quando completava-se a 80ª semana que se conheciam - preciso do seu sorriso, preciso do seu olhar, preciso da sua vontade de sonhar...
-Hmm - ela respondeu friamente. Sabia que tinha que se controlar. Mais do que jamais fizera. Não queria nunca mais mergulhar naquela imensidão de incertezas que tendiam a lhe machucar tão profundamente. Pelo menos era isso que sua racionalidade lhe dizia: ela não queria.
-Eu sei que o que fiz foi muito errado.
-É.
-E sei que não tem perdão.
-Não, eu já lhe perdoei - pelo menos era isso o que Isabel dissera a si mesma.
-Eu acho que o que fiz contigo foi só um reflexo do que fiz a mim mesmo...
-Como assim?
-Bem... Quando eu era criança, eu prometi a mim mesmo que iria ser quem eu quisesse. Que iria viver o que sonhasse. E olha quem eu sou... Você já parou pra pensar que talvez você seja uma pessoa que seu 'eu-criança' teria aversão?
-Daniel...
-É sério... Sei lá, é como se eu não tivesse motivos pra viver mais... Como se eu tivesse falhado em tudo...
-Não diz isso.
-Só estou falando a verdade...
-Olha, tenho que ir - ela estava dizendo a verdade. Precisava dormir. Mas então porque sentia um nó na garganta tão apertado?
-Vai, vai... Desculpa por tudo, mais uma vez...
-Eu já te perdoei.
-Mas eu não me perdoei - aquilo lhe fez sentir uma certa satisfação. Mas aquela satisfação era tão fria. E isso a fez mal. Tinha que fazer algo... Mesmo que ele não merecesse.
-Olha, para com isso ok? Por favor... Você é muito melhor do que a maioria, você sabe disso... - do contrário, por que então ela tinha se deixado roubar por ele? - você me fez acreditar nisso...
-Eu te comprar um produto defeituoso.
-Pode até ter sido... Mas eu comprei. E amei. Lá no fundo, ainda amo. Então fica bem.
E ela fugiu. E ele ficou cheio de sensações estranhas. Sorriu, e se lamentou. Alegria e arrependimento. E ele resolveu escrever sobre os dois. Tudo iria voltar como deveria ser... Só que nunca voltou.
Daniel e Isabel continuaram a se falar, porém cada vez menos... Sem mais vontade. Eles se amavam, e se amariam até o fim da vida, pelo amor impossível que haviam encontrado naquele relacionamento estranho; pela tragédia, pela comédia, pelo amor, pela amizade... Mas eles nunca ficaram juntos, porque foram covardes.
Ela foi covarde em nunca admitir para si mesma o que realmente sentia por ele. Ele foi covarde em nunca deixar que aquilo que sentia fosse livre o bastante para se concretizar. E sinceramente, o amor não existe para covardes.
Ela não soube dizer quanto tempo ficaram sem trocar uma palavra... Quanto tempo o frio os deixou hibernando, só percebeu que já se iam chegando a oitenta semanas que ela o conhecia, ou pelo menos que achava que conhecia. E como em todo inverno, ela teve saudade do calor do Verão... Desejou saborear uma nova Primavera, mas sabia que aquilo eram só ilusões tolas que seu coração costumava a pregar sempre que dormia.
-Eu mereço bem mais que 100% - ela anunciou quando ele pausou um monologo.
-É?
-É.
-Por que?
-Porque sim, oras - ela insistiu sorrindo.
-Acho bem dificil... Nem eu tenho 100% de mim mesmo - ele confessou com um sorriso triste.
-Justamente, por isso eu mereço! - ela sabia que não havia sentido no que falava e por isso lhe deu um sorriso confiante.
Ele a tomou pelos braços.
-E eu mereço você - ele disse envolvendo-a num abraço apertado que só ele sabia dar. Beijando-a de um jeito que só ele sabia beijar. Lhe tirando todo o frio, lhe enchendo de calor.
Aquelas lembranças traziam frio. Um frio que Daniel nunca esperou sentir. Ele que era o homem que não se arrependia, agora sentia aquela ferida latejar o tempo todo. Tinha que fazer alguma coisa...
-Eu preciso de você - ele confessou quando completava-se a 80ª semana que se conheciam - preciso do seu sorriso, preciso do seu olhar, preciso da sua vontade de sonhar...
