segunda-feira, 4 de abril de 2016

Detalhes

Aquele sorriso a levou pra longe, fazendo o tempo passar, como há muito não se fazia disparar. Surgiu, repentinamente, numa tarde qualquer. Ela lembrava sim, com detalhes demais para se fazer esquecer que, apesar de coadjuvante de uma situação em que ambos só podiam observar, se fizeram protagonistas de detalhes em particular.

Partilharam risos divertidos e na hora de se despedir, ela sentiu que gostaria de ficar mais. Chegou em casa sem lembrar como era ter paz. Havia tanta saudade em seu peito, de sentimentos que vivia inibindo, vivendo num mundo otimista que tinha de alimentar para não se amargurar.

Amarga foi a sensação que ficou depois da ausência seguida do primeiro roubar. Os quarenta centímetros que ele enumerara como quatro mil milhas, pareceram aumentar, até que, sem querer, sem nem planejar, descobriu de um passado que não poderia ignorar.
Optou por se fazer ignorante às máscaras que ele sobrepujava no coração. Tinha tantas verdades que não queria encarar, sobre sua vida própria, que não seria problema aceitar mais uma mentira. Deixou o tempo passar, tratou de aproveitar as verdades, que eram tudo que parecia lhe importar.

-Assopre as velas - ele lhe disse rindo, entre beijos no pescoço.
-Que velas?
-Do seu bolo de aniversário.
-Mas hoje não é...
-Dos que já passaram - o sorriso audacioso dele a faziam indagar quanta astúcia ele podia carregar - você já viveu muito para continuar tão tímida.

A primeira noite deles foi muito mais do que linda. Tanto que agora, enxergando a chuva que não parava de lhe fustigar, três meses depois da última palavra lhe falar, àquelas memórias, seus detalhes, e as velas que ele lhe sugerira, ainda não conseguia apagar.

Apagaria, se pudesse, o tanto dele que permanecia em si: o olhar selvagem, o tempo e as viagens, cada lembrança, cada paisagem. Todos os momentos que falaram sem parar, principalmente o que o silêncio de ambos nunca chegou a lhes incomodar.

Apesar de cômodo, o agora era acinzentado, por saber que mesmo eles pertencendo apenas ao passado, notar, diariamente, que ainda mantinha segredos escondidos, já que em vários diálogos teve seus lábios mordidos, por ninguém menos que ela mesma, por medo de revelar seus próprios detalhes a todos desconhecidos, seus sonhos loucos demais para serem proferidos. Por mais que lutasse contra aquele defeito, não conseguira mudar o fato que tinha uma voz fraca pros pensamentos que transbordavam sua mente.

Mentia ainda, mesmo tendo passado tanto tempo daquelas memórias lindas, para tentar afastar cada detalhe dele. Para inibir de si a sensação que nunca sequer chegara a ser um amor pra ele. Fora apenas companhia embaixo dos cobertores, preenchendo espaços vazios que o coração, declaradamente, deformado dele tinha. O calor que ele precisara em tantas situações desfavoráveis.

-Por favor - entoou para si e para a chuva - apague essas velas e os detalhes dentro de mim.

terça-feira, 29 de março de 2016

Mais-Valia

Tudo que eu sempre quis foi o mundo, não é questão de ganância, só não posso evitar essa vontade de precisar de tudo. Sou uma obra-prima da ascensão à queda, numa única jornada para me fazer válida.

Mais-valia é uma excelente definição para quem aceitei que sou e se pareço meio difícil para você, a culpa é do seu costume de ter se envolvido, outrora em sua memória, com outras tão simplórias.

É simples pra mim como nos estabelecemos: entre um riso provocador e uma piscada lasciva, soube que você já está nas minhas mãos. Não foi sua culpa, homens tendem a tomar decisões apenas com o sangue que corre em suas veias e, provavelmente hoje em dia, após me conhecer melhor, você pode ter noção que sou o insumo mais eficiente para fazer o são se tornar vão, a razão se perder em tesão, independente de qual seja a alheia interpretação.

Mal interpretada poderei até ser, não é como se me importasse assim. Não sei quando, nem porquê, mas em algum momento tomei nota que poderia viver do jeito que me prego, sem amarras ou clausos, sem ludibriar aos outros meu afeto sincero pelo meu ego. Sugiro, inclusive, que se você nutre algo no âmago do seu ser, experimente libertá-lo, pra entender, como é tornar canônico algo que nasceu pra ser.
Serei então, o que me apetecer. Sou a protagonista da minha própria vida e, se lhe resigno sensações torpes, sendo assim, melhor seria que se afastasse de mim. Essa minha intensidade é de fluxo forte e não desejo lhe arrastar para algo que não lhe enobrece. Contudo, se minha existência, de alguma forma, ensandece algo ai dentro, é porque valho mais que os conceitos normalizados que costumavam a lhe privar de se deixar levar.

Leve será, então, se me valorizar pelo que podemos, quem sabe, um dia nos tornar. Nada vou lhe prometer nada além do que eu tiver vontade de querer.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Hora-Local

Pare aí, vá de ré,
Quem te fez, atuar,
Uma vida, tão feliz?

Eu tou aqui,
Mantendo a fé,
Feito de tolice,
Sem tentar fingir,
Nem um único sorrir.

Uma lástima dizer,
Tuas juras, um porém,
Já não servem bem.
Meus dias, agora têm,
Um eficiente despertador,
E se você, desejar,
Terá de agendar,
Uma hora, meu amor.

Olha aí, tenha fé,
Pra se encontrar,
Olhe só, seu nariz.

Sigo, por aqui,
Sem engatar a ré,
Feito sempre lhe disse,
Não dou passo pra trás,
Se não foi, não será mais.

Já não dói, perceber,
Tuas mensagens, leio nem,
Teu contato, foto não tem,
Meus dias, agora são sem,
Seu trânsito enlouquecedor,
E se você me almejar,
Terá de localizar,
Onde anda meu amor.

Teu rosto, já me é um qualquer,
E na multidão de histórias,
Que se não me serviam mais,
Optei por apagar da memória.

Se tiver, algo que quiser,
Recuperar da nossa história,
Lamento, todavia, não há nada mais,
Já passara a hora de jogá-la fora.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Imperecível

De primaveras sem flores a invernos sem neve, já vi tantas estações indo e vindo, com amores surgindo e ruindo, então posso sim afirmar que não é a minha primeira vez nessa aventura chamada amor. Já provei desse fruto imperecível que muda de sabor de acordo com a natureza de quem o fornece.

