sexta-feira, 31 de julho de 2015

Arritmia

Eu tenho um pressentimento que nossos corpos vão se encaixar tão bem como nossas mentes e auras parecem ter se encaixado; não preciso nem me esforçar pra visualizar suas várias formas de sorrir encantando todo meu eu e seus olhos brilhantes me fazendo mergulhar fundo nessa Arritmia que pareço ter encontrado em você, mesmo que eu nem estivesse procurando mais.

Soa como um Dejá Vù, como se já soubesse de tudo: iria mesmo lhe conhecer bem agora, antes da idade premeditada pra ser certa, na hora exata em que nossas auras boas se atraíssem! É bem difícil segurar minha língua que fica querendo admitir o quanto antes, que no mínimo, eu já estou ligado em você, porque ainda estamos nessa fase charmosa, nessa fase de admirar, mas seus olhos dizem muito mais do que você poderia falar; eles transmitem esse calor que é mais intenso que o mormaço de Recife numa noite de verão sem vento; e seu riso, esse riso me quebra, me faz querer provar o gosto dos seu lábios, sim, minha flor, é tudo isso que eu preciso, porque meu coração aos poucos, está soando louco, com essa falta de regularidade nas pulsações.

A minha maior vontade? É mergulhar com você agora. Pegar sua mão e mergulhar, vou nos afundar nessa vontade compartilhada, pra que possamos respirar essa novidade que parece nos animar tanto. E se for, vai ser, e se não for, ainda será, porque é o que é, o que já foi, o que está sendo, memórias criadas, possibilidades exaltadas, sim, sim, umas possibilidades quase que encantadas.
Quando eu pressionar minha orelha no seu peito, poderei ouvir um ritmo mágico que parece batucar no meu? Vai ser difícil diferenciá-los, tanto quanto é diferenciar se a vontade da gente se dar bem nasceu em mim ou em você: porque a gente já parece partilhar tanta coisa, e talvez a característica mais emblemática dessas semelhanças talvez seja esse dom de não deixar as palavras cessarem. Adoro o fato de suas palavras continuarem a arranhar minhas certezas sobre o destino, o que me mostra que, apesar de homem, ainda sou o menino, aquele sonhador e crente num romance muito bem planejado. Então, por favor, deixe-me saber se o seu sentimento sobre mim é parecido com todas as coisas que eu vejo ao pensar em você.

E depois de confessar tanto, só vou lhe pedir algo simples: não deixe que pare. Não o nosso ritmo; não esse ritmo bom, esse que sempre busquei; o ritmo dos batimentos cardíacos de uma mulher que pode salvar meu coração.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

De Rosto Avermelhar

Amanhece segunda,
O que antes era monotonia,
Agora é vontade profunda,
Um saudade da sua companhia.

Logo vem a terça-feira,
E entre palavras não ditas,
Do meu bom coração,
Noto que deveria tê-las escritas,
Pra lhe entregar em mãos,
Pra lhe ter por inteira.

Aí vem a quarta,
E num rápido encontro,
Não quero que você parta,
Você não para de ganhar pontos.

Quando chega quinta,
Lhe faço toda rimas bonitas,
Inspiradas nessa emoção,
Que não se limita,
Pra lhe mostrar um boa razão,
No que quer que você sinta.

A sexta surge toda alegria,
Finalmente vou poder lhe roubar,
Sem que o tempo venha censurar,
Onde a noite logo vira dia,
Você não pára de me alegrar.

O sábado é todo nosso,
Faço tudo que posso,
Pra que o domingo demore,
Pra que seu semblante core,
E eu possa, com os olhos fotografar,
O seu sorriso de rosto avermelhar.

Desde que lhe conheci,
A semana se tornou cheia de cor,
Porque no seu riso eu percebi,
Que a vida se faz de amor,
Quando a gente acha um alguém,
Com um coração tão de bem.

sábado, 18 de julho de 2015

Sustenta

-Tu tem um sorriso bom.
-É?
-É, desses que o azul vem com.
-Azul?
-É, tipo o do mar... Eu sempre fui desses que adora a sensação o mar.
-Mas de onde veio isso? De mim pro mar?
-Não sei, é a sensação que seu sorriso associou na minha mente.

O olhar dela era perdido, aturdido. Ele era diferente, de um ar divertido, quase como se já soubesse que, às vezes, ela tinha vontade de um papo bom, leve, que nada se deve, só se faz acontecer... Até parecia que ele já sabia o que era pra se dizer.

-Eu também gosto do azul.
-Por causa do mar?
-Também, mas é mais por causa do chão.
-Chão?
-É.
-Mas o chão não é azul.
-Não, chão é azul não.
-Então...
Agora o olhar dele era o divertido, todo surpreendido. Ela era interessante, de uma aura querida, provavelmente já sabendo que, raramente, ele deixava uma reticência sem um entediamento em construção... Como se de alguma forma, ela arquitetasse a forma de lhe passar alguma informação.

-Pra entender você só tem que olhar as coisas de um jeito diferente...
-E?
-E aí você percebe que é o Céu quem sustenta o chão.
-O Azul do céu?
-Exatamente esse.
-Sim, sim, o Azul dos risos, tipo do seu sorriso.

E eles riram.
Riram.
Porque mesmo sem falar, eles pareciam partilhar duma peculiar conclusão: é de riso que se faz a vida azul. É de riso que se faz a vida céu. É de riso que se sustenta o chão. É de riso que se sustenta coração. Basta olhar diferente, ter fé e aura boa, que Deus abençoa, o riso, o céu, o chão e coração.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Inequação

Estou tentando colocar freio nas previsões que não param de me jorrar,
Eu sei que, provavelmente, é a última vez que ela vai me encontrar,
E aí estou dificultando a hora fatídica de chegar,
Estou tentando fazer o tempo parar,
Fazer o possível pra demorar,
Antes dela evaporar.
Eu não queria se acabasse, mas parece inevitável. A trilha que a vida dela segue parece ir numa direção distinta que a minha própria e isso me fez refletir se a gente era mesmo pra ser. Talvez não, talvez o encanto esteja se dissipando.

Ela costumava transbordar bem diante dos meus olhos; ela costumava a me inundar apenas com seus sorrisos; mas ontem o tempo veio me dizer uma verdade amarga: ela não me queria pra ser nó, queria apenas não ficar só.

Agora estou com essa inequação pra resolver: se sempre sobrou mais de mim do que dela no nós, por quê que é mesmo que eu não posso dizer pro mundo o que ela já sabe? Dizer pro mundo o que ela sempre soube: quando há indiferença entre duas partes, sempre faltará amor.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Filtro

É de conversa aleatória,
Que se aproveita a trajetória,
Gosto de ser impulsivo,
Porque, sem planos ou motivo,
É sendo assim que me faço vivo.

Por isso que admiro bastante,
Quem também compartilha,
O ideal de aproveitar a trilha,
E não apenas o destino final.

Logo fiquei radiante,
Quando num papo casual,
Ela me disse assim:
Sem filtro, por favor,
O que a vida menos precisa,
É de gente sem amor,
Que se limita.

Aquilo foi surpresa pra mim,
Quem diria, que eu conheceria,
Uma pessoa de aura tão bonita?
Minha réplica lhe foi em tom animado:

Filtro? Só se for solar,
E convenhamos, que olhe lá,
Porque é sempre muito bom,
Se deixar da cor do pecado,
E se sentir mais abençoado.

Por exemplo, nesse exato momento,
Estou com esse doce sentimento,
Que vida sem planos ou com,
É pra se plenamente viver,
Pra se profundamente agradecer,
Tipo da gente se conhecer.

Foi pouco tempo e já dá pra saber,
Que tu vai me dar tanto o que escrever,
E que, a gente é desse tipo de ser,
De aproveitar o que nos vem,
Aproveitar a vida tão bem.