-Hmm - ela respondeu friamente. Sabia que tinha que se controlar. Mais do que jamais fizera. Não queria nunca mais mergulhar naquela imensidão de incertezas que tendiam a lhe machucar tão profundamente. Pelo menos era isso que sua racionalidade lhe dizia: ela não queria.
-Eu sei que o que fiz foi muito errado.
-É.
-E sei que não tem perdão.
-Não, eu já lhe perdoei - pelo menos era isso o que Isabel dissera a si mesma.
-Eu acho que o que fiz contigo foi só um reflexo do que fiz a mim mesmo...
-Como assim?
-Bem... Quando eu era criança, eu prometi a mim mesmo que iria ser quem eu quisesse. Que iria viver o que sonhasse. E olha quem eu sou... Você já parou pra pensar que talvez você seja uma pessoa que seu 'eu-criança' teria aversão?
-Daniel...
-É sério... Sei lá, é como se eu não tivesse motivos pra viver mais... Como se eu tivesse falhado em tudo...
-Não diz isso.
-Só estou falando a verdade...
-Olha, tenho que ir - ela estava dizendo a verdade. Precisava dormir. Mas então porque sentia um nó na garganta tão apertado?
-Vai, vai... Desculpa por tudo, mais uma vez...
-Eu já te perdoei.
-Mas eu não me perdoei - aquilo lhe fez sentir uma certa satisfação. Mas aquela satisfação era tão fria. E isso a fez mal. Tinha que fazer algo... Mesmo que ele não merecesse.
-Olha, para com isso ok? Por favor... Você é muito melhor do que a maioria, você sabe disso... - do contrário, por que então ela tinha se deixado roubar por ele? - você me fez acreditar nisso...
-Eu te comprar um produto defeituoso.
-Pode até ter sido... Mas eu comprei. E amei. Lá no fundo, ainda amo. Então fica bem.
E ela fugiu. E ele ficou cheio de sensações estranhas. Sorriu, e se lamentou. Alegria e arrependimento. E ele resolveu escrever sobre os dois. Tudo iria voltar como deveria ser... Só que nunca voltou.
Daniel e Isabel continuaram a se falar, porém cada vez menos... Sem mais vontade. Eles se amavam, e se amariam até o fim da vida, pelo amor impossível que haviam encontrado naquele relacionamento estranho; pela tragédia, pela comédia, pelo amor, pela amizade... Mas eles nunca ficaram juntos, porque foram covardes.
Ela foi covarde em nunca admitir para si mesma o que realmente sentia por ele. Ele foi covarde em nunca deixar que aquilo que sentia fosse livre o bastante para se concretizar. E sinceramente, o amor não existe para covardes.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Ululante
Sinto tanta falta do seu abraço; e percebo o quão triste sou, ao viver perdendo meus atalhos para fugas; o quão triste sou por ter perdido você.
Deveria ser uma coisa boa, pra vê se eu aprendo a me controlar; deveria... Mas não é.
Isso porque tem uma parte de mim (uma das tantas que ainda não conheço), que não tem rédeas; é uma zona do meu coração que não tem acesso a nenhum pingo de razão... Eu até já tentei mapeá-la, refletir... Mas a única coisa que consegui, foi ver meu coração ulular.
Por isso fico aqui, lhe vendo florescer, sem poder fugir de mim e me perder em você.
Deveria ser uma coisa boa, pra vê se eu aprendo a me controlar; deveria... Mas não é.
Isso porque tem uma parte de mim (uma das tantas que ainda não conheço), que não tem rédeas; é uma zona do meu coração que não tem acesso a nenhum pingo de razão... Eu até já tentei mapeá-la, refletir... Mas a única coisa que consegui, foi ver meu coração ulular.
Por isso fico aqui, lhe vendo florescer, sem poder fugir de mim e me perder em você.
domingo, 5 de junho de 2011
80 weeks (Outono)
Com um pouco de dificuldade, ela conseguiu abrir os olhos. Estavam inchados, e relutaram em abrir. Quando conseguiu se arrastar até o espelho, viu que os cabelos estavam desgrenhados, e havia rímel borrada até sua bochecha; a cabeça ainda latejava e garganta queimava cheia de sede. Após um analgésico e um bom banho quente, ela percebeu que tudo que ocorrera na noite anterior não fora um sonho ruim...
Já fazia cerca de cinquenta semanas que vira pela primeira vez o sorriso de Daniel, e agora não sabia se iria vê-lo novamente. Ele se afastou dela assim como quando o Verão chega ao fim, com uma sensação fria inesperada, gelada; e que faz você querer se esconder debaixo do cobertor até o frio passar.