A natureza, inclusive, não costuma a ser justa com aqueles de bem, simplesmente segue um fluxo que vai além, com surpresas interessante para aqueles que esperam e interesses surpreendentes para aqueles que se jogam. Pois bem, estou nessa fazer de não ter tanta paciência ou planejamento. E entre planos inexistentes, deixei de buscar alguém que espera ser colhida ou percebida, passei a esbarrar nas mais deliciosas pessoas enlouquecidas. Afinal, se todo mundo, de louco tem um pouco, você é um exemplo que tropecei num tipo que nem sei processar se a procedência me cabe.
Coube deixar você encher meu corpo com um tanto do seu sabor, fragrância e sorrisos. Buscando boa sorte, desejei toda aquela diversão boa pra você. Tenho toda uma vida doce pra viver e, apesar de me apetecer, você parece ser um algo pra se perecer graças a minha sobriedade. Se eu estivesse menos sóbria, talvez lhe oferecia uma pitada do tudo que tenho, contudo, apenas franzi meu cenho, quando você prometeu me ligar. Não é como se eu não estivesse a acreditar, é só que já venho vivendo muito dessa doce vida, pra projetar qualquer detalhe que seja pra depois do agora.

Não é agouro, portanto, descobrir que você é mais interessante do que parecia ser. Entre as piadas idiotas que poderiam me enraivecer, a tenacidade de me cantar numa sinceridade de surpreender, decidi que vou lhe dar uma chance de me conhecer. Uma flor carnal, com pétalas que rodeiam um coração mortal, um amor destinado a ser pouco de bem e muito de mal. Será que isso lhe será fatal?

Fato é que se você conseguir me colher, além de ter a certeza que serei imperecível ao seu toque, tem mais um detalhe extra pode lhe enlouquecer: guardei todos os meus verões para um amor só, quem sabe não é você quem me dá esse nó? Será você, enfim, o aquele que virá fazer de mim mais que verão? Largue as cartas na mesa e liberte sua mãos. Aposte tudo e teremos essa resposta então.

domingo, 20 de março de 2016

Fôlego

Buscando fôlego no tempo certo de viver, perdi-me no teu querer. Se é de presente que vivemos, como pode passado e futuro terem tanto da tua presença?

Presencio um amor teu lado, nascido por cada gesto teu que tive o prazer de ter notado: teus olhos brilhando como risos de celebração, teus sorrisos gritando batuques cardíacos de paixão, teu pulso transmitindo a cena de um eterno verão.
Verás, graças a cada dia tão bom, que minha é alegria é te ser tão bom. Se é no meu abraço forte, que adormeces melhor, então deixe o meu cheiro te fazer um pouco menor, uma grande rainha, toda minha, para caber na nossa conchinha, para quando acordarmos, os risos de bom dia serem os mesmos de alegria que há tanto nos transbordam.

Borde um pouco do seu coração na minha pele, como os riscos coloridos gostas de alisar, como as mordidas tênues que adoras saborear. Os arrepios que me acometem ao seu toque são bons o suficiente pra, só pela lembrança, afastarem qualquer frustração. É como se meu coração, tivesse sido marcado pelo seu então.

Marco no meu tempo, o momento que a nossa vida mudou, desde que seu olhos me inundaram com um fôlego capaz de aguentar qualquer provação. Obrigado por ser meu sim, meu não, um bem-estar no meu coração.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Arrebate

Seu caso é interessante, já que garotos são atraídos, naturalmente para o que não conseguem lidar. Talvez esse seja o real motivo do seu histórico recente de vivências não serem de melhor procedência. É que basta uma piscadela dos seus olhos tão claros, dádivas de inimigo, e seu ar migra do fofo casual, para uma provocação sensual. Até mesmo pra mim, calejado à prova da maiorias dos perigos, fui arrebatado tão forte, num impulso quase fatal.
E seria uma fatalidade ter me entregado ao arrebate de tomar seus lábios. Deixei-lhe me abraçar e mergulhar no cheiro de seu perfume, pra me perder nuns pensamentos anuviados que enumeravam tantas oportunidades perdidas; que recitavam o seu sorriso estampado, meio embriagado, esbanjador de uma vontade divertida. Uma pena que, naquele momento, você não me era uma desconhecida.

Desconheço ainda, as razões pra tanto desejo por você ter me surgido, talvez, sempre tenha existido. Desde a primeira trocar de olhares atrevidos, mesmo que, na época, passassem desapercebidos. Demorou pra eu perceber, mas eu quero provar você e fazê-la entender que seu coração tem sido ofertados pros demandantes errados, pelo menos até então.

É um erro alimentar essa possibilidade, principalmente sabendo que existem tantas desculpas pra nos impedir de se conjecturar. O problema é que eu gosto de desafios e, sempre que encaro seu olhar, sei que, minimamente, uma dúvida proibida na sua mente consigo plantar, fazendo-a assim cogitar, se experimentar do errado, um arrebate que, por terceiros, poderá ser mal-interpretado, dessa vez não seria o acertar que há tanto você tem buscado.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Guardado

Dia de folga, desligo meu despertador e recebo um sorriso tímido. A amante insaciável da noite passada parece tão vulnerável ao raiar do dia. Lençol, pele, cabelos bagunçados, pescoço exalando uma mistura dos nossos perfumes. Seria fácil me apaixonar, se eu não tivesse decidido que era tempo de eu me resguardar.
Guardado, quase como uma obsessão, meu coração permanece afastado, inclinado a provar amores de suporte, apenas para não perder a habilidade de tatuar sorriso em outros. Ainda sou o mesmo apaixonado pela ideia de amar, exceto que agora, prefiro ser observador de romances e não mais o ator principal.

Principalmente por me pegar admirando cada detalhe seu, mantenho guardado não só meu órgão sentimental, como também sorriso que você me deu. Já guardo com carinho, porque sei, que independente pra onde for esse nosso caminho, vou dificilmente vou esquecer de cada mordida desferida, expressão divertida, carícia recebida, principalmente do seu bocejar tão linda.

sábado, 12 de março de 2016

Viés

Deixe-me ir, não é como se eu fosse partir, é só que eu gosto da ideia de poder voltar. Tu tens essa tenacidade linda de querer me contar tudo, porém acho que revelar tanto, acaba com qualquer chance de me surpreender. Apesar de parecer tão especial, ainda assim, hoje é só mais um dia normal e o nosso futuro ainda nos guarda várias possibilidades.
É possível que você tenha ficado com uma impressão errada, pois não existe um só lugar que me pertença e, sinceramente, não sou o único a pensar assim. Num mundo onde onde as vidas seguem tanto pra o automático, gosto de acreditar que sou um dos poucos, meio loucos, a manter tudo manualmente.