Aí ela me deu um sorriso como resposta,
E eu acabei sorrindo também,
Porque ela é de aura exposta,
É aquele tipo de alguém,
Que cativa num papear,
Que inspira no brilho do olhar.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Aura Alegria

Ainda me lembro exatamente da primeira vez que me peguei sabendo que iria, muito em breve, suspirar e rimar por você:

-O que eu mais gostei em você foi seu olhar.
-Por quê? O que tem eles?
-Sei lá, eles brilharam quando eu disse que era escritor.

E aí eles brilharam novamente, assim como um sorriso lindo surgiu nos seus lábios, fazendo-me engoli em seco por saber o que surgiria em mim a seguir.

-Foi?
-Foi sim.
-Deve ter sido mesmo.

Aquele seu riso que começava nos lábios e terminava no olhar me pegaram numa noite onde o ímpar deveria ser par. Tínhamos acabado de nos conhecer, e algo dentro de mim dizia, que você era de uma Aura Alegria.
Eu sempre fui de gostar muito de astrologia, então não me surpreende saber que o universo está torcendo pela minha felicidade: desde que você surgiu, céu e mar estão alinhados num azul tão bom, e os meus dias têm exatamente esse tom, porque é assim que tem que ser, é assim que eu me faço querer, de emitir uma aura feito a sua todo dia.

Você me faz ficar lhe olhando longamente, filmando com os olhos cada detalhe seu, já percebeu né? E eu, involuntariamente, francamente, me pego rindo, sorrindo, gargalhando, do quão bom é lhe ter ao meu lado. Você me faz querer escrever tantos romances nos tendo como protagonistas. Você me faz querer rimar cada sensação sua num novo poema... Você faz um escritor se inspirar, e isso é tão difícil de se encontrar.

Eu sempre fui de gostar de conversar, então não me é novidade a gente ter esse tipo de sincronia e reciprocidade: desde que você apareceu, aprendi que tanto o papear como momentos de silêncio são tão bons, e as minhas noites têm justamente esse tom, porque é assim meu querer, é assim que me faço ser, de emitir uma alegria feito a sua toda noite.

Você me faz ficar lhe beijando tantas vezes, mapeando com os lábios cada pedaço do corpo seu, já percebeu né? E eu, conscientemente, felicitadamente, me pego sorrindo, rindo, gargalhando, do quão bom é lhe ter ao meu lado. Você me faz querer conhecer cada detalhe seu, pra que eu possa metrificar tudo em palavras boas que lhe façam suspirar por mim assim como você me faz comigo... Você faz um escritor suspirar, e isso é tão difícil de alcançar.

Porque você tem esses olhos brilhantes, esse sorriso cativante e acima de tudo um timbre apaixonante. Você brilha e me faz brilhar; brilha e me faz rimar; brilha e me faz suspirar; sim você brilha numa Aura Alegria.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Após um A

Você sabe bem,
Da minha paixão pelo mar,
Do cheiro, do clima e sabor,
Esse sempre será meu primeiro amor.

E eu sou muito, muito grato,
Por crescer cheirando a maresia.

E, embora,
Se algum dia eu tenha de me mudar,
Eu vou sempre levar comigo,
As doce-salgadas lembranças marinhas.

E vou orar pra esse vento marítimo,
Aguardem meu retornar.

Eu amo o jeito o sol brilha em você,
Como suas covinhas chegam a me surpreender,
E nosso amor livre parece prevalecer.

Adoro o jeito que você vai além,
Encontrando a verdade que nem,
Eu mesmo conheço tão bem,
Porque você confia em mim,
E ignora meus defeitos.

Isso me conforta,
Porque eu sei,
Que você é meu mar,
Sobrepujado após um A.
Meu amar.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Trator

Você tem, esse bem,
Um tipo todo mágico,
Fantástico, hipnótico,
Me tira o fôlego,
E isso eu odeio, esse meu anseio,
Por ainda acreditar,
Por ainda lhe esperar,
Deus já cansou de testemunhar,
Todas as chances que tentei nos dar.

Agora que eu me tenho por inteira, nessa epifania que me acometeu subitamente, sobre quem sou, o que quero e pra onde estou indo, percebi que tenho de parar de me jurar que vou melhorar, simplesmente porque eu não preciso disso, não preciso mudar por ninguém além de mim mesma! Decidi me aceitar como sou e me permitir ser feliz comigo mesma; decidi permitir que aura boa entrasse em mim e para isso optei por cortar da minha vida todas as fontes negativas que tentam me atrair e moldar.

Mas você não consegue me deixar pra trás não é? Sempre chega, como um trator, me puxa, doma, usa e depois me coloca pra baixo, pra controlar e manipular mais um episódio dessa nossa história tão complexa e aí, quando mais uma vez vem a ruptura, fico pensando: será mesmo que ainda vale a pena?
Sinceramente? Eu não sei o que eu realmente quero, mas eu sei que não é você.
Não o você de agora, não esse você que continua a querer me mudar, empurrar e colocar pra baixo e foi aí que me dei conta que meu coração não é você,  é simplesmente eu e só existe um tipo de amor que pode me fazer realmente bem: aquele que começa comigo me amando.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Cobertores

Uma chuva tímida cai enquanto você vem correndo pro meu carro. Um sorriso esbaforido, um timbre singelo, um olhar tão perspicaz e que vontade tenho de lhe abraçar com força.

-Oi oi.
-Oi oi oi - repito sorridente. Um beijo rápido, não preciso me demorar, hoje temos um tempo só nosso, pra que possamos nos aproveitar bastante. Pena que, provavelmente o bastante não vá ser suficiente.

Assim que chegamos, uma cama quentinha nos aguarda, junto a um mar de cobertores pra gente se afogar; um filme a toa; sua companhia boa e o tempo rapidamente voa.
Dormimos. Acordamos juntos, papeamos sobre quaisquer assuntos, sempre num agarradinho tão bonzinho, sempre no melhor tipo de carinho.

O frio nos deixa mais colados e eu não resisto a vontade de mapear seu corpo com meus lábios.
Sua pele, de porcelana delicada, se arrepia às minhas mordiscadas;
Seus lábios doces como mel, hipnotizam-me mais que encarar um azulado céu;
Seus olhos castanhos, despertam em mim esse sentimento estranho, como uma gravidade que me faz querer encará-los o tempo todo;
Suas tantas formas de sorrir, fazem-me querer enumerá-las, filmá-las e fotografá-las, porque minha memória não é um lugar seguro o bastante, pra armazenar imagens tão delirantes.
Tem algo no jeito que o seu cabelo cai sobre o rosto que me transborda um bom gosto, mesmo quando pausamos um beijo pra ajeitá-los, principalmente quando fico tocando neles, só por acariciá-los. Adoro vê-la engatinhar pro meu peito, como se fosse um travesseiro, e encaixa perfeitamente bem. E ai eu me percebo bobo, mordo meu beiço, rindo comigo mesmo.
-Que foi? - algumas vezes você indaga.
-Nada, nada - eu sacudo a cabeça e lhe tomo mais um beijo. Um dos tantos tão bons. A gente se encara. Fica em silêncio, porque as vezes a falta de palavras diz tanta coisa mais, e nos brinda com essa paz, que você me traz. É incrível demais isso que a gente se faz. Eu tento pensar em palavras, mas elas me fogem, como toda e qualquer preocupação que eu tenha quando estou ao seu lado.
É que, já percebi faz tempo, o que há de especial na gente: temos essa ideia de aproveitar o momento, sem demora, até porque o agora, é a melhor hora; partilhamos dessa aura boa que só existe por sabermos que o presente é o melhor tempo de se viver, e assim vamos seguindo, aproveitando o que há de se aproveitar, em lembranças que gosto de pensar, que da minha mente não vou jamais apagar, porque elas são como os cobertores que podemos nos afogar: são excelentes de visitar quando a saudade ou o frio, vierem repentinamente a chegar.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O Que Você Quer

Em poucas semanas vou conseguir perceber o que está acontecendo comigo, e eu só aí vou me dar conta o quanto eu fui sortudo. Estou deixando acontecer naturalmente, sem adiantar, sem atrasar, e eu posso provar, que essa é a melhor foram de viver o que há pra vivenciar.