Isabel se escondeu por algumas semanas, mas logo não suportava mais a sua própria companhia, estava colhendo o que plantou, assim como os agricultores fazem no Outono. Ela sempre soubera o quão perigoso era o relacionamento que se enfiara, mas sempre tivera a tênue esperança que isso não fosse acontecer.
-Acho que o destino se atrasou em nos apresentar.
-Como assim?
-É, sei lá - Daniel riu tentando manter a garota no seu colo, mesmo que sem o consentimento dela. - se eu tivesse te conhecido dois meses antes, talvez eu fosse seu namorado agora.
-Será?
-Ou talvez não... - ele acrescentou - acho que o que a gente tem, só é tão intenso porque o destino se atrasou.
-Então isso foi bom ou ruim?
-Bom - ele sorriu e puxou-a pelo queixo para mais perto de si - ele pode ter se atrasado, mas pelo menos me trouxe você.
Daniel lembrou disso enquanto relia uma carta que Isabel lhe dera há tempos atrás. Era da época em que ela ainda namorava. Sentiu um nó na garganta, e discou o número dela, mas desistiu antes de completar a ligação.
Ele sentia um desconforto enorme. Tinha que conversar com ela.
-Eu queria só explicar. Eu realmente te amei, e realmente te quero muito bem, por isso estou me afastando de você.
-Isso não faz sentido nenhum - ela protestou sem saber como reagir. As lágrimas já haviam secado, assim como as folhas que haviam caído das árvores no jardim.
-Eu sei que não faz, por isso mesmo estou te dizendo. Eu sou assim frio, eu machuco as pessoas.
Ela não sabia o que responder, não havia o que dizer.
-E por isso estou indo embora, porque não dá mais pra continuar, não do jeito que tá. E acho que nada vai mudar, porque eu não deixo as coisas mudarem.
Ele se referia a sua insistencia de manter o relacionamento deles escondido.
-Se você quer assim - foi a única resposta que ela conseguiu dar.
-É o que eu quero. Que você seja feliz, longe de mim. Você merece alguém bem melhor que eu... E enquanto eu estiver na sua vida, tudo vai ser uma confusão.
-Ok então.
Ele ficou sem saber o que falar. Não esperava que ela acatasse ao que ele disesse sem um discussão. Mas ela mudara.
Isabel deitou a cabeça no travesseiro, e se sentiu forte. Sentiu também que seu peito não mais estava úmido pelas lágrimas que derramara nas últimas vinte semanas.
Agora estava tudo seco. E frio, como o Inverno que preenchera todo seu coração.
Já fazia cerca de cinquenta semanas que vira pela primeira vez o sorriso de Daniel, e agora não sabia se iria vê-lo novamente. Ele se afastou dela assim como quando o Verão chega ao fim, com uma sensação fria inesperada, gelada; e que faz você querer se esconder debaixo do cobertor até o frio passar.
Isabel se escondeu por algumas semanas, mas logo não suportava mais a sua própria companhia, estava colhendo o que plantou, assim como os agricultores fazem no Outono. Ela sempre soubera o quão perigoso era o relacionamento que se enfiara, mas sempre tivera a tênue esperança que isso não fosse acontecer.
-Acho que o destino se atrasou em nos apresentar.
-Como assim?
-É, sei lá - Daniel riu tentando manter a garota no seu colo, mesmo que sem o consentimento dela. - se eu tivesse te conhecido dois meses antes, talvez eu fosse seu namorado agora.
-Será?
-Ou talvez não... - ele acrescentou - acho que o que a gente tem, só é tão intenso porque o destino se atrasou.
-Então isso foi bom ou ruim?
-Bom - ele sorriu e puxou-a pelo queixo para mais perto de si - ele pode ter se atrasado, mas pelo menos me trouxe você.
Daniel lembrou disso enquanto relia uma carta que Isabel lhe dera há tempos atrás. Era da época em que ela ainda namorava. Sentiu um nó na garganta, e discou o número dela, mas desistiu antes de completar a ligação.
Ele sentia um desconforto enorme. Tinha que conversar com ela.
-Eu queria só explicar. Eu realmente te amei, e realmente te quero muito bem, por isso estou me afastando de você.
-Isso não faz sentido nenhum - ela protestou sem saber como reagir. As lágrimas já haviam secado, assim como as folhas que haviam caído das árvores no jardim.
-Eu sei que não faz, por isso mesmo estou te dizendo. Eu sou assim frio, eu machuco as pessoas.