Meu manual de instrução já foi impresso e tratei de entregar a ti quando disse aquelas três palavras mágicas. Apesar do pouco tempo de convívio, muito importante já me és e eu tenho esse tênue viés: de querer eternizar cada memória construída com quem me faz tanto sorrisos. Ainda bem então, que chegaste assim, sem prévios avisos, bordando sempre que preciso, o mais lindo deles nos meus olhos que só brilham contigo.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Moça Riscada

Moça riscada de amor,
No riso primeiro,
Já me era fevereiro,
Um céu cheio de cor.

Todo charme de menina,
É paixão bem-vinda,
Todo trejeito dado,
A faz tão mais linda.

Talvez deva só cantar,
O frevo do meu peito,
Que começa a tocar,
Sempre que ela aproxima,
Me sinto ladeira  acima.

Moça desenhada em flor,
Quero seu riso primeiro,
Como meu sonho certeiro,
Uma vida à dois tão amor.

Todo seu encanto atina,
Pra o nosso nós dois,
Algo quase encantado,
De ser pra hoje e depois.

Talvez seja só sorrir,
Pois é graças a seu efeito,
Que a alegria não para de me vir,
Quem sabe ela entende assim,
Que só quero ela perto de mim.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Desejo

Ter me visto com alguém novo, depois de todo esse tempo, depois de tudo que você foi, depois de esperar tanto pelo retorno de nós dois, a quietude, a sobriedade, a falsa normalidade, me dói, como uma queimadura, como se, mesmo depois de tanto, ainda não estivesse pronta pra vivências futuras.

Se eu tivesse visto que nos seus olhos não havia futuro pra gente, não teria havido uma nova tentativa, sua última saída sequer teve um adeus, fiquei só, com arrependimentos meus que deveriam ser exclusivamente seus, causados apenas pelas juras que você nos prometeu.

A única promessa que mantenho hoje é não desistir, na verdade, não resistir, ao toque de outro alguém, quem sabe eu não encontro um ser de bem? Provavelmente não vou conseguir, já que eu mesma não consigo exalar alegria, simplesmente porque eu me importo demais.
Demasiada é a sensação de irritabilidade quando lembro que você poderia ter dito, senão em versos bonitos, a verdade sobre nós: não ia ser infinito. Mas você preferiu manter isso, como tantas outras coisas mais, em segredo e aí, quando o nó nosso se desfez, eu fiquei meio perdida, meio solitária, você poderia ter dito apenas que as coisas entre a gente não estavam sendo como você esperava.

Espero que você seja feliz, porque se eu lhe desejasse algo diferente, provavelmente iria atrair isso pra mim, então melhor ser assim. Desejo o melhor pra você, tal igual desejo o melhor pra mim, como já desejei uma infinidade de felicidade pra gente, e agora tenho de rezar pra que seja com pessoas diferentes.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Appeal

Os lábios, fortes, chamativos, quase vivos, clamados pelos meus, tão ateus, como se provocassem algo em mim, um fogo forte assim, que não dá pra descrever, que nem eu sei entender.

Antes que eu possa sequer assimilar o efeito que me fazem, ela os arqueia e entrega o sorriso, imperfeito, por trejeito, em algumas raras vezes, exibindo um lado tímido, um semblante sem jeito. Não é o mais lindo, mas um dos mais bem-vindos, divertem grande parte do meu ser com apenas um vislumbrar.

Deslumbrado eu fico, pelo olhar, tão rico, quase sempre, sorrindo, intimidando, todas as vezes me atraindo, me roubando. Dono de um poder que não consigo contabilizar e olha que eu sempre fui muito bom com números, contudo, enumerar o charme dela é algo que pareço não ser capaz. Ela é dona de um appeal que só ela parece ter: provoca, desfoca e evoca, algo aqui dentro que me desperta os melhores sentimentos, que me faz ser grato por estar ali, mesmo que só como expectador.
Mesmo sem ter expectativa, por saber que, racionalmente, não faz sentido tê-las, ainda assim, gosto de imaginar como seria um noite em que ela se deixasse levar pelos meus convites. Uma noite só em que eu não fosse o único a ultrapassar alguns limites. Entretanto, o fruto que sou, nem sei se ela sequer, algum dia, já provou, logo, resta apenas desejar mais da pele alva, dos cabelos negros, da dança morena, que ela exibe sempre que nos encontramos.

E eu encontro nela, a perspectiva que os sorrisos são sim, a parte mais atraente que alguém pode usar contra mim. Quem sabe, dia desses eu não degusto enfim, do sabor que já me causa tanto furor, do arfar dela, que me libertará dessa cela, em que me coloquei, desde que, pelo appeal dela me viciei.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Desdobrar

Estou cego? Sua mão se moveu pra longe da minha, e eu considero isso um sinal, ultrapassamos aquela linha? Sinto que a partir disso, você é um tudo, menos minha e, surpreendentemente, não estou mal com essa percepção. Isso não torna uma pessoa fria, isso não diminui minha esperança sobre o futuro, você sabe o quanto eu aprecio o que vivenciamos.

Viver é mudar a cada instante, então entre dobras causadas pelo tempo, melhor deixar desdobrar. Não deixarei o que é nosso cair na caixa do não-dito, mesmo que não seja tão bonito, mesmo que não sigamos pro infinito, acho melhor desdobrarmos o que sentimos, revelar o que não sentimos e aceitarmos o que tiver de ser.
Na minha cabeça, seremos sempre algo bom. Mácula, mágoa e rancor, disso eu não consigo dispor. É que aprendi, faz tempo, que carregar algo negativo nos torna menos vivos, então, não existe um bom motivo, para eu associar-lhe a qualquer pensamento ruim. Na minha mente, você me diz coisas que nunca disse e jamais dirá, por isso escolhi esquecer, pegar o bom e abandonar o resto. Logo, as ilusões ficarão velhas e serão sobrepostas pelas novas dobras que vida trouxer.

Trago comigo, apenas duas situações: o cigarro que levo a boca, mesmo tendo prometido a mim mesmo que não mais iria fumar e a percepção que você não responderia quando eu lhe ligasse, apesar de eu estar pronto pra lhe dar tudo. O que os olhos não veem, o coração não sente, mas isso não significa que você não foi minha, o sentimento pode ter mudado, porém ele nunca morre, continua e continua, não desdobrado como eu gostaria, agora amarrotado, esquecido, num canto qualquer, das lembranças que meu peito teima em não esquecer.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sentidos

Eu a conheci fora de mim. Era tão eu quanto não era, e quando dei por mim, já estava ali, de frente a ela, encarando, desejando.