Eu posso dizer exatamente o que você quer, o que você vem pensando, mas não faz sentido arriscar falar algo que não me diz respeito, e se disser, vou esperar até seja feito, até porque seu pensamento é só seu, não cabe a mim tentar torná-los meus. O que eu sei que você pensa é algo que não deve ser dito, algo que não deve ser escrito, algo até bem bonito, é verdade, mas às vezes, muita sinceridade, acaba com a beleza das possibilidades. Então vou deixar subtendido, pra ver até onde tiver de ir.

É tão confuso, eu sei, aqui dentro é toda uma confusão, deixo reinar revolução feita pelo coração, onde o súbito é constituição e a paz é a principal construção. Sabe por que estou assim? Porque talvez no futuro eu não tenha tempo pra ser assim, talvez o futuro demande tanto de mim, que eu tenha de ser um alguém assim, desses que são pragmáticos e metódicos odiáveis seguidores de rotina. Não sei exatamente o que vai ser, então por agora, quero aproveitar todas as horas, e isso inclui você, que tão rápido, já se faz valer, nos meus dias, em pequenas ou grandes alegrias. Você sim, é algo pra aproveitar.
Não irei testar você com perguntas inteligentes ou recorrentes, vou deixar você abrir as portas e janelas que lhe forem boas, porque gosto de ser esse tipo de pessoa, o tipo que só entra quando é convidado. Cansei de ser ladrão, hoje eu sou só um bom anfitrião. Vou lhe oferecer o que tiver a minha mercê, e se não for o bastante, infelizmente, acho que vamos acabar distantes, mas se não for, e isso está ao seu dispor, que coisa boa vai ser lhe ter comigo.

Eu posso dizer exatamente o que você quer, mas não tenho pensado muito nisso, porque a vida é muito mais que isso. A vida é o que se sente e o que se faz, de que adianta pensar tanto, e não sentir toda essa paz, que cria no peito de quem bondade faz? Então me dê sua mão e deixa o que você quer um pouco de lado, vamos deixar o querer pro que tiver de ser. Vamos só ser o que é pra gente ser. E assim, só assim, garanto a você, que esse seu sorriso lindo que me faz tão bem, não vai ter chance de desaparecer.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Deus Abençoa

Deus cuida todo dia,
Daqueles exalam alegria,
E hoje aconteceu novamente:
Bati o carro essa tarde,
A vitima não fez alarde,
Mandou eu seguir pacificamente,
Que fossemos em paz com Deus,
Tanto ele, quanto eu.

Sorri plenamente, todo contente,
Rezei mais uma vez em agradecimento,
Ao mar que tinha visitado mais cedo,
Porque são os bons sentimentos,
Que atraem esse tipo de gente,
Que até nos momentos ruins,
Se mostram de alegria afim.

Confio que o que vier,
Que Deus tiver planejado pra mim,
Vai ser o que me couber,
Vai ver esse é o meu segredo,
Pra ter tanta alegria assim!
E por isso vou continuar sorrindo,
Pra coisa boa continuar atraindo.

Porque sei muito bem,
Que Deus abençoa,
Quem transmite aura boa,
Ele nos dá o que a gente já tem:
Alegria com riso a vida,
Mesmo que seja sofrida,
Mesmo que seja corrida,
Poque acima de tudo é vida,
E foi feita pra se aproveitar,
Foi feita pra se celebrar.

Então, não perco tempo não,
Coloco fé boa no coração,
Um sorriso no rosto,
E encaro o que vem pela frente,
Sempre com bom gosto,
Porque me fiz dum tipo diferente,
Um tipo que sabe aproveitar o presente.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Dedo de Deus

A vida é tão corrida,
Não é fácil relaxar,
Não é simples parar,
Mas eu abri as  mãos,
Deixei-me inalar,
E o sol raiar no coração.

Foi estranho, foi forte,
Eu não compreendi direito,
Havia tanto e tão pouco,
Minha mente até então perdida,
Se achou, repentinamente.

Como se todo meu eu,
Tivesse se tornado liberdade,
Encontrei que eu mais buscava,
Estava dentro de mim,
Era um tipo de amor,
Que há muito eu não lembrava.

A vida é tão divertida,
Foi fácil de aceitar,
Foi simples de acreditar,
Quando abri as mãos,
Uma paz veio num inalar,
E peso sumiu do coração.

É estranha a minha sorte,
De ter encontrado no peito,
Um sentimento santo e louco,
Minha mente ainda se vê aturdida,
Mas, tranquilizada, finalmente.

Teve Dedo de Deus,
Só uma plena divindade,
Poderia me tirar de onde estava,
De um torpor sem fim,
Mostrou existir um tipo de amor,
Que eu há muito não cultivava.

Por isso vou aproveitando,
Cada singelo momento,
Porque a vida é assim,
Toda de se colorir,

Aproveito o que vão me dando,
Cada singelo sentimento,
Porque a vida é pra mim,
Toda de se fazer sorrir.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Dia de Aconchego

Ainda não é,
Mas hoje parece agosto,
Num sábado bom,
De acordar querendo edredom,
Manhã de chuva, chovendo,
Um sorriso no rosto,
Virar de lado,
E ver seu peito,
Subindo e descendo,
Respirando, sonhando,
Um momento perfeito.
É apenas projeção,
E confesso que quero sim,
Que tenho essa fé,
Em breve, vai ser assim,
Você dormindo em mim,
Pra aplacar o coração,
E a saudade do teu chamego,
A vontade de dia de aconchego.
Porque, rápido assim, te quero muito sim. Quero, quero demais. Quero pele tua, crua, nua. Quero beijo, cheiro, olhar. Quero silencio e prosa apenas por papear. Quero te conhecer, te encontrar. Quero saber mais, mais, mais. Te mostrar mais, um pouco mais. Teu cheiro, meu cheiro, meu nariz no cangote. Quero lembrança, criar, contar, narrar e inventar. Quero fotografar, com os olhos, risos e celular. Tudo preu te guardar. Quero sim. Quero tu, quero o azul, do céu, do mar, um dia de mel, quem sabe, todos os dias? Quero sim, dia de sol. Dia de se aproveitar. Vários, muitos, tantos dias bons pro futuro, meu, teu, nosso. E pra hoje, apenas quero tu comigo, num dia de aconchego.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

A Gente Sabe

A gente sabe facilmente,
Que o tipo diferente,
É aquele que faz feliz,
Apenas com um beijo no nariz.

E você é assim lindinha,
Que dá vontade de chamar de minha,
Só que aprendi recentemente,
Que ninguém é de ninguém,
Então prefiro aproveitar bem,
O que a gente sabe que tem.

Um encontro inusitado,
Uma viagem súbita ao seu lado,
É que eu tou querendo planejar,
Dizer pra aumentar o volume do som,
E assim que o refrão chegar,
Nos deixar nos esgoelar,
O ritmo que a música tem.

Porque é assim meu bem,
Que a gente vai além,
Do que é, do que é bom,
E eu tenho fé,
De termos a alegria como dom.

Porque a gente sabe amar o mar,
A gente sabe amar o céu,
Sabe aproveitar sol a raiar,
Em abraço apertado,
Que me faz notar o doce mel,
Que acho nos seus lábios roubados.

A gente sabe sim,
Porque decidimos assim,
Ser de curtir o que há,
O que há de ser, o que será.