Ela não sabia o que responder, não havia o que dizer.
-E por isso estou indo embora, porque não dá mais pra continuar, não do jeito que tá. E acho que nada vai mudar, porque eu não deixo as coisas mudarem.
Ele se referia a sua insistencia de manter o relacionamento deles escondido.
-Se você quer assim - foi a única resposta que ela conseguiu dar.
-É o que eu quero. Que você seja feliz, longe de mim. Você merece alguém bem melhor que eu... E enquanto eu estiver na sua vida, tudo vai ser uma confusão.
-Ok então.
Ele ficou sem saber o que falar. Não esperava que ela acatasse ao que ele disesse sem um discussão. Mas ela mudara.
Isabel deitou a cabeça no travesseiro, e se sentiu forte. Sentiu também que seu peito não mais estava úmido pelas lágrimas que derramara nas últimas vinte semanas.
Agora estava tudo seco. E frio, como o Inverno que preenchera todo seu coração.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
80 weeks (Verão)
Foi fácil como respirar, viciante como se coçar. Terminou mais rápido do que a vontade poderia suportar. A Primavera se foi, em seu lugar se instalou um calor tão gostoso de aproveitar.
As palavras se perderam, os olhares diziam tudo. Só que as definições de tudo, nada e infinito não pareciam significar qualquer coisa perante aquela ponte que se instalou entre os dois olhares.
Isabel respirou fundo e se levantou. Daniel sorriu, e a seguiu. Eles até trocaram palavras, mas elas pareciam não ter significado algum para aqueles dois corações aturdidos que palpitavam descompasadamente, em suas respectivas carapaças.
O tempo passou, a intensidade aumentou. Eles sabiam que aquilo que consumaram era proibido, porém não conseguiam evitar um mal tão desejoso como aquele. O calor que ela sentia dos braços dele; a tranquilidade que ele sentia ao conversar com ela. Era o verão tornando todos os dias, melhores que os outros.
-Você não vai me querer, eu esou te avisando - ele comentou numa conversa qualquer, enquanto ela lhe afagava os cabelos, tentando fazê-lo sorrir.
-Por que não iria querer?
-Não sei, eu sou defeituoso; quebrado, um brinquedo torto - ele se levantou e a olhou nos olhos - e uma hora vou te machucar.
-Pois que você tente, tenho uma proteção muito forte para isso.
-É sério - ele alisou a bochecha dela com um indicador - eu queimo todos com o gelo que meu coração libera.
-Que eu derreta então. - os olhos dela o encararam firmemente - não vou ceder.
-Você...
-É, eu nunca vou deixá-lo ir.
Assim como a chuva passa, os dias cinzas dele se foram. E o sol voltou a brilhar para os dois. Foi só uma chuva de verão; foi o que ela disse para si mesma.
-Não mais - ela protestou quando ele lhe roubou um terceiro beijo.
-Só mais um - ele insistiu se aproximando.
-Não.
-Você é teimosa.
-Olha quem fala - ela se afastou sorrindo - hora de ir.
-Ok - ele a seguiu e quando chegaram a escada, aproveitou da sua altura avantajada, colocou-a em um degrau mais alto e ainda assim ficou meia cabeça acima dela.
-Me solta - ela alertou quando viu que os braços dele prendiam sua cintura.
-Só com um beijo.
-Não vou dar.
-Então eu roubo - e ele o fez.
A tenacidade que ela teve de tentar impedi-lo, se desfez no momento que a voracidade controlou sua língua, e todos seus sentidos. Ele só aproveitou, e se perdeu naquela imensidão de sensações distintas.
Só que o tempo nunca para de girar, e aos poucos, rotinas distintas começaram a afastá-los. Ela se manteve como estava, imutável. Às vezes conseguindo resistir a ele, às vezes cedendo. Só que ele não conseguiu o mesmo.
Um coração deformado, tem a infeliz tendencia de oscilar vez ou outra, e ela não acreditava que isso pudesse acontecer.
-Não dá mais. - ele concluiu após várias explicações confusas, após desculpas pífias e distorções de situações.
-Eu não sei porque você está fazendo isso - ela engoliu o amargo que se formava na garganta. Era tão ruim de sentir aquilo. Ela sempre esperou aquilo; mas era tão pior.
-Porque eu sou assim. Eu te avisei, lembra?
-Não precisa ser assim.