Desejei seguir o som que ecoava, fechei os olhos e também todos meus outros sentidos, e naquele som me deixei flutuar. O controle quase mínimo que tinha do meu corpo se foi de vez, embarquei numa viagem que poucas vezes na vida experimentei. Percebi ali, que tudo o que eu tinha, daria a ela, só pra poder me manter naquele estado de espirito. Só pra continuar me perdendo.

Perdido, recuperei o mínimo controle que tinha de mim. Sabia que o momento era inapropriado, mas eu nunca esperei momentos certos pra fazer o errado. Fui até a frente do palco e, pra minha grata surpresa, ela parecia partilhar do mesmo transe que me impusera sem nem sequer me notar. Meus olhos que falhavam até então, voltaram ao funcionamento pleno e, como se impregnado por algum tipo de veneno, me vi hipnotizado pelas curvas que a dança dela, tímida, quase singela, me impuseram. Naquele instante eu era só visão, e meus olhos só captavam uma imagem: a dela, transpirando liberdade.

Decidi aí, me libertar através da voz que surgiu antes que eu pudesse controlar:

-Eu caso com você! - gritei sem nem notar o quão louco poderia soar. O quão perdido eu parecia estar. E a reação dela foi pro meu deleitar. Um sorriso, de educação, um olhar, confuso, com a minha nada sóbria entonação.
Entoei pra mim mesmo, que deveria ficar mais a esmo. Deixei meu paladar tomar conta. Liberei meus outros sentidos, pra com mais éter me associar. Foi aí que trocamos palavras poucas, provavelmente com vozes roucas. O riso dela era de diversão, o meu, quase tenho certeza, de excitação. Um nome, era tudo que precisava naquele tempo.

O tempo passou e trocamos várias palavras, ela sempre evasiva, porque, talvez, esse seja seu maior charme, tão puro, quase lasciva. E, sem perceber, a gente se reencontrava, sempre com sorrisos, repetindo o primeiro encontro: eu, na frente do seu palco, suspirando vontade, ela rindo, hesitando à minha sinceridade. Mais o que mais me agrada, são os encontros que temos após seu som parar, um abraço forte, e nos meus braços, consigo sentir um toque capaz de arrepiar. Como se meu tato fosse tudo que eu precisasse pra falar, que um pouco dela ainda preciso provar.

Prova essa, que, entre tantos desencontros encontrados, vou enxugando um pouco do gelo que ela constantemente impõe pra tantos outros que tentam alcançá-la. Fico apenas na esperança de ter mais sorte, vai que meu santo é forte e ela, um dia desses qualquer, se pega lembrando do cheiro que lhe dou, até porque adoro o aroma que ela emana, gosto principalmente do jeito dela de ser meio humana, um pouco profana. Gosto, excepcionalmente, de como ela sorri, de como ela faz eu me divertir, como ela, de uma forma única, foi capaz de conquistar todos meus sentidos e, ainda assim, eu lhe ser um fruto proibido.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Acender

Eu me sinto mais confortável da forma clássica: embaixo das cobertas, me escondendo. Pena que não posso usar essa tática quando se trata do que sinto por você. Pena que você não ouve o que eu falo pra mim, é difícil lidar com o que está acontecendo, pois eu nunca me senti desse jeito.

Talvez tenha sido esse seu jeito inédito, que demonstrou encanto pelas minhas palavras erradas, e agora, estou meio que perdida no escuro; queria tanto que você deixasse as coisas mais às claras, queria tanto que existisse um interruptor para que eu pudesse acender as luzes e assim conseguisse entender melhor a situação.
O irônico é que, situada ou não, talvez eu continuasse a me sentir tão transparente no ar, porque toda vez que você chega e comenta sobre minha aura lhe encantar, sinto que estou sumindo, desaparecendo na minha timidez que não dá pra controlar. Eu ainda quero me afogar nessa sensação que começa quando você me beija sem avisar, e quase chego a pedir pra que você me ensine, delicadamente, como voltar a respirar.

O arfar da minha respiração, ao fim dos seus beijos, é o mesmo de quem acabou de atravessar um oceano. Meu coração fica descompassado, loucamente alucinado, se chocando contra a gaiola de ossos que o prende no meu peito, urrando pra você sentir como eu me sinto também; tentando em vão refletir as imagens que meus olhos captam em você, tentando normalizar que todo esse sentimento que você exprime em palavras é recíproco por aqui também, que não restrição aqui dentro.

Só que minha boca se restringe num sorriso. Você diz adorar essa resposta, todavia, gostaria poder explicar toda a alegria, que você causa em mim. Queria mesmo acender as luzes pra você enxergar exatamente o que sinto sempre que estamos juntos.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Sensacional

Você é hipnotizante,
Poderia ser o inferno,
Com sabor de paraíso,
Seu toque magnetizante,
Me faz flutuar,
Deixe-me irradiar.

Mandaram-me ter cautela,
O normal era ter medo,
Algo em você é especial,
Sua aura tão bela,
Guarda algum segredo,
Além do bem e do mal.

Beije-me forte,
Infecte-me com seu amor,
Destrua-me com seu veneno,
Quebre minha sorte,
Teste meu pudor.

Você é sobrenatural,
Seu olhar parece eterno,
Poderoso como um sorriso,
Seu aroma é descomunal,
Me faz arrepiar,
Deixe-me aproveitar.

Sabia da sua beleza,
Mas tem algo a mais,
Que não está no exterior,
Um ar de realeza,
Que me rouba a paz,
Escondido no seu interior.

Beije-me com vontade,
Infecte-me com líbido,
Destrua meu mundo sereno,
Quebre minha saudade,
Teste o proibido.

Isso é transcendental,
Arde todo meu ser,
Afoga o meu querer,
Sufoca meu entender,
Enterra meu saber,
Faz-me um bem sensacional.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Costume

Posso fazer muito melhor no primeiro encontro, do que você experimentou até então, não preciso nem me mudar, é que tem algo em mim que você dificilmente vai achar em outro lugar: essa minha vontade, que, com sorte vai virar costume, de querer lhe fazer brilhar.

Contudo, existe sim a possibilidade das estrelas não brilharem durante nossa primeira noite, na verdade, acho até justo, porque, sinceramente, como poderia prestar atenção no céu, quando tenho o seu olhar? Então, minha flor, está bem pra mim, desde que você esteja ali, desde que você dê uma chance de ficarmos afim, podemos dar tempo ao tempo, não precisamos do seu ontem, nem do meu amanhã, precisamos do agora, quando você achar que juntos, seremos presente.

Vou me sentir presenteado por cada detalhe seu que eu observar, e se há limites num primeiro papear, eu deixarei você cruzá-los, estou com essa sensação que você pode quebrar os meus limites, já que estrelas não se prendem a leis costumeiras.

Tenho esse único costume de gostar de buscar sorrisos o tempo todo, você já deve ter percebido isso, pelo tanto de vezes que se pegou corada ao me encontrar encarando seus risos e olhares que não paravam de brilhar. Se você me quer, diga-me, como o fez após nosso primeiro beijo, e não precisa nem ser com palavras, afinal, aonde você quer ir, não há necessidade de falar, eu já sei, se você quer tanto quanto eu, por que não irmos?
Iremos enfim pra onde for bom pra ambos, onde os costumes serão nada mais do que risos soltos, permitidos, sem pretensões, sem ilusões, sem associações. Apenas o que nos é bom. Seu riso, minha barba no seu pescoço, seu nariz no meu cangote, uns beijos roubados, olhares intrigados... Acho gosto disso tudo misturado, sem nada planejado além da sua companhia, um costume de alegria.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Despertar

Devia ser só um papear, só prosa jogada fora, só pro tempo passar, pra sociabilizar, mas o seu sorriso, desde o primeiro vislumbre meu, remexeu algo dentro de mim, como se há tempos eu não tivesse algo assim. Não é como se fosse novidade, vira e mexe a gente encontra gente que tem dessa qualidade, que é de sorrisos despertar.
Despertei de uma longa jornada acinzentada, como se seu riso fosse capaz de colorir muito mais do que eu poderia prever. E nas palavras trocadas, quis me fazer continuar por ali, porque sua presença, sua aura tão boa, me fazia tão bem. Pena eu não saber fazer como perdurar e logo me vi forçado a um beijo seu ter de roubar.

Como todo roubo, não sei se podia, não sei se devia, mas eu queria, e como queria. Porque, de alguma forma, eu já sabia, que assim que fizesse seu olhar se perder, algo em você eu iria despertar. Tinha esperanças que fosse algo equivalente ao que já estava dentro de mim, e pelo riso que você me deu em resposta, aparentemente eu consegui, e isso me encheu de graça.

Engraçado é que, passado aquele momento, fiquei com esse estranho sentimento, que preciso lhe reencontrar, porque o despertar não foi o bastante, o sorriso radiante que eu vi não foi o suficiente, e agora, gosto da ideia de lhe colocar no meu presente. Sim, essa é uma ideia boa, você sendo meu presente, você, seu olhar capaz de me hipnotizar e seu sorriso que, só de lembrar, faz eu me arrepiar.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Queimar

Um calor intenso,
Você me derrete,
Em cada beijo nosso,
Que se repete,
Apaga o que penso,
Leva tudo que posso.

Não era o que você queria,
Mas terá de esperar,
Pelo que virá,
Vai valer cada dia,
Do seu aguardar.

Será tão quente,
Tanto como o fogo,
Você vai voar,
De tão ardente,
Num beijar, no arfar,
Esse é o nosso jogo.

Você não devia,
Ter pensado tanto,
Naquele ponto,
Eu estava pronto,
Não tinha nenhum canto,
Pra onde você iria.

Gosto do seu hesitar,
Me fez lhe desejar,
Com sinceridade,
Quicá voracidade,
E você é especial,
Com esse riso sensual.

Agora voltamos o que tinha,
Então não perca o que há,
Fomos feitos pra queimar,
Você será minha,
Tanto quanto serei seu,
Não ficará sozinha,
Pois somos o furto de Prometeu.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Peito Rima

Que meu peito rima, não é novidade pra ninguém, é algo que me faz bem, que me faz ser esse louco alguém, de risos soltos, de frevo todo. Por ter um batucado assim no coração, eu já procurei alguém que se derrame, também já esperei alguém leve, entretanto, foi você que não fazia plano, que foi a melhor parte do meu último ano. Gosto da nossa história à dois.

Nós dois, dos tipos tão diferentes, nos juntamos pra ver no que dava, era pra ser um beijo de uma noite só, como diz aquela música que você disse ser sua, sem saber, até então, que era uma das duas, da minha banda favorita, que eu achava tão bonita, que ansiava encontrar uma alguém pra atribuir; pra dedicar.

Dediquei tantos risos e, por consequência direta, boas recordações eclodiram por inteiro. Na época, não quis assumir um fato: de que, por você, criei sentimentos, porque aquilo não era o que eu desejava naquele momento. Você pregava algo parecido, então não tinha problema manter escondido, o tal do sentimento que não nos faria sentido. Todavia, hoje, sabemos que não me sai muito bem, a gente cultivou tanto em mim quanto em você, tanto foi que fomos até além. E quando nos demos conta, já tínhamos ultrapassado aquela relação que só deveria ser uma ponta.
Pontuamos assim, que era melhor pôr um fim, mesmo nunca tendo sido explicito, você afirmou que era muito mais por mim, que seu caso era por não conseguir deixar de lado o passado, que não era pra eu me sentir culpado. Eu nunca me senti. É que eu sei, e sabia, o que eu quero, o que eu queria, e você meio que me libertou de algo que, minha última vivência à dois, infelizmente, me impedia.

Cancelado o impedimento, seguimos em frente, com nossos jeitos diferentes e, no reencontro, fiquei feliz por lhe ver, mas triste por um só ponto: o tal sentimento que outrora por você eu nutria, tinha se esvaído, e agora, pra quem é que minha mente iria, naqueles loucos pensamentos de todo dia, que eu tinha sempre que deitava a cabeça no travesseiro e não dormia? Sinto falta disso, sabe? De lembrar de você e suspirar por não poder mais lhe provar.

Sei que provavelmente é porque eu meio que nunca vivi muito tempo sem me apaixonar, e agora, desde que por você deixou de me ser tão inspiradora, sinto que deveria estar lamentando, só que eu nem tenho tempo fazê-lo, mesmo que eu quisesse, afinal, o fim do sentimento não é de todo mal, já chegou o carnaval e eu vou ladeira abaixo; vou frevo acima, porque não importa se isso no meu peito rima, pois sempre foi me perdendo que melhor eu me acho.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Anarquia

De muitos jeitos,
Vamos sentir saudades,
Desses bons atuais tempos,
Dos tantos e tão poucos dias,
De toda a insanidade,
Que em vão, cometemos.

Não era preu me entregar assim,
Um beijo seu, e eu já não sabia,
O que era eu, o que era fim,
Só sentia que era pura anarquia,
Dentro do meu peito,
Totalmente ébrio ao seu efeito.

Sim dói dizer,
É orgulho, não prazer,
Mas eu ainda quero você,
Então, se puder, não se vá,
Meio que ainda há,
Algo pra se aproveitar.

Em algum passado,
O divertido era o errado,
Agora, o sempre certo,
Me fez fugir,
E seu coração aberto,
Ficou fadado a ruir.

É que promessas são assim,
Se quebram quando são feitas,
Não tiro a culpa de mim,
É que nunca fui perfeita,
E você é de boa aura afim.

Todos tem a mesma opinião,
Me falta profundidade,
E eu devo deixar aquilo de lado,
Mas, talvez, eu seja covarde,
Não é só meu coração que arde,
Minha mente teme o seu não,
Teme saber a sua dura verdade.

Mas você vem me dizer que está bem,
Querido, não minta sobre o além,
Sabemos do seu sentimento,
E se ainda quer ficar comigo,
Você tem algum problema,
Porque eu sou como o vento,
Não quero nenhum abrigo,
Muito menos os seus poemas.

Veja, enquanto sozinhos,
Resistimos e não saímos do caminho,
Juntos, nos aproveitamos,
Porém, meio que desabamos,
Praquele ponto contumaz,
De dar a alguém a minha paz,
E isso eu não quero nunca mais.

Quem sabe, algum dia,
Estou trabalhando no que sinto,
E se, às vezes eu minto,
Não é por ousadia,
É que eu meio que tenho medo,
E se pra você não é segredo,
Pra mim eles são anarquia.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Perdido

Você tem todas as respostas. São àquelas que lhe dei no meu último sorriso, tão faceiro, tão bobo, tão entregue, que ainda me enrubesce só de lembrar. E é algo bom de sentir, o comichão que se espalha pelo meu rosto, me fazendo rir com gosto.
Eu gosto da ideia de passar mais um tempo ao seu lado. Nossa sincronia é tão boa que não me surpreendi quando você disse que gostava tanto do tempo que passamos juntos. Só que é nessa junção aí que eu me perco ao invés de me achar, o que só torna tudo mais aprazível ainda. Vai ver é exatamente isso que torna tudo mais interessante, que a eu me sinto todo perdido por você, todo perdido pelo que há no seu olhar, sempre que interrompo um dos nossos beijos que acabei de roubar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Mesmo Ponto

-A gente sempre volta pro mesmo ponto não é? Você falar o que quer, e eu deixo ser bem o que já é. Parece que eu me importo tanto, mas, minha querida, eu nunca fui um santo e ele fez uma pausa para os olhos ébrios dela encarar  Eu viajei muitas vidas e vim parar no seu sorriso por algum motivo. Não tinha como saber, na época, mas foi pra eu me libertar do que eu negava ainda estar preso. Obrigado por isso. Eu tive tantas noites ao seu lado, e apesar de saber que meio que é errado, ainda quero mais um pouco.
-Você é louco.
-Eu sempre lhe disse isso  e com um toque na nuca dela se aproximou num caminho que não percorria a meses. Um caminho prum beijo que não resistia a roubar.

Mais um beijo roubado. Um beijo que a saudade havia solicitado. Um beijo que os olhos, se pudessem, teriam dado desde o momento que foram sincronizados. Um beijo que ele tentou negar desde o momento que a  reencontrou.

Um reencontro em que ele se viu forçado a readmitir que o sentimento que havia, não era algo que mal lhe fazia, era uma lembrança boa, a lembrança de uma das melhores pessoas, que ele teve o prazer de se inspirar pra escrever. De um dos poucos romances da sua história que permaneceriam na memória, que não iriam embora após passar o verão.

Pois enquanto o verão passava lá fora, o carnaval viria chamá-lo pra a aproveitar a hora, e ele não iria fazer nada diferente disso. Viveria sua vida em sua plenitude, já que prometera que não pararia pra esperar pela moça do coração trancado. Ele não desistiria, apenas decidira que não esperaria, se fosse pra ser, que fosse quando tivesse que ser, e naquele momento era pra seguirem em frente.
Sim ele seguiria em frente, guardando a certeza que, se tivesse que ser, um dia eles voltariam para o mesmo ponto, pois, independente de ela manter ou não um tranca em seu coração, ainda assim, ela seria amada.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Carnavalizar

Calor torturante,
Encontrei o alívio,
A água era ardente,
Ainda bem, estou vivo,
Esse é meu compromisso.

As ladeiras se balançam,
Não é um terremoto,
Toca frevo e todos dançam,
Porque é natural se contagiar,
É tão bom carnavalizar.

Chegue mais perto,
E então você vai ver,
Talvez eu seja cara certo,
O que mais vai transbordar,
E se eu lhe fizer algum mal,
Relaxe, ainda é carnaval.

Corações vão ser quebrados,
Ombros vão ser reutilizados,
Lágrimas e beijos roubados,
Nada importa pra mim,
Desde que isso não tenha fim.

E eu sei o que procuro lá,
Eu só quero me achar,
Sei que posso me perder,
Mas se isso acontecer,
É porque era de enlouquecer.

Chegue mais perto,
E então você vai sentir,
Isso eu lhe alerto,
O melhor ainda está pra chegar,
Porque ser carnavalizar é assim,
Um ano todo de alegria enfim.

Na sua mente, um milhão de pessoas,
E às noites que seguem os dias,
Serão repletas de memórias boas,
Quando o amanhã chegar pra subir,
É sinal que o tempo voa,
Logo mais juntos novamente,
Até lá, seja de carnavalizar,
E você será vida toda de sorrir.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Fugaz

A vida se remete ao que se faz, e isso é tão fugaz, mas é, de certo modo, tão bom. Quantas, tantas, santas, certezas tão incertas tive de deixar pra trás? E que, apesar de toda a momentânea felicidade que me foi brindada, as alegrias de curto prazo foram praticamente todas esquecidas, como as sementes das frutas que não plantamos, das lições que não anotamos.

Bem, eu gostaria de ter anotado um tanto mais, porém, viajar no tempo não é algo que me seja capaz, logo me resta apenas sorrir para o que ficou pra trás, e saber que, muito provavelmente, a mais importante delas foi riscada de caneta permanente no meu peito. No final, tudo pra mim se resume ao amor.
O meu amor, paralelamente, é tudo o que sou, e, eu tenho a grata noção que estive compartilhando o que eu podia partilhar. Porque se você cultiva um pouco de amor, você pode acabar germinando amor próprio, e quando o faz, percebe que há muito mais o que buscar, que a vida não é a única coisa que vale a pena, porque a vida é passageira, mas o amor não. Sim, eu te amo, e um amor nunca é fugaz.

Sei que demorei a notar, sei, principalmente, o quanto tentei não aceitar, mas era algo que, inevitavelmente, eu teria de admitir, e agora que o fiz, meus lábios não param de sorrir por algo que meu coração me tortura por pensar que talvez eu não consiga lhe dizer antes de você partir.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O Que Restou

Durante toda minha vida, até conhecê-la, escolhi a dedo os amores que deixaria entrar, contudo, estranhamente com ela, foi um caso a parte, uma obra de arte. Veja bem, sempre gostei de ser o protagonista do romance, o mocinho e vilão, o malandro e mané, que, acima de tudo, no amor tinha fé, e que quando finalmente o alcançasse, seria graças a conquista que eu arquitetasse. Pois bem, com ela foi bem diferente e, aparentemente, foi essa vertente, que me deixou mais contente, sem notar ainda, que ela me manteria em carcere.

Pela primeira vez eu era cativo. Sim, cativo porque ela quem me cativou. Ela que me filmou, desenhou e planejou. Ela veio sabendo de tudo um pouco, dizendo que não tinha problema eu ser meio louco, que gostava do jeito que eu era. E aí, seguindo a premissa que tinha na época, de se derramar, eu acabei deixando ela entrar e ronronar, como uma felina entre passarinhos, como uma predadora que se acomoda num ninho.

Sim ela era uma estranha no ninho, até então, todas que haviam feito parte do meu caminho, eram pacientes e leves, mas ela não, era carregada e breve, como se mesmo todos meus poemas, jamais pudessem diluir os seus problemas. Sim, ela dizia que eu era solução, entretanto, a verdade é que eu estava mais pra solvente, um remédio pra curar a dor pungente, dos amores que a fizeram ter um coração tão doente. Só que, como previsto, eu não fui capaz de tanto, eu curei sim, tanto dos seus prantos, porém, as camadas mais internas me foram vetadas, porque ela, apesar de jurar, nunca acreditou que eu era o príncipe de seu conto de fadas, e mesmo assim, eu tentei o que podia, tentei trazer um pouco de alegria ao seu dia-a-dia.
E foi bem legal tentar, mesmo que não fosse pra eternizar. Durante todo o trajeto eu sentia um pesar, que ela não ia se deixar levar, que ela tinha seu próprio pesar, e não cabia a mim tentar carregar, que pena! Ela tinha concepções muito fortes do mundo e mesmo me deixando mergulhar tão fundo, eu só pude ser expectador de sua dor, só pude ser mais uma passageiro.

A passagem que deveria ser eterna, findar-se-ou. Durante tanto tempo a gente tentou, até que tivemos a sobriedade de admitir que não era pra ser e aí não foi. O que restou foi um bom sentimento e tantos textos e versos ao vento. O que restou foi um carinho imenso e a certeza que, apesar das lembranças ruins, existem o dobro de memórias boas em mim. O que restou foi a sensação boa, que ela é uma excelente pessoa. O que restou foi a conclusão que, com tudo que tivemos a dois, amor não foi.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

És

A terra firme em meus pés,
O fogo que arde a pele,
A maior volúpia é o que és,
Uma incerteza cruel,
Olhos cor de, lábios de mel.

Só tu tens esse tom,
Que ousadia vem com,
Um riso provocador,
Atrai, extrai, retrai,
És uma tormenta camuflada,
Um pecado desenhado como flor.

A água que mata a sede,
O ar que me enche os pulmões,
És um calabouço sem paredes,
Uma arapuca disfarçada de arte,
Quase um erro desejar-te.

Não lamento tê-lo feito,
Gosto desse efeito,
Aceito o risco de perder,
Sou, vou, estou,
Disposto a enlouquecer,
Já que és âncora bordada.

És um desejo seguro,
Firme e forte na decisão,
Porque não é qualquer coração,
Que há de roubar seu futuro,
Há de ser uns risos no olhar,
E isso, pra ti, eu tenho a sobrar.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Valsar

Eu quero você. O simples querer. Não é posse, não numa única dose, quero você aqui, pra me fazer sorrir, pra não me sentir sozinho novamente, pra me fazer mais parecido com oque tenho escrito sobre mim.

Não precisa de ensaio não. Quero sentir você ao meu lado, mesmo que as coisas deem errado. Gosto do seu cheiro, do hálito, do riso abobado. Podemos formar um bom par, daqueles de fazer todo mundo parar pra olhar a nossa valsa boa de admirar.
Podemos valsar sob o chão, podemos dançar no seu coração, porque eu sei que independente da opção, você nunca experimentou algo assim, e nós já comentamos sobre isso, entre tantos risos divertidos trocados, roubados, que alguns poderiam chamar de apaixonados, mas nós não, temos essa boa concepção, que não adianta colocar rótulos nessa boa sensação, que quanto mais simples for, mais fácil será de aproveitar.

Quero você pra valsar, quero você dançando, no olhar ao me captar, num beijo que vou roubar, em tantos passos chapados rumo ao paraíso, numa noite toda que também pode ser de dia, numa situação em que eu não me importe de admitir o quanto quero você, porque sabemos que eu não deveria falar isso assim, afinal você pode ter uma percepção errada sobre mim.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Maldito Sortudo

Sombras não são as únicas a tentarem tomar o lugar que você deixou, provavelmente porque minha mente ainda está preocupada com o vazio, já que, alguma parte de mim ainda associa sua presença ao frio. E destruir essa imagem é revisitar seu sorriso, uma perda de tempo, um trabalho de deslegitimizar um amor que por mais que não goste de ter sentido, faz parte da vida que tenho vivido. A melhor solução foi mesmo alocar um alguém pro lugar que não parecia lhe fazer bem e você e todos os outros podem pensar que eu fui rápida demais, ou que premeditei tudo isso, contudo, a verdade é que apenas quis pular os episódios dolorosos que já havia visitado anteriormente.
Se conseguiu sorrir por si só, é realmente um sortudo, porque a maioria das pessoas, assim como eu, quando imersos numa perda, ficam com os pulmões danificados, como se respirar após ter o coração partido, fosse algo extremamente dolorido, como se levantar da cama pra seguir em frente, fosse uma batalha incoerente. Se eu tivesse me deixado afogar, provavelmente iria querer gritar, mas a voz não pareceria funcionar, só os canais lacrimais iriam estar prontos pra operar, e a posição fetal era a que menos incomodaria. Seriam dias ruins, dias a serem superados, dias a serem deixados de lado, desde que me jogasse num caminho errado. Colecionando nomes de amantes que não mereceriam nem mesmo serem citados. Entende então por que preferia não seguir por esse lado?

Nós fomos imprudentes, abusamos do ideal da juventude selvagem, perseguindo visões deturpadas dos nossos futuros mágicos, pois sabíamos que nada seria como dizíamos que ia ser, mesmo assim fizemos planos, tantos, e o que sobraram deles foram amargura, aos prantos, por tudo que não pudemos cumprir. Hoje posso revelar a verdade que assassinamos tantas possibilidades, só por criá-las sem nem um pingo de responsabilidade ou veracidade, apenas pelo desejo de uma irreal felicidade.

Soube que você anda por aí, perseguindo ideais mais absurdos do que o que costumávamos almejar, e só posso lhe deixar o meu pesar, já que, você, muito provavelmente, tem tanto ainda por sangrar, até admitir que a vida é pior do que parece ser. Porque a maioria dos nossos sentimentos, mesmo mortos e tendo ido embora, ainda me fazem pensar que você deveria parar agora. Acabar com essa mania de sorrir a toda hora, por favor, pare. Eu odeio saber que você ainda tem tanto daquele que amei com tanta intensidade. Nós quebramos um ao outro, então por favor, cresça e vá em frente, não seja aquele idiota sorridente que me fez tão feliz.

Você não sabe, contudo, mesmo estando onde estou, realizando todos os pontos sãos pra me adequar a sociedade, ainda assim, sou apenas uma silhueta perdida. Um rosto sem vida que você logo esquecerá. Mesmo sem querer admitir, às vezes deixo meus olhos umedecerem ao visitar as palavras que você me dedicou, deixando minha cabeça digerir o que você partiu no meu peito, buscando o pungente efeito que você me deu ao começar a arruinar o que parecíamos partilhar.

Se você consegue seguir só por seu caminho, então é um maldito sortudo, porque a maioria das pessoas precisa de alguém pra seguir adiante. Precisa de alguém pra distrair o coração das saudades que sentem dos amores anteriores. E sim, ainda sinto falta de você, mesmo sabendo que nós dois já não eramos mais pra ser.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sabor

A sensação lasciva começava no olhar, quando ao vislumbrar a silhueta, seus lábios já conseguiam o sabor dela parecer provar. Era uma fração de segundos, antes dos olhos fechar, antes dos lábios roubar, antes da luxúria se liberar. A porta raramente era fechada antes de ele tomá-la pra si. A nuca se eriçava à sua respiração, um gemido no seu ouvido pra lhe aumentar o tesão, com uma perna ele encostava a porta, com uma manobra um pouco torta, ela trancava a entrada para ficarem em paz.

Nenhuma palavra era trocada, eles se equilibravam, atracados, tentando desviar dos objetos nos cômodos que não eram o quarto. Não havia exatamente um ritual, mas, basicamente, ele a erguia para si com uma facilidade que ainda a surpreendia. Talvez fosse a excitação, muito provavelmente era a falta de qualquer hesitação, é só que ele conseguia facilmente içá-la do chão, e num movimento quase ensaiado, o corpo dela, no dele era encaixado.

Arfar. Ela gostava de sentir deixar levar. Respiração acelerada, vontade transbordada. A camisa dele poderia ser rasgada, contanto que ela pudesse, o mais breve possível, saborear cada pedaço que conseguisse abocanhar da pele dele.

Era o barulho de protesto das molas da cama, que os fazia interromper, momentaneamente, toda a vontade que já podia ser contida. Eles se encaravam, gargalhavam, e em algumas vezes até comentavam, mas rapidamente, o encarar de olhar, os lábios longe, sem se roçar, fazia-os esquecer o que quer que fossem conversar.

A partir daí era cada um por si, e todos por uma resposta só: um prazer que fazia o corpo dos dois se encaixar no melhor nó. Beijos pelas peles suadas, línguas misturadas na tentativa de aplacar uma vontade que não podia ser mensurada. As últimas peças voavam pra longe, quando ele fazia questão de imobilizá-la.

Era o sabor dela que o deixava louco. E ele sabia que deveria aproveitar aos poucos. Deixava seus lábios começarem pelo pescoço, vira e mexe acabam nas línguas dela. Usava os dentes para morder cada detalhe que pudesse eriçar. Usava a barba pra arrepiar. Ela suspirava, arfava, gemia. Ele não podia conter sua euforia. Depois de permanecer por um bom tempo no busto, provocava lentamente em todo o caminho que levava até o alvo. Quando finalmente chegava, sua língua estava ensopada. Ele não sabia dizer se vinha dele ou dela, não importava, o sabor dali era algo que sua mente acabava. Enquanto estava ali, não havia outro pensamento, havia um animal, pronto pra ser acionado, assim que fosse chamado. E ela chamava. Logo depois de se contorcer de prazer, logo depois do corpo todo se estremecer ao toque dele. Quando finalmente entrava, a luxúria em muito já havia sido superada.
Posições diferentes, toques fortes, sutis, desalinhados, independentes. Eles iam dançando, encaixando, sorrindo, gozando. O prazer em si não era o resultado e sim toda a trajetória e quando paravam, finalmente paravam, exaustos, exauridos, se encaravam, gargalhavam.

Ele lambia o lábio, ela ria sem jeito e olhava pro teto. Um carinho com ternura, um aviso que aquele prazer era apenas uma parcela de toda a usura, que ainda teriam de pagar em outras noites futuras. Que bom então, afinal, o sabor dela era descomunal. Quem bom então, até porque, eles se entendiam muito bem obrigado.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Moça de Samba

Eu quero um frevo,
Que fanfarre assim,
Feito só pra mim,
Quero frevar,
Porque de carnaval eu sou,
E o ano todo passou,
Pra ladeiras eu pintar de amor.

Lá vem a moça de samba,
Com um olhar tão forte,
Que eu agradeço pela sorte,
De ela deixar tão bamba,
Minha risada e meu peito,
Já que lhes é causa e efeito.

Ela parece decidida,
A me hipnotizar,
Com essa troca de olhar,
Quase que escondida,
Que é pra ninguém reparar,
Como ela gosta de me conquistar.

E com o primeiro dia,
Ela também se vai,
Quatro dias ainda tem,
A cerveja me cria uma paz,
Fazendo-me sorriso e além,
Porque não há problema,
Se a moça se despede com desdém.

É com euforia,
Que meu sorriso sai,
Quando ela me vem,
E com um beijo desfaz,
Toda dúvida que meu peito tem,
E me cria um dilema,
Se meu carnaval é ela e mais ninguém.

Eu quero um frevo,
Eterno pra mim,
Pro carnaval não ter fim,
Quero ladeira pular,
Porque um fevereiro eu sou,
E é com essa moça que vou,
Escrever nas ladeiras nosso amor.