A gente sabe tanto,
Que por enquanto,
Vamos só se aproveitar,
Porque o que tiver de vir, virá.

E tá vindo, tão lindo,
Bem-vindo, num beijo de mel,
Em dias tão ensolarados,
Pra gente ficar de corpo colado,
Amando o azul do mar e do céu.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Aproveitar o Momento

Já percebeu como tantas pessoas, algumas até de alma boa, matam os sonhos, e suponho, que apenas pra manterem metas tão mundanas. Pobre existências humanas, que não deixam muito pra imaginação, e eu, que sou de um tipo diferente, sinto que às vezes, sou mais natureza do que gente, já que tenha essa necessidade de me renovar com o céu, com o mar, com lugares poéticos e especiais, com tudo que bom me faz. É bem óbvio que minha rotina não é toda liberdade, mas entre tantas responsabilidades, deixo espaço pra imaginação, pra ser um doido todo coração e tentar devolver a imagem, a quem tiver coragem, que o mundo é algo bom de se viver, que todos somos personagens, somente de passagem, nesse mundo que é um trajeto de uma jornada muito mais longa e luminosa. Talvez seja mais de uma das tantas bobagens minhas, e vai ver que é isso mesmo, porém eu sinto que essa é uma das minhas missões: de mostrar a quem tiver ao meu redor, que podemos virar as páginas do livro da vida sem muito remorso, virá-las e lê-las novamente, e nessa nova leitura, talvez as letras até sejam as mesmas, só que com idiomas, cores e significados diferentes.

Nós nunca saberemos mesmo o que é que tá certo, fomos feitos pra buscar um tudo, e mesmo assim ainda não somos nada, apenas momentos, que vão passar, estão passando e já passaram, tantos, quantos, vários momentos... Somos inteligentes sim, com capacidade de tanta coisa, e ainda assim, estamos tão perdidos nessa busca.

É uma epifania estranha, essa de falar sobre sermos apenas humanos, divertidos, loucos, confusos, amantes e errantes; tentando e seguindo, sem saber pra onde estamos nos conduzindo e a bem verdade é que nunca saberemos.

Acontece rápido demais: os momentos bons, os ruins, os neutros, positivos, negativos... No longo prazo eles não são nada, mesmo que no curto prazo pareçam que perfurar nossa rotina como uma espada, e mesmo feridos, satisfeitos, gratos, magoados, ou como quer que estejamos nos sentindo, somos puxados de volta a rotina, aos trilhos, ao fluxo natural, porque é assim que a vida é: uma tentativa trôpega de seguir na normalidade.
É o que eu estou aprendendo a aproveitar ultimamente: os lapsos de tempo que não os humanos não parecem ter capacidade de aproveitar bem, e só notam o valor que têm, quando já ficou tão pra trás. Eu confesso que não gosto de olhar pra trás, de visitar locais que já conheci, sempre fui de sentir dor no pescoço quando viro minha cabeça demasiadamente pra trás, acho que por isso gosto de esgotar as possibilidades, pra não deixar nenhum chance de outra realidade ou vontade de retornar.
Eu vou até a última palavra se esgotar e talvez essa seja a tal resposta: tenacidade.
Mas eu nunca vou realmente saber se é ou não, porque no fim, sou apenas mais um humano, como folhas de árvore dançando conforme à vontade do vento, como uma chaleira apitando de tanto ferver, peixes perdido nas selvas de corais da Austrália, gotas de chuva que escorrem numa janela suja... No fim, somos matéria que vão se tornar energia, tempo que se torna velocidade e se reduz a momentos. Não importa se certos ou errados, a verdade é que nunca, nunca teremos uma certeza absoluta, e isso é o que torna tudo tão mais belo, a dúvida do dia-a-dia, que apesar de parecer o mesmo, sempre é um pouco diferente.
Enquanto ainda respirarmos, continuaremos nessa caminhada e se for pra ter a alma lavada, então é melhor ser uma pessoa que deixou a porta do peito aberta, dum coração escancarado, para exibir a todos a prontidão em aceitar e se deleitar com todas as situações que a vida oferece. Venha o que vier, ser de um juízo que com qualquer resultado se apetece, porque sempre podemos afundar ou nadar, depende do quão boas forem as auras que nos deixemos mergulhar.

E aí, o que nos resta disso tudo? Além de viver por viver, de realizar o que sonhar e aproveitar o que acontecer? Saber que temos corações fortes com cabeças frágeis e que isso nunca foi uma competição, afinal se deixarmos a razão sobrepor a emoção, qual cor vai ter a vida? Não saberemos de verdade até que seja tarde demais, e, sinceramente, não quero arriscar, prefiro aproveitar o momento.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Beleza do Silêncio (Ouro)

Beijo. Lábios a roçar. Língua voraz. Lábios a escapar. Beijo. Abrir os olhos pra enxergá-la. Ri do riso que tá nela escancarada. Um beijo na barroca. Um beijo no nariz. Um beijo nos lábios. Uma mordida suave. Uma língua gostosa. Sensação saborosa. Devaneios. Beijo. Lábios a fugir. Olhos fechados, esperando o que há de acontecer. Pescoço arrepiado pelo beijo recepcionado. Beijos recebidos pelo rosto, que deixam o melhor dos gostos. Sorriso de orelha a orelha, de fazer as bochechas doerem. Olhos se abrem. Olhos castanhos a encarar. Olhos profundos, sorridentes, lindos, tão contentes. Olhos. Que olhar. Riso. Que sorriso. Um beijo fugaz. Um beijo tenaz. Um menear negativo na cabeça. Pensamentos a divagar. Tanta coisa pra falar. Mas o silêncio parece contemplar tão mais. Meu Deus, eu já tinha conhecido tanta paz? Mais um beijo. Cabelos no meio. Não importa. Mais beijos. Beijos, língua, lábios, sorrisos, risos, risadas e chamego. Troca de olhar. Tentativa de falar, mas a voz parece falhar. Pareço ter desaprendido como falar. Como vou comunicar. O silêncio parece querer ajudar. Mais um beijo. Uma troca de olhar. Um abraço. Um cangote pra experimentar. Sinto a nuca dela arrepiar. Beijo, barba a roçar. Beijo. Pescoço, bochecha, nariz, testa, bochecha, queixo, lábios, lábios, sorriso e língua. Perdido. Achado. Feliz. Sim, feliz. Contente, que sensação diferente. De repente, voracidade. Vontade. Controle. Que controle? Sim controle. Tem de ter controle. Mas ainda dá pra se permitir. Um riso. Mais um. Uma encarada. Olhos castanhos. Olhos que não há muito tempo me seriam estranhos. Olhos poderosos. Onde ela estava. Talvez na estrada que lhe preparava, pra nosso encontro. Sim, encontro. Sim, sim. Tudo sim. Positivo. Um ótimo bom motivo, de fazer-me sentir vivo. Que olhar. Nunca tinha acontecido assim, não pra mim... Será que pra ela?

-Contigo já tinha sido assim? - uma pausa, pra verificar se há dúvida nela.
-Não - e ela entendeu exatamente. Que sincronia - não tão rápido assim... E tu?
-Não... Não. - risos. Risos.
A vida já tinha me dado a teoria de que "quem fala é prata e quem cala é ouro", mas nunca tinha sentido isso na prática. Achei o ouro. Sim, sim, ela é sim de ouro. De um mel dourado. Dum sabor enamorado. Capaz de cultivar uma beleza que eu nunca tinha encontrado. A Beleza do Silêncio, o ouro de um coração todo impressionado.

Alecrim

Começo a me encontrar,
Depois de me perder,
Basta estar com você,
Pra tudo se misturar.

Confessando defeitos,
De todo, inseguro,
Basta seu sorriso,
Me pegar sem aviso,
E aí eu repito um ciclo.

Olhos estreitos,
Lábios a mordiscar,
Riso a se afrouxar,
Coração a palpitar.

Tudo misturado,
Percorrendo todo meu ser,
Germinando aqui dentro,
Um algo que faz do coração,
Seu ninho e centro.

Todo um sentimento,
Que fez de mim assim,
Semente de Alecrim.

Àquela usada,
Pra sanar um corpo febril,
Exatamente o que sinto,
Quando do seu cangote,
Faço o meu covil.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Vai Ver

Você tem que saber, que eu estou me sentindo tão bem, um bem que vai bem além, desse tipo de bem que vai além e alegria tem. É, assim mesmo, todo positivo, porque é esse seu riso, todo vivo, todo sem motivo, que me alegrou um tanto assim. Acho que já deu pra perceber, que o incomum é comum em mim, que se eu estou afim, vou até o fim, pra alegrar ainda mais minha alma, seja com pressa, seja com calma.

Sou súbito, mas sou constante, sou de se apaixonar pelo que a vida oferece, pelo que me apetece. E agora, nessa exata hora, é até estranho de admitir pra mim mesmo, mas estou sentindo vontade de você, apenas isso, exatamente um querer, de conversa tranquila, pro tempo passar, ou pro tempo congelar, por mim tanto faz, quero só um pouco mais, da sua aura cheia de paz.

Tem muita gente que vive uma vida toda sem notar, mas gosto de olhar o mundo com perspectivas diferentes, logo sou de perceber quando um certo tipo de beijo transcende o meio físico, e foi meio que aconteceu com você. Tive um pressentimento assim que vi seu sorriso, que iria ganhar, independente do resultado que fosse ter, ou do que a gente fosse apostar. Ali eu já sabia, que pelo menos aquele seu sorriso eu ia ganhar, mas não podia imaginar, que seu olhar seria tão forte, ou que seria capaz de me fazer nadar numa conexão que gosto de pensar que surgiu pra vidas alegrar. É esse seu olhar parece me dizer que podemos falar mais e mais, parecem me chamar prum beijo mais intenso, daqueles que chega, e tudo que penso se esvai.

Eu gosto de ser eu mesmo na frente dos outros, só que eu nunca imaginei conhecer alguém que parecesse gostar das mesmas coisas que eu em tão pouco tempo, é bem como você disse:

-Tu tava escondido aonde?
Vai ver era pra gente se conhecer agora, porque é uma hora mais propícia. Acho que por isso estou com essa ideia de lhe levar pra estrada, pra respirar um pouco mais, pra escutar você cantarolar as músicas que a gente parece, mutuamente, amar. Estou gostando muito da perspectiva do que se vai ver. Vai ver assim será, vai ver tem tanta coisa pra acontecer. Vai ver a gente se vê. Vai ver é o que é porque era pra acontecer. Vai ver era mesmo você que eu tinha de conhecer.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Amor Sem Palavras

Acordou. Olhou o dormir dela. Riu. A cortina estava fechada, queria abrir pra deixar o sol entrar, mas não queria acordá-la. Decidiu então apenas depositar um beijo na testa dela.

Ela abriu os olhos, viu os grandes olhos castanhos dele, ainda sujos de remela, se afastando na testa dela que haviam acabado de beijar. Riu. Já deveria ter enjoado daquilo, daquele mimo e carinho todo, daquele canceriano todo, mas não tinha.
Um roçar de lábios, uma mão a deslizar na pele nua dela. A excitação quase o fez querer tomá-la pra si, mas resistiu ao impulso e se encaminhou pro quarto ao lado. As paredes ainda exalavam o aroma de tinta recém-pintada. Tudo azul, como tinha de ser pra eles, a primeira semente chegaria a longínquos oito meses. Longínquos porque eles desejavam tanto aquilo há tanto tempo... Mas seria no tempo certo, ambos sabiam disso. Olhou o relógio na parede e viu que havia acordado cedo. Era bem isso que ela lhe fazia, sentir-se bem mesmo acordando cedo. Cantarolou uma música qualquer enquanto abria a geladeira. Não tinha muitas opções. Se a vida lhe dá limões, por que negar a limonada? Nem percebeu, mas estava dançando de uma forma atrapalhada.

Ela rolou na cama, agarrou o travesseiro dele, riu ao sentir o cheiro dele, da lembrança da noite passada, de todas as noites que tinham desde que haviam se unido. Espreguiçou-se e abriu a cortina. Tava azul lá fora, tinha de tá. Passou a mão pelo seu ventre. Riu. Sabia que era cedo demais pra sentir algo ali, mas só de saber que já estava se formando, que um de seus maiores sonhos estava se realizando... Não tinha como não sorrir.

Esbarrou nela no corredor. Riu. Abraçou-a e roçou seu cavanhaque no pescoço dela. Sentiu o arrepiar que se espalhava na pele nua dela até a nuca. O jeito indígena dela era lindo demais. Queria levá-la pra cama novamente, mas o dia já se fazia presente e eles tinham uma rotina. Deixou-a passar rindo daquilo que só eles achavam graça.

Entrou no banheiro rindo. Era fácil deixá-lo ouriçado. Sentou na privada. Bocejou, escovou os dentes e o chuveiro ligou. A água estava fria, teve de pular pra passar a agonia. Foi com um susto bom, que ouviu a porta do banheiro se abrir.

Não se arrependeu de entrar na água fria, o abraço dela de todo lhe aprazia. Beijos molhados, pele colada, um calor emanado. Entregaram-se a vontade.

Ainda ofegando ela saiu do banho. Ainda pingando ela passou pelo espelho. Olhou pra trás e lá estava ele com o pescoço vermelho, das mordidas que ela acabara de deixar. Riu e assustou-se ao ver a hora que o celular já marcava, pensara que eles haviam levantado cedo. Correu pra cozinha, logo depois de colocar uma calcinha, e para sua surpresa, a comida já estava na mesa.

Ele seguiu as pegadas de água que ela deixara pela casa, com uma estopa enxugando. Sorriu ao chegar na cozinha e receber uma piscada de agradecimento. Sanduíches de requeijão e suco de limão, ele pretendera fazer mais, porém o barulho do chuveiro ligado lhe levara a largar a preparação do desjejum.

Ela puxou a louça dele e tratou de lavar tudo, enquanto ele ia se trocar. Após uma rápida geral no cômodo, as vestes formais foi trajar. Uma conferida rápida no cabelo, arrumou um coque impecável, estava longo, talvez devesse cortar curto, como na época em que eles decidiram ficar juntos. Havia nostalgia em lembrar do seu cabelo curto.

Ele coçou a barba, já havia se trocado, e agora estava sentado na sala, aguardando-a para levá-la no trabalho e seguir pros seus próprios afazeres diários. Ela veio, toda engomada, como era próprio de uma bela advogada.

Seguiram elevador abaixo, entraram no carro e numa música de Chico sintonizaram. O trafego estava lento, mas pros dois, o que importava era o vento, que sobrava das janelas abertas. Chegaram ao primeiro destino, um roçar de lábios rápido, uma cumplicidade nos olhares que só havia entre dois que partilhavam de felicidade.

-Bom dia pra tu e cuidado - ele falou
-Aproveita teu dia, príncipe.

E no tudo que aconteceu naquela manhã, foram as únicas falas trocadas. Porque eles eram assim, dum Amor Sem Palavras.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Azul Céu-e-Mar

O azul do mar é de me inundar,
Um azul que me faz querer rimar,
Sobre tudo que se passa na minha mente,
E também me faz pensar que sou diferente,
Que tenho uma alma nascida pra mergulhar.

E ela bem notou,
Minha linda mãe,
Minha mavilinda mãe,
Tanto que disse-me uma vez:

-Filho, vou sempre lhe dar amor,
Independente de onde sua vida for,
Acredito plenamente no seu louvor.
Só aprenda com os momentos de dor,
E lembre-se que pode contar comigo,
Pra ser sempre seu melhor abrigo.

O azul do céu é de me esvoaçar,
Um azul que me faz delirar,
Com tantos romances pra escrever,
E também me faz facilmente perceber,
Que tenho um coração nascido pra voar.

E ele bem notou,
Meu incrível pai,
Meu idolacrível pai,
Tanto que disse-me uma vez:

-Filho, vou sempre lhe amar,
Independente de quem seja você,
Ou do que decida que quer ser,
Aprenda com o que vida lhe oferecer,
E lembre-se que pode contar comigo,
Pra ser sempre seu melhor amigo.

Eles me ensinaram tanto,
Acalentaram a maioria dos meus prantos,
E disseram que tudo ficaria bem,
Que eu seria um alguém,
Especial demais pra não voar ou nadar,
Que eu seria seu azul-céu-e-mar.

E por isso hoje, nessa data ruim,
Queria que eles soubessem de mim,
Que sempre vou lhes honrar.
Mãe, Pai, essas palavras podem anotar:

-Não sei exatamente o que vai ser,
Ou que no meu futuro vai acontecer,
Mas eu tenho uma certeza bem forte,
Uma que vou levar até depois da morte:
O amor de vocês sempre estará comigo,
Vocês sempre serão meu melhor abrigo,

Sempre serão um exemplo a ser atingido,
Por tudo que tenho vivido,
Tudo graças a vocês, graças ao amor que me fez,
Ser assim de querer voar e mergulhar.

Tem vezes que não dá pra notar,
Mas eu amo muito, amo tanto vocês,
Por um, por dois, vinte um, e por três,
Que serei muito realizado se meus filhos um dia,
Me amarem com tamanha alegria.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Amarela

Se eu não conhecesse bem, diria que seu tom, qué tão bom, é uma miríade de aquarela, mas por a gente já tá nisso a um tempinho nosso, me atrevo a disser que posso, sim, posso sim dizer qual a cor qué dela: é doce e viva Amarela.

Ela é da cor mais crua que existe, da que não há tonalidade triste. É, Nela, não tem muito disso não. Sempre que me pego olhando seu riso, sinto um transbordar de sensação sem aviso, e isso é tão incrível que é chato de admitir, tanto que me sinto a repetir, o quão bem ela me faz com um singelo sorrir.
Admiro, e muito, como ela é duma personalidade só Dela, e entre tantos moldes que não lhe cabem, percebi que Ela é exatamente isso: sem molde, crua por natureza! Crua no sentido de que é o que é, não o que querem Dela, não o que esperam Dela, não o que foi, nem mesmo o que será, apenas o que é. Entre tantos personagens que vivem ali dentro, todos compartilham o gosto pelo número par, a vontade de amar e de ser quem sabe que é. Todos compartilham minha admiração sem limitação; todos compartilham de receber toda essa paixão, que mesmo sem jeito, já germinou forte no meu peito.

Ela respira e transpira isso, em cada palavra dita ou omitida, em cada riso, lágrima, meneio de cabeça ou verso escrito,  que não tem como eu não achar isso tão bonito. Ela é assim, linda demais pra mim e a cada pedaço solto seu que eu cato das fugas que Ela dá, percebo que foi pedaço que caiu mesmo, ao acaso, não uma parte que Ela planejou deixar pra me conquistar... A conquista Dela é feita assim, do seu jeito todo que se impregna em mim. E todo dia Ela se faz mais disso: de me pegar, me apegar, me encantar num canto que não tem nota ruim. É estranho perceber o quão simples pra ela é, transbordando esse amarelado todo da cabeça aos pés, que me faz reascender a fé, num amor pruma vida toda.

Não vou mentir que não me assusto com isso, assusto muito! Essa capacidade toda Dela de me fazer querer mais a cada dia sem a gente sequer ter zarpado, faz-me temer o quão vulnerável eu sou pra ela. Mas o que a gente tem tá até acima disso, e o medo, que não é segredo, também tá compartilhado, porque, de alguma forma a gente já sabe, que ou a gente dá certo demais ou muito errado. Não tem como ser negado: é duma paixão linda o que a gente tem vivenciado e tá sendo tão bom, que não me surpreendo com, aquilo que Ela me faz todos os dias: os risos transbordando alegria, simplesmente porque nada daquilo é planejado, é apenas ela sendo quem é, independente de quem quer seja, ou onde esteja.

Ela é assim mesmo, crua, não necessariamente nua, porque a essência dela está além do seu nome, da sua pele, do sorriso, roupas e onde mora: sua essência tá bem exposta, toda inteira, numa aura boa demais preu parar o tempo de tanto admirar, num amarelo forte demais que só meu coração exposto é capaz de enxergar.

A aura é tão boa, que basta ficar um pouco a toa, e minha mente começa a divagar num futuro da gente, nos frutos desse presente, que a gente tá pensando em plantar; nela de branco, comigo todo risonho, pra juntos realizarmos o tal sonho, que é de aliança trocar. É loucura eu sei, mas do meu coração sou rei, e nesse reino, só quem sonha é quem consegue ser feliz.
Por isso, estou nessa, de ir sem pressa. Assim calado, com sorriso abobalhado, filmando cada detalhe que Ela me deixa captar. Sem analisar, sem pensar, apenas o que tiver de ser será, e é mais ou menos isso que imagino que poderá ser: ela a Amarela, há de se misturar com meu Azul, e juntos vamos ter de plantar semente, um desejo que até já se faz presente dentro da gente, pra encher o mundo com o Verde que há de nascer desse romance contente.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Benzinho de Sol

Tem dia que eu acordo assim, rindo bobamente, já que não para de se repetir na minha mente, o sorriso dela que me faz tão contente.

São lembranças bobas, lembranças boas, lembranças ensolaradas.
Cada abraço, cada chamego, beijo, riso solto ou cafuné, faz-me ter mais fé, que a vida é algo bom demais pra gente cogitar acreditar em dias ruins.

Vira e mexe, a gente dá um jeito de se ver, sem motivo especial, apenas pra fazer do dia algo mais animado. É uma fuga boa, momentos rápidos que aplacam a vontade, cultivam felicidade e deixam o sabor de saudade.
Entretanto, como a vida é de ser nem tão colorida, nem todo dia é dia de sol, e tem dia que não da pra gente se ver. Mas como já adiantei pra ela, nesse tipo de situação, não acho que seja problema não:

-Eu guardo a saudade bem direitinho.

Porque ela é assim, um benzinho que surgiu pra alegrar, um benzinho de sol, de fazer sol brilhar.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Guidão

Decidi parar um pouco. Porque às vezes vale a pena aproveitar a vista do trajeto.

-Não precisa colocar mão no guidão. Deixa um pouco livre e vê onde vai dar  ela me disse entre um beijo bom.

Foi aí que notei algo mais simples: em tempo, eu serei seu se é que isso é pra ser.
Sou desses de se aconchegar no riso alheio, varro preocupação com juras sem freio, gosto de escrever cartas e deixar pra recordar, todo o sentimento que de mim não para de transbordar.

Pena que os momentos bons, são exceções de rotinas que nos comprometemos por um bem maior que nem sabemos mesmo se é tão melhor. É normal se enquadrar no que já existe, mas a verdade é que eu não existo pra ser enquadrado, logo dá pra perceber porque eu fujo tanto do comum. É que eu não gosto de ser um, preferir ser o vinte e um, pra ser de bem comigo mesmo, até nas situações em que as horas são longas e demoram a passar, mas que deixam a sensação que as coisas mais simples serão as mais prazerosas, e com entusiasmo, eu aguardo pelo que vier, sem me preocupar muito.

Não é o bastante definir os termos, se somente tomar conhecimento pela vontade, todas as lições aprendidas serão aquelas escolhidas e aí se perde a beleza das coisas casuais que me fazem tão contentes de estar vivo. Se não é bem-aventurado, que seja bem-aprendido, pra ser o que sempre foi: um eu meio perdido, meio achado, todo felizardo, sem especial motivo, apenas por estar abaixo do sol e acima do chão, com palpitar bom no coração, um doido que deixa livre o guidão.
E claro, por fim, que nunca é realmente o final, ainda há onde a sorte quiser me levar, já que o caminho é um meio de chegar a um resultado astral, onde o trajeto é cheio de dias gentis e se eu me deixar aproveitar meu coração aberto: só coisa boa vou ter por perto, e aí, só aí, no tempo certo, serei seu, como é pra ser, se tiver que ser o nós será.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Molhar

Não quero ser chuva passageira não,
Quero ficar,
Mas só se me for permitido entrar e molhar.

A pior coisa é chover,
Pra quem usa guarda-chuva.
Te magoei e lamento tanto,
Porém se não tivesse feito,
Nossa história seria tão linda?
Eu não me arrependo,
Foi lição aprendida!

Eu sou muito grato,
Por tu fazer parte da minha vida,
Pelo que já é,
E se for pra ser mais,
Que seja.
Só queria que tu se permitisse molhar,
uma hora,
Se permite molhar,
Né nem mergulhar,
Só molhar.

Deixar as ondas chegar no pé...
O mar não vai te puxar se você na areia ficar.

Quero te ver.
Hoje, amanhã, depois.
Diz o dia,
Quem sabe não é dia de alegrias?
Dia de ficar nós dois,
Apenas de ser o que tiver de ser.

Não quero cobrar nada não,
Amor de cobrança não é nada além de obrigação.
Vou só sempre ser sincero,
Com o pouco que espero,
E hoje eu espero o azul,
Espero um eu somado a um tu.

Além do Que Se Imagina

Eu estava pensando nisso tudo da gente. No azul, nas flores, no barco e em tudo mais que se faz um laço só nosso. É uma história tão rica e complexa que pode ser chamada de mágica ou trágica, a depender do expectador.

Aos poucos a gente vai se conhecendo melhor, vai se querendo mais, porém ainda existe toda essa parte de medo que torna tudo tão inviável, por isso, acho que tenho que esclarecer alguns pontos:

Eu não vou desistir da gente, mesmo que os céus caiam em canivetes, porque quando se tem vontade, o amor verdadeiro parece ter essa capacidade de proteger inteiro; porque mesmo com todo o medo que existe no peito, eu só consigo olhar pra felicidade que a gente parece destinado a ter. E hoje, apesar de não ter certeza que é você mesmo, eu tenho me sentido muito abençoado por lhe ter na minha vida, por já ter essa crença que é você é alguém que não vai ter despedida.

Entendo muito bem que você necessita do seu espaço e tempo. Você é uma pessoa que navega a si mesma e regula sua própria velocidade, porém como lhe disse antes, amor não acontece por inércia, é aceleração, é força que se faz presente. E uma hora você vai dar partida nisso tudo, seja pra irmos em frente, seja pra partir pra longe. Não quero adiantar nada, estou pronto pra aguardar o que tiver de ser, o quanto tiver de ser. E bem sei que você também sente algo por aí, por isso eu vou esperar pacientemente, pra ver o que você vai decidir. Até porque até mesmo as estrelas tão distantes vivem uma vida quase eterna apenas para queimar e brilhar no nosso céu, então nós temos que ter a sobriedade pra aprender sobre e com as forças divinas, você não acha? Tanto a aprender sobre tanta coisa e é melhor que façamos isso juntos, você não acha?

Eu não quero, nem vou ser alguém que vai embora facilmente, não, nunca mais vou repetir esse erro novamente! Eu estou aqui pra ficar e fazer a diferença que você permitir, porque nossas perspectivas destoantes são o que nos ensinarão como crescer e as ferramentas que vamos usar para isso são as memórias que já estamos construindo, já que, no final, você será minha melhor amiga, minha melhor parceira... Pelo menos é o que eu pretendo ao colocar tantos sentimentos bons na semente que tento plantar nos nossos corações.

Eu não vou desistir da gente, mesmo que o mar se evapore, porque quando se tem vontade, o amor verdadeiro parece ter essa capacidade de se fazer presente em tudo que nos é importante. Sei que não anda tão fácil por aí, entretanto, se você se permitir, posso ser tua fuga, seu escudo, seu abrigo ou apenas um sorriso mudo. Eu quero e posso ajudar, desde que você me deixe entrar, e se não puder permitir, deixa apenas que eu lhe faça sorrir, mesmo sem entender de onde vem essas suas tormentas, estou disposto a navegar por elas só pra lhe abraçar.
Ainda não dá pra saber, exatamente o que vai ser, só posso lhe garantir uma coisa: já é algo que me faz muito bem, algo que parece destinado a ir além do que se imagina.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Padrão de Mar

Eu gosto de traçar padrões, através de reações interpessoais, desenho, na minha mente, figuras onde as linhas se sobrepõe pelo que me demonstram, e, como posso dizer isso sem me entregar por completo? Você, com esse jeito único, traz-me todas as sensações que tenho quando estou no mar.
Você chega invadindo, aos poucos, ciclicamente, como as ondas que roçam a areia: seu riso faz exatamente o mesmo quando toca meu coração e me remete uma sensação tão gostosa que me pego sorrindo só de lembrar disso. E quanto mais eu conheço de você, mais percebo a imensidão que existe no seu ser, em como você parece saber amar coisas tão simples, tão lindas, tão comuns e admiráveis, que eu fico impressionado com cada pequena atitude sua, principalmente por saber que são todas naturais. Eu não queria me entregar por completo, só que eu acho que já me entreguei há muito, e, sinceramente, eu nunca resisti a mergulhar no mar, então não seria diferente com você, entende?

terça-feira, 12 de maio de 2015

Cheiro

Sabe, pequena,
Tá tudo bem,
Nisso quá gente tem,
De querer tempo todo,
Colo um do outro.

É estranho admitir,
Pros outro explicar,
Como a gente se achou,
E já tá sendo assim,
Sentindo sim,
Que é pra bem ser,
Num cafuné bom de dar,
E todo dia de sol raiar.

Entre beijo bom,
Vem o cheiro com,
Que gosto de ficar,
De chegar em casa e respirar,
Teu aroma sendo meu,
Presentinho de Deus.

Porque é de carinho,
Que nos faz bem,
Que faz nosso caminho,
E se for pra ser além,
Vai ter sempre disso,
Cheiro, beijo e reboliço.

Sabe, pequena,
Quando você não vem,
Percebo que já tem,
Saudade do seu cheiro,
Que quero no travesseiro.

Pra me fazer sorrir,
Sempre que eu acordar,
Porque no quá gente achou,
Já faz bem pra mim,
E você me faz assim,
Transbordar num bem querer,
De cafuné lhe inundar,
Pro teu sol em mim raiar.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Só Da Gente

A conversa não cessa,
E não tem quem messa,
O bom que já faz,
O quanto ela é demais.

É, é sim,
É de um benzinho assim,
Que se faz presente,
Que torna o resto ausente.

E tá tudo tão bom,
Que sinto uma leveza,
De me contagiar todo,
Me faz querer que todo dia,
Seja de sol pra espreitar.

Porque seu beijo com batom,
Tem esse tipo de proeza,
Que me passa o rodo,
Desperta essa sinfonia,
Que no peito vem ribombar.

Enquanto a analiso,
Me pego todo domado,
Quase de cabeça pra baixo.
E nos seus braços me encaixo,
Dos seus sorrisos, faço piso,
Prum romance corado.

E eu fico abobado,
Meio perdido, quase calado,
Com riso incontido,
Gostando de cada parte,
Que ela me manda aos poucos,
Que faz meu entoar rouco,
Cheio de vergonha.

Porque ela nem sonha,
Que na minha mente faço colagem,
Pra imitar o tipo dela de arte,
E nos bordar num presente,
Que darei quando reunir coragem:
Um romance só da gente.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Hora de Glória (Ano Azul)

Dia raiou, era pra ser mais um, ainda não dava pra saber, mas aquele dia, apesar de não ser, seria o vinte e um. Era um dia comum, mais outro, que fosse o que tivesse de ser. Era isso que entoava na mente quando o sono se desfez; havia tanta coisa pra resolver, que ainda não era hora de se preocupar com o grande evento do domingo. Era um dia de glória, só que não tinha como saber ainda.

Da cozinha pra varanda olhar o céu, deixar a vista se perder no azul, numa oração pra trazer boas vibrações, e aí os olhos se voltaram pro campo que despertava tanto amor.
Já estava tudo pintado, o palco todo preparado: a âncora que estava tatuada, literalmente, no peito, também decorava o centro do campo; era mais uma batalha, mais uma em que tudo seria doado em campo.

Equipamentos, bicicleta e fones de ouvido, cada pedalada trazia um pouco de paz pro coração que já estava tão tranquilo. Chegar cedo sempre foi bom. É verdade que existiam tantos afazeres, mas no geral era tão bom ocupar a mente, pra não deixar o frio da barriga anterior voltar a tomar os pensamentos. Fazia quantos anos que sentia aquilo em toda véspera de jogo? Três anos? Quatro anos? Não importava, sempre iria sentir aquilo, porque no momento que deixasse de sentir, sabia que era o dia em que não mais se importava, e que assim, não deveria mais ter direito a um uniforme azul.

Enquanto as pendências eram resolvidas, o lado jogador foi esquecido, como sempre. Agora era diretor e tinha responsabilidades maiores. Organizar tudo e, pela primeira vez, não houve o clima de correria, de afobação.
Almoçar com os companheiros foi mais uma das sensações inéditas daquele dia; trazia uma sensação familiar, uma leveza que era fruto da harmonia que havia bem lá dentro, no coração e na alma.

A volta pra casa foi ainda mais tranquila, poderia ficar no vestiário, entretanto não há lugar melhor que o lar pra relaxar. Músicas escolhidas especialmente, um banho gelado pra levar pra longe o calor e qualquer sensação ruim. Relaxar nunca foi tão fácil, principalmente com o e-mail dela que chegou.

Uma última checagem nos afazeres de diretor, e mais uma vez, adiantando o cronograma previsto, agora só restava o papel de jogador.
Roupas de aquecimento, alguns equipamentos velhos, a maioria dos que vestiu eram novos e azuis, todos pra que aquela temporada fosse diferente, e dentre tudo que carregava, as duas maiores mudanças naquele dia eram: o Tal novo que carregava no pescoço, uma lembrança da promessa pra tudo que viesse a realizar, e principalmente a sensação que tudo estava onde e como devia estar, uma harmonia própria que não conseguia explicar.

A concentração chegou no auge. Dedos enfaixados pra prevenir antigos e novos entorses; os últimos detalhes dos equipamentos devidamente ajustado e um uniforme azul que fazia tudo mais adequado. O vinte e um tatuado abaixo da âncora, agora destoava no azul das suas vestes. Havia orgulho daquele número, orgulho de todo o significado que existia no seu padrão.
Um suspiro longo e estava pronto. Discursos entoaram ao redor, contudo, nenhuma palavra que dissessem faria diferença àquela altura: tudo já estava na cabeça, faltava apenas uma última parte, a benção pra que tudo desse certo.

De joelhos, como todos no recinto, com uma mão no ombro de um irmão, a oração foi entoada. Mas dessa vez a imagem visualizada nos olhos fechados foi diferente: havia paz, daquela que só se faz, quando se está tudo bem e o que havia além, era um bom azul. O grande ótimo azul. As preces dos irmãos ao redor seguiam firme, enquanto a mente miravam o que viria a frente. Um novo desafio a superar, tudo ia ser deixado em campo, era missão e obrigação.
Foi aí que uma situação inédita surgiu: o campo sumiu, e na mente surgiu apenas o azul, representado no mar. O mar que dava nome ao time, o mar que era tão importante em tudo que já vivenciara. O mar que ela havia prometido compartilhar. O azul que ela havia informado que seria a ponte pra tudo de bom que viesse daquilo tudo que estava surgindo.
E quando a oração mudou, o mar se tornou céu, de um azul tão bom, que não tinha como duvidar que o futuro seria igualmente positivo. Ao fim, antes do amém, o que fazia mais bem, além de todo azul, era o rosto dela, o rosto e o riso cru. Que saudade! Que vontade! E dava pra sentir toda as energias boas que ela enviou logo cedo, tanto que tudo transbordava quando o campo foi pisado pelo pé direito.

Um último olhar pro céu, um indicador praquele que era metade e pra sempre iria ser. O jogo começou. Era mais um, como todos os outros que já haviam passado, como todos os treinos durante a semana. A primeira participação passou, tranquila, apenas tinha de fazer o seu trabalho e era o que iria ser feito.

Treino duro, trabalho duro, tanto tempo abdicado e nada disso passava pela cabeça quando o momento chegou. Tão rápido, tão súbito, reflexo de tudo que se acumulou e foi aí que o momento sonhado finalmente chegou.

A hora de glória chegou. Foi rápido, fugaz e um pouco doloroso. A costela doía da pancada que veio no fim da conquista; a adrenalina ainda era muito forte e quando os irmãos chegaram para parabenizar, não sabia bem o que falar, apenas queria continuar ali. Tinha ensaiado tantas vezes aquele momento na mente, sonhado tanto, e quando finalmente chegou, nada foi como o planejado. Estava cansado, felizardo, realizado e principalmente impressionado. Porque ali, o que mais lhe vinha a mente era a sensação de que era só o começo, que uma aura boa atraí coisas tão boas que correspondem ao que se planta; ali era melhor do que a imaginação jamais fora capaz de conjecturar; ali, leve como estava, toda a aura boa que trazia dentro do peito e que ela enviara, se consolidara naquela conquista pessoal tão incrível.
Foi a primeira glória do dia e os irmãos seguiram o seu caminho como inspiração. Uma apresentação memorável, como nunca havia vivenciado. Tudo foi se consolidando naquela tarde única, quase perfeita, e só não o foi, porque sempre há o que se melhorar, e dava pra perceber que ainda tinham um longo caminho a percorrer. Ao fim daquela jornada, quando a lua já despontava no céu, veio a chuva. Que tinha de vir pra molhar, pra lavar, pra mostrar que o céu viu tudo, que estava ali de testemunha de todo o trabalho duro e a recompensa que finalmente havia chegado.

Nunca ousem acreditar que não chega, porque chega. Todo trabalho duro recompensa, principalmente se existe crença e aura boa. Foi assim comigo, mas foi só o começo. É um ano azul que está vindo, é um ano azul que o sorriso dela vem me trazendo todos esses dias e que me levará pra tantas outras vitórias e glórias de chegar. Um ano azul meu, um ano azul dela, quiçá nosso e de todos ao redor que quiserem pegar carona. É um ano azul que eu quero e que construo, um ano entre risos e glórias, um ano pra entrar pra história.

Moça Bela

Ela faz assim,
De mim, todo risonho,
Um beijo, um abraço,
Um amor típico de sonho,
Um desejo, um laço,
Um azul sem fim.
Ela é luz, é energia boa demais. Súbita, rupta, livre e alegre. Explode, recolhe, esconde e me desperta um bem tão além, que não dá pra saber o que é que vem.

Ó flor, bordada em amor, nos dá chance vai? Quem sabe nosso romance não vai? Quem sabe né que nem novela? Eu o príncipe, você a moça bela.