-Precisa. Não aguento mais. Eu sou o egoísta. Eu que te quero pra mim, sem aceitar que você não é um brinquedo, eu que...
-Dan.
-É melhor assim, Isabel.
-Não me chama assim...
-Não dá mais pra você ser a 'bel'. É sério. Eu me vou. Uma lástima. Mas me vou.
E assim que ele desapareceu, ela sentiu tudo esfriar, e percebeu que algumas coisas caíam ao seu redor. Mas não tinha certeza do que realmente eram; As folhas flutuando no ar, avisando a todos da chegada do Outono, ou os pedaços do seu coração trincado, que caía junto com as lágrimas que prometera nunca mais derramar.
As palavras se perderam, os olhares diziam tudo. Só que as definições de tudo, nada e infinito não pareciam significar qualquer coisa perante aquela ponte que se instalou entre os dois olhares.
Isabel respirou fundo e se levantou. Daniel sorriu, e a seguiu. Eles até trocaram palavras, mas elas pareciam não ter significado algum para aqueles dois corações aturdidos que palpitavam descompasadamente, em suas respectivas carapaças.
O tempo passou, a intensidade aumentou. Eles sabiam que aquilo que consumaram era proibido, porém não conseguiam evitar um mal tão desejoso como aquele. O calor que ela sentia dos braços dele; a tranquilidade que ele sentia ao conversar com ela. Era o verão tornando todos os dias, melhores que os outros.
-Você não vai me querer, eu esou te avisando - ele comentou numa conversa qualquer, enquanto ela lhe afagava os cabelos, tentando fazê-lo sorrir.
-Por que não iria querer?
-Não sei, eu sou defeituoso; quebrado, um brinquedo torto - ele se levantou e a olhou nos olhos - e uma hora vou te machucar.
-Pois que você tente, tenho uma proteção muito forte para isso.
-É sério - ele alisou a bochecha dela com um indicador - eu queimo todos com o gelo que meu coração libera.
-Que eu derreta então. - os olhos dela o encararam firmemente - não vou ceder.
-Você...
-É, eu nunca vou deixá-lo ir.
Assim como a chuva passa, os dias cinzas dele se foram. E o sol voltou a brilhar para os dois. Foi só uma chuva de verão; foi o que ela disse para si mesma.
-Não mais - ela protestou quando ele lhe roubou um terceiro beijo.
-Só mais um - ele insistiu se aproximando.
-Não.
-Você é teimosa.
-Olha quem fala - ela se afastou sorrindo - hora de ir.
-Ok - ele a seguiu e quando chegaram a escada, aproveitou da sua altura avantajada, colocou-a em um degrau mais alto e ainda assim ficou meia cabeça acima dela.
-Me solta - ela alertou quando viu que os braços dele prendiam sua cintura.
-Só com um beijo.
-Não vou dar.
-Então eu roubo - e ele o fez.
A tenacidade que ela teve de tentar impedi-lo, se desfez no momento que a voracidade controlou sua língua, e todos seus sentidos. Ele só aproveitou, e se perdeu naquela imensidão de sensações distintas.
Só que o tempo nunca para de girar, e aos poucos, rotinas distintas começaram a afastá-los. Ela se manteve como estava, imutável. Às vezes conseguindo resistir a ele, às vezes cedendo. Só que ele não conseguiu o mesmo.
Um coração deformado, tem a infeliz tendencia de oscilar vez ou outra, e ela não acreditava que isso pudesse acontecer.
-Não dá mais. - ele concluiu após várias explicações confusas, após desculpas pífias e distorções de situações.
-Eu não sei porque você está fazendo isso - ela engoliu o amargo que se formava na garganta. Era tão ruim de sentir aquilo. Ela sempre esperou aquilo; mas era tão pior.
-Porque eu sou assim. Eu te avisei, lembra?
-Não precisa ser assim.
-Precisa. Não aguento mais. Eu sou o egoísta. Eu que te quero pra mim, sem aceitar que você não é um brinquedo, eu que...
-Dan.
-É melhor assim, Isabel.
-Não me chama assim...
-Não dá mais pra você ser a 'bel'. É sério. Eu me vou. Uma lástima. Mas me vou.
E assim que ele desapareceu, ela sentiu tudo esfriar, e percebeu que algumas coisas caíam ao seu redor. Mas não tinha certeza do que realmente eram; As folhas flutuando no ar, avisando a todos da chegada do Outono, ou os pedaços do seu coração trincado, que caía junto com as lágrimas que prometera nunca mais derramar.